MÓDULO 1.2

🧠 Software 3.0 e Agentic Engineering

Karpathy, Sequoia Ascent 2026: programar LLMs com prompts, contexto, ferramentas, memória e instruções. Por que essa é a era atual e o que Jagged Intelligence te ensina.

6
Tópicos
35
Minutos
Básico
Nível
Teoria
Tipo
1

📜 Software 1.0 → 2.0 → 3.0

Karpathy organizou a história do software em 3 eras. Saber em qual você está define como você programa.

As 3 eras

  • 1.0 — humano escreve código explícito (lógica, ifs, loops). Compilador transforma.
  • 2.0 — humano define dataset + arquitetura, treinamento gera os pesos. Programa vive nos pesos.
  • 3.0 — humano programa LLMs com prompts, contexto, ferramentas, memória, instruções. LLM é o interpretador.

Citação

"Software 3.0 is humans programming LLMs through prompts, context, tools, examples, memory, and instructions." — Karpathy, Sequoia Ascent 2026

2

🎯 Agentic Engineering

Karpathy substituiu "vibe coding" por Agentic Engineering — a disciplina profissional de coordenar agentes falíveis preservando correção, segurança, gosto e manutenibilidade.

O que isso significa na prática

  • Falibilidade — assumir que agente erra. Sistema precisa absorver.
  • Coordenação — múltiplos agentes precisam de hierarquia, papéis, handoffs.
  • Verificação — output passa por eval, review, ou gate humano.
  • Taste — humano define o que é "bom". Agente busca o "correto".
3

🪨 Jagged Intelligence

Karpathy cunhou o termo: agentes são "jagged" — irregulares. Conseguem refatorar 100k linhas de código mas falham em raciocinar sobre andar 50 metros. Saber onde delegar é metade do jogo.

✓ Onde delegar

  • Refatoração de código com testes
  • Resumo de documentos longos
  • Pesquisa estruturada
  • Boilerplate e scaffolding

✗ Onde NÃO delegar

  • Raciocínio espacial complexo
  • Decisões irreversíveis (delete, send)
  • Julgamento ético / legal final
  • Compreensão estratégica de negócio
4

📈 80/20 invertido

Karpathy passou de escrever 80% do código para delegar 80%. A unidade de trabalho mudou de "linhas de código digitadas" para "macro actions delegadas".

Citação

"The unit of programming changed from typing lines of code to delegating larger macro actions." — Karpathy, dez/2025

Implicação

Quem opera no novo modo já entrega 5x mais. Quem fica no modo antigo está sendo deixado para trás silenciosamente.

5

🧩 Compute substitutivo

Erro comum: tratar agentes como automação (faz a mesma tarefa mais rápido). A leitura correta: agentes são substitutivos — eles redefinem cargos e processos inteiros.

Exemplos

  • Marco — não "automatiza" o briefing semanal. O cargo de "quem faz briefing" desaparece.
  • Sally — não "automatiza" o case scaffolding. O paralegal vira revisor de outputs.
  • Sana — não "automatiza" sumário de biópsia. A leitura inicial fica com a IA; humana valida.
6

🎓 Você não terceiriza entendimento

Esta é talvez a frase mais importante de Karpathy em 2025-2026:

"You can outsource your thinking, but you can't outsource your understanding."

Você pode delegar a execução do raciocínio, mas a compreensão fica com o humano. Sempre. É o que define onde o humano permanece — não na produção, mas no julgamento.

Aplicação prática

Em todo agente, defina claramente: o que ele decide sozinho? O que ele recomenda e humano aprova? Onde o humano precisa entender antes de assinar?

📋 Resumo do Módulo

Software 1.0 → 2.0 → 3.0 — três eras; estamos em 3.0.
Agentic Engineering — disciplina profissional de coordenar agentes falíveis.
Jagged Intelligence — saber onde NÃO delegar é metade do jogo.
80/20 invertido — delegar 80% via macro actions é a nova unidade de trabalho.
Compute substitutivo — substitui processos, redefine cargos, não só automatiza.
Compreensão é do humano — você terceiriza pensamento, não entendimento.

Próximo Módulo:

1.3 — Por que sua IA não gera resultado