MÓDULO 1.5

🍽️ O método PRATO — visão geral

Preparar, Resumir, Agenciar, Traçar, Operar. As 5 letras que organizam todo o curso e toda a sua implementação. Um mapa completo antes de mergulhar nas trilhas.

6
Tópicos
30
Minutos
Básico
Nível
Framework
Tipo
1

📂 P — Preparar

Antes de qualquer agente, antes de qualquer skill, antes de qualquer automação — você precisa saber onde seus dados estão. Preparar é o inventário da despensa: mapear fontes, identificar sistemas, entender formatos e definir o source-of-truth de cada tipo de dado.

📦 A metáfora da despensa (Pantry)

Um chef profissional não começa a cozinhar sem conhecer o que tem na despensa. O método PRATO usa a mesma lógica:

  • Inventário de fontes — liste todos os sistemas: CRM, EHR, planilhas, APIs, arquivos locais, emails.
  • Mapeamento de formatos — CSV, JSON, PDF, XLS, SQL — cada um exige tratamento diferente.
  • Identificação do source-of-truth — quando há conflito, qual sistema vence? Definir isso evita o erro do Marco.
  • Diagnóstico de qualidade — dados duplicados? Desatualizados? Incompletos? Documentar antes de prosseguir.

📊 P na prática: Marco prepara o SlabHaus

Marco lista: Shopify (pedidos, estoque), Stripe (receita), Meta Ads (custo de aquisição), TikTok Analytics (engajamento), Gorgias (tickets). Source-of-truth de receita: Stripe. Source-of-truth de cliente: Shopify. Conflito identificado: frete está em Shopify e Stripe com valores diferentes — Shopify é o correto (confirmado com o contador).

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📝 R — Resumir

Dado preparado ainda não é dado utilizável pelo agente. A segunda etapa é transformar dados brutos em Silver Platters — arquivos markdown estruturados que o agente consegue consumir em segundos, com os KPIs certos, na granularidade certa, com frescor definido.

🍽️ O que é um Silver Platter

Um arquivo .md que contém um resumo estruturado de uma área de conhecimento. Características obrigatórias:

  • Escopo clarofinanceiro.md fala só de finanças, nunca de marketing.
  • Frescor definido — atualizado diariamente, semanalmente ou por evento. Sempre com timestamp.
  • Granularidade certa — KPIs que o decisor precisa, não todos os dados disponíveis.
  • Alertas embutidos — desvios, anomalias, urgências — o agente lê e já sabe o que importa.
# Silver Platter: clientes.md (Marco/SlabHaus)
## Atualizado: 2026-05-15 08:00

## Whales (LTV > R$ 5.000)
- Total: 47 clientes
- Compra média: R$ 1.240
- Frequência: 2.3x/mês

## Alerta
- 12 whales sem compra há >30 dias (risco churn)
- Top whale: @usuario_xyz — R$ 18.400 LTV

💡 R está na Trilha 3

A Trilha 3 (Conhecimento) é inteiramente dedicada a Resumir: como criar Silver Platters, qual granularidade usar, como automatizar a atualização, como versionar. Aqui em 1.5 você entende o conceito — lá você implementa.

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👔 A — Agenciar

Com dados preparados e resumos prontos, a terceira etapa é montar a equipe agêntica. Agenciar é definir quem faz o quê: que especialistas existem, qual é o escopo de cada um, quais ferramentas têm acesso, e como o orquestrador coordena o fluxo.

🏢 Estrutura agêntica padrão

EA

EA Orchestrator (Chief-of-Staff)

Recebe pergunta, decide qual especialista acionar, sintetiza resultado. Acesso de leitura a todos os Silver Platters.

CFO

CFO Bot (Finanças)

Analisa P&L, margem, custo. Acesso: /financeiro/ e /billing/. Sem acesso a marketing ou operações.

CMO

CMO Bot (Marketing/Cliente)

Analisa engajamento, voz do cliente, campanha. Acesso: /marketing/ e /clientes/. Sem acesso a finanças.

OPS

Ops Bot (Operações)

Rastreia operações, SLAs, fornecedores. Acesso: /ops/. Escopo estrito.

💡 A está na Trilha 4

A Trilha 4 (Trabalhadores) cobre Agenciar em profundidade: como criar AGENTS.md, como definir escopo, como construir o orquestrador, como fazer handoff entre especialistas. Aqui você entende o conceito — lá você constrói.

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⚙️ T — Traçar

Agentes prontos ainda precisam de gatilhos. Traçar é configurar os hooks e automações que fazem o trabalho acontecer sem depender de você lembrar. SessionStart, PostToolUse, Stop, schedules — são o sistema nervoso autônomo da sua operação agêntica.

🔗 Tipos de hooks e seus usos

  • PreToolUse — antes de qualquer ferramenta executar. Ideal para validação, confirmação, logs de audit.
  • PostToolUse — depois de ferramenta executar. Ideal para notificações, atualização de Silver Platters, alertas.
  • SessionStart — ao iniciar uma sessão. Carrega contexto, atualiza dados, define estado.
  • Stop — ao encerrar. Gera resumo, salva decisões, agenda próxima ação.
  • Schedules — cron-like. "Todo dia às 7h, atualiza Silver Platters." Trabalho invisível.
# Exemplo: hook Sunday do Marco
# Toda sexta às 18h via schedule
script: consolidar_semana.sh
→ Shopify export → normalizar → financeiro.md
→ TikTok export → normalizar → marketing.md
→ Notificar Marco via Slack com resumo

💡 T está na Trilha 5

A Trilha 5 (Automação) cobre Traçar: como configurar hooks no settings.json, como criar schedules, como testar idempotência, como lidar com falhas. Aqui o conceito — lá a implementação.

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🚀 O — Operar

O sistema está montado. Agora vem a parte que a maioria negligencia: colocar em produção com observabilidade e governança. Operar não é "ligar e torcer" — é monitorar, avaliar, iterar e manter o sistema saudável ao longo do tempo.

📊 O que "operar" significa na prática

  • Traces em produção — toda execução registrada. Saber o que aconteceu, quando e com que resultado.
  • Evals periódicas — a cada semana ou sprint, revisar amostras das respostas dos agentes. Qualidade mantida.
  • Validação humana — para decisões de alto impacto, humano-no-loop obrigatório. Não como exceção, como regra.
  • Plano de evolução — o sistema melhora. Novos Silver Platters, novos skills, novos agentes à medida que o negócio cresce.
  • Custos sob controle — orçamento de tokens por agente, alerta quando ultrapassar threshold.

📈 O ciclo de melhoria contínua

1.Executar → traces automáticos coletam dados de qualidade
2.Revisar → evals identificam onde o agente errou ou foi impreciso
3.Diagnosticar → raiz do erro: dado, prompt, lógica ou ferramenta?
4.Corrigir → atualiza Silver Platter, skill ou CLAUDE.md conforme necessário
5.Validar → testa a correção antes de subir para produção
6.Repetir → sistema fica melhor a cada iteração
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🧭 PRATO × trilhas

O método PRATO não é uma sequência de leitura — é um mapa de onde cada trilha mora. Você sempre sabe em que etapa do método está, o que já tem e o que falta construir. Isso evita o erro de pular direto para automação sem ter base.

🗺️ Onde cada letra mora no curso

P

Preparar → Trilha 1 (fundamento) + Trilha 3 (implementação)

T1 explica o conceito. T3 ensina a criar o inventário de dados e organizar fontes.

R

Resumir → Trilha 3 (Silver Platters)

Como criar, atualizar, versionar e testar Silver Platters para cada área do negócio.

A

Agenciar → Trilha 2 (Identidade) + Trilha 4 (Trabalhadores)

T2: CLAUDE.md, AGENTS.md, identidade. T4: orquestrador, especialistas, handoff.

T

Traçar → Trilha 5 (Automação)

Hooks, schedules, eventos de ciclo de vida, idempotência e tratamento de falhas.

O

Operar → Trilha 5 + Trilha 6 (Implantação)

T5: observabilidade e evals. T6: implantação completa com os 3 casos (Marco, Sally, Sana).

💡 PRATO como autoavaliação

A qualquer momento durante o curso, você pode perguntar: "Estou em qual letra do PRATO?" Se você sabe onde está, sabe o que falta. Se você sabe o que falta, sabe qual trilha priorizar. O método é também um diagnóstico da sua maturidade operacional.

📋 Resumo do Módulo

P — Preparar — inventário de fontes, source-of-truth, diagnóstico de qualidade antes de qualquer IA
R — Resumir — Silver Platters .md com escopo, frescor, granularidade e alertas embutidos
A — Agenciar — orquestrador + especialistas com escopo, ferramentas e SLA definidos
T — Traçar — hooks e schedules que fazem o trabalho acontecer sem depender de lembrar
O — Operar — traces, evals, governança e ciclo de melhoria contínua em produção
PRATO × trilhas — mapa completo: cada letra tem trilha(s) dedicada(s) para implementação

Próximo Módulo:

1.6 — Como usar este curso: mapa, ritmo e projeto final