MÓDULO 3.6

🚀 Do Zero ao SPEC — Seu Próximo Projeto

Exercício guiado completo: do projeto escolhido ao SPEC escrito, sequência de prompts definida e checklist de pré-build preenchido.

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Tópicos

6

⏱️

Minutos

50

✏️

Tipo

Exercício Prático

1

🎯 Escolhendo o projeto certo

O primeiro projeto onde você aplica o método determina se vai querer usá-lo novamente. Escolha um projeto onde a metodologia possa brilhar — não um onde a complexidade do domínio vai obscurecer o que está aprendendo sobre o método.

Critérios para um bom primeiro projeto

✓ Bom candidato

  • • Escopo em 1-2 páginas de SPEC
  • • Um único ponto de integração
  • • Resultado verificável em minutos
  • • Sem dependências externas complexas
  • • Você consegue descrever em uma frase

✗ Mau candidato

  • • Integra com 3+ serviços externos
  • • Requer autenticação e autorização
  • • Domínio que você não conhece bem
  • • Prazo apertado sem margem para aprendizado
  • • Resultado depende de dados externos

💡 Exemplos de bons primeiros projetos

  • Hook de PreToolUse que loga operações de arquivo em JSON
  • Plugin que exibe um resumo do contexto atual antes de cada commit
  • Stop Hook que envia notificação quando uma sessão longa termina
  • Plugin que mantém um log de todas as ferramentas usadas na sessão
2

📋 Escrevendo o SPEC do seu projeto

Exercício prático: 30 minutos para preencher o template de SPEC para o projeto que você escolheu. O objetivo não é o SPEC perfeito — é descobrir onde as perguntas são difíceis.

Exercício: preencha agora (30 min)

1. Objetivo (2 min)

Em uma frase: "Este plugin X para que Y possa Z"

2. Componentes (5 min)

Liste 2-5 componentes. Para cada um: nome, responsabilidade única, o que NÃO é responsabilidade dele

3. Invariantes (8 min)

Complete: "O sistema NUNCA pode ___". Mínimo 3 invariantes. Inclua fail-open obrigatoriamente.

4. Interface pública (5 min)

Como invocar o sistema, que parâmetros recebe, o que retorna em sucesso e em falha

5. Sequência de build (5 min)

Liste 4-6 camadas na ordem: scaffold → estado → lógica → segurança

6. Critérios de aceitação (5 min)

Para cada camada da sequência: "a camada está completa quando ___"

3

🔢 Quebrando em prompts

Com o SPEC completo, o próximo passo é transformar a sequência de build em prompts concretos. Para cada camada, definir: o que já existe (pré-condições), o que este prompt cria (entrega) e como verificar (critério).

Exemplo: plugin de logging

P1

Scaffold

Cria hooks/pre_tool_use.sh com fail-open. Aceita: nada. Verifica: arquivo existe, invocável, exit 0 sempre.

P2

Estado

Cria log.json com schema {entries:[]}. Aceita: P1 verificado. Verifica: inicializa, lê, adiciona entrada sem corrupção.

P3

Lógica

Hook lê stdin JSON, extrai ferramenta e input, adiciona ao log. Aceita: P2 verificado. Verifica: entry correta no log após invocação.

P4

Segurança

Write atômico, ERR trap, lockfile. Aceita: P3 verificado. Verifica: kill durante write não corrompe, 2 instâncias concorrentes ok.

4

⚡ Identificando as primitivas de segurança do seu projeto

Nem todo projeto precisa das seis primitivas com a mesma intensidade. A análise de primitivas relevantes identifica quais são críticas para o seu projeto específico — evitando over-engineering e garantindo que as críticas não sejam esquecidas.

Perguntas para cada primitiva

Fail-open Este plugin é invocado por um hook? Se sim, fail-open é obrigatório. Sem exceção.
Atômica O plugin escreve estado persistente? Se sim, escrita atômica é obrigatória.
CAS Múltiplas instâncias podem executar simultaneamente? Se sim, CAS é necessário.
Lockfile Existe seção crítica que não pode ser executada em paralelo? Se sim, lockfile é necessário.
ERR trap O plugin usa shell script? Se sim, set -euo pipefail e ERR trap são obrigatórios.
Idempotência Re-executar o mesmo hook pode causar efeitos indesejados? Se sim, idempotência é necessária.
5

🧪 Definindo as verificações entre prompts

Para cada prompt da sua sequência, defina os critérios de aceitação antes de executar o prompt. Critérios definidos antes são objetivos — critérios definidos depois tendem a se ajustar ao que foi entregue.

Formato de critério de aceitação

Prompt N está completo quando:

1. [arquivo ou artefato esperado] existe e é válido

2. Executar [comando concreto] produz [resultado concreto]

3. Forçar [falha específica] resulta em [comportamento esperado]

4. Regressão: todos os testes de camadas anteriores ainda passam

💡 O sinal de critério ruim

Se você não consegue escrever o critério antes de ver o código, o requisito está ambíguo. A dificuldade de escrever o critério é informação valiosa — indica que você não sabe o que quer, e o modelo vai ter a mesma dificuldade.

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🚀 Checklist de pré-build

O checklist de pré-build é a última verificação antes de enviar o primeiro prompt. Confirmar cada item garante que você está planejando um build, não uma série de tentativas.

Checklist completo

SPEC completo: objetivo, componentes, invariantes, interface, sequência, critérios
Sequência de prompts definida: 4-8 prompts com dependências explícitas
Primitivas de segurança mapeadas: quais são necessárias e em qual camada
Critérios de aceitação escritos: para cada prompt, antes de executar
Platform tests preparados: ambiente verificado para o que o plugin vai fazer
Template de prompt preparado: as 5 seções preenchidas para o Prompt 1

Quando você está pronto

Se todos os seis itens do checklist estão confirmados, você tem um plano. Não uma lista de desejos, não uma vaga ideia — um plano com critérios objetivos de sucesso. Execute o Prompt 1, verifique, avance.

Isso é O Método.

🎓 Trilha 3 Concluída

Você agora tem o método completo. Os seis módulos cobriram os princípios que tornam o Claudex e qualquer plugin bem-construído possível:

3.1: SPEC como contrato escrito antes do código
3.2: Sequência scaffold → estado → lógica → segurança
3.3: Seis primitivas de segurança como checklist mecânico
3.4: Prompts atômicos com template de cinco seções
3.5: Testes por camada: platform, smoke, E2E sintético, regressão
3.6: Do projeto escolhido ao primeiro prompt — com checklist completo

Próxima Trilha:

Trilha 4 — Avançado: padrões complexos, otimizações e casos edge