Caderno de profissão · Contábil e financeiro · 3 aulas
Saia com um processo do seu escritório ou da sua área financeira especificado no Kit do Arquiteto de Agentes: quem lança não aprova, o agente nunca transmite nem paga, senhas e dados bancários fora do alcance, e a conferência batendo com o extrato.
Aulas
Saia com a lista dos dez processos e um deles mapeado em seis elos, com a segregação entre executar e aprovar escrita.
Saia com o inventário de contexto e a matriz de permissões do seu agente, com senhas, dados bancários e dados de um cliente nunca cruzando para outro.
Saia com a especificação do agente montada no kit, a partir do preset contábil, e ensaiada num chat de IA.
Antes de começar
Os seis elos, o pedido de longo horizonte, a cadeia, o inventário de contexto, a ficha de qualidade e a matriz de permissões estão explicados no curso Arquiteto de Trabalho com IA. Aqui eles são aplicados ao escritório contábil e à área financeira. A prática da aula 3 usa o Kit do Arquiteto de Agentes, com o preset contábil.
Caderno contábil e financeiro · Aula 1
Ao fim desta aula você consegue listar os dez processos do seu escritório ou da sua área financeira que um agente pode executar, e mapear um deles em seis elos com a linha entre executar e aprovar escrita.
Contabilidade e financeiro têm uma vantagem sobre qualquer outra área na hora de colocar agentes: a governança já existe. Quem lança não aprova, quem paga não confere, quem assina responde. Essas regras estão em manuais de auditoria há décadas. O que falta é aplicá-las a um trabalhador que faz exatamente o que a instrução diz. Esta aula pega os processos que hoje consomem a semana de um escritório ou de um departamento financeiro e mostra onde o agente entra e onde ele para, sempre antes da assinatura.
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Auditoria chama de segregação de funções a regra de que quem executa não aprova. Num escritório contábil, a assistente lança e a contadora fecha. Numa empresa, o analista prepara o pagamento e o controller aprova. Para o agente, a regra se traduz sem tradução: ele executa (confere, classifica, prepara, cobra, calcula) e nunca aprova, nunca transmite ao governo, nunca paga, nunca fecha o mês.
Essa é a linha deste caderno. Do lado do agente, tudo que uma assistente bem treinada faz sem pedir assinatura. Do lado da pessoa, tudo que hoje exige a assinatura, o certificado digital ou a senha do banco. Não é limitação: é a mesma linha que já existe, agora escrita para alguém que não improvisa.
Helena, contadora de um escritório com 60 clientes, passa a primeira semana do mês cobrando documentos e a segunda conferindo obrigações. Quando listou o que a assistente faz sem assinatura dela, deu 80% do trabalho: conferir pastas, cobrar o que falta, calcular as guias, montar a lista de pendências. Os outros 20% (revisar o cálculo, transmitir, assinar) continuam com ela. O agente mira nos 80%.
Antes
Do dia 1 ao 6, Helena e duas assistentes abrem 60 pastas, comparam com a lista de documentos esperados, mandam e-mails de cobrança um a um e anotam numa planilha quem respondeu. Uma semana, e no dia 7 ainda faltam 15 clientes.
Depois
O agente confere as 60 pastas na madrugada do dia 2, envia a cobrança padrão do que falta, reconfere a cada chegada e, no dia 6 às 8h, entrega a lista: 44 completas, 16 com o que falta em cada uma. As assistentes ligam só para as 16.
Os dez processos críticos que quase todo escritório contábil ou departamento financeiro tem: cobrança de documentos dos clientes ou das áreas; classificação de lançamentos; conciliação bancária; obrigações acessórias (guias, declarações, o que o governo pede todo mês); folha, na parte de coleta e conferência; contas a pagar; contas a receber e cobrança; relatórios gerenciais; cadastro (abertura, alteração, procurações, certificados com prazo); e dúvidas recorrentes de clientes ou de áreas.
Em todos, o agente executa a parte repetível e para antes da assinatura. Escolha o primeiro pelo critério do curso-base (repete, mais de uma pessoa, erro custa dinheiro) e por uma regra extra deste caderno: comece pelo que não transmite nem paga. Cobrança de documentos e conciliação são candidatos naturais; transmitir declaração e pagar fornecedor ficam para depois de meses de registro limpo, e talvez nunca.
Diego, analista financeiro de uma indústria com 200 funcionários, cuida de contas a pagar: 300 títulos por mês, cada um conferido contra pedido e nota antes de ir para a aprovação do controller. É o processo seis. O agente que confere título, pedido e nota e prepara o lote para aprovação é administrativo do começo ao fim. O que paga é o controller, com a senha do banco que o agente nunca vê.
Aplicando o mapa do curso-base ao processo mais comum do escritório. Entrada: do dia 1 ao 5, documentos chegam por e-mail e pelo aplicativo do escritório; a lista do que cada cliente deve mandar já existe. Decisões de regra: cliente não mandou o extrato até o dia 5? cobrar com o modelo. Documento sem CNPJ ou sem mês? separar e pedir de novo. Decisão de julgamento: aceitar documento depois do prazo interno? Fica com a contadora.
Ação: conferir a pasta contra a lista e enviar a cobrança padrão só do que falta. Verificação: nenhuma cobrança cita item que já chegou; o nome do cliente e o prazo estão certos. Exceção: cliente com dois CNPJs na mesma pasta, documento ilegível pela segunda vez, cliente que mudou de regime no mês. Resultado: no dia 6, a contadora sabe quais pastas estão completas e o que falta em cada uma. A restrição que não pode faltar: dado de um cliente nunca aparece na mensagem de outro.
Na primeira rodada de Helena, o agente cobrou de um cliente um extrato que já estava na pasta, com o nome do arquivo diferente do esperado. A verificação "nenhuma cobrança cita item que já chegou" não pegou porque o agente não reconheceu o arquivo. A regra nova: documento com nome fora do padrão vai para a lista de dúvidas, não para a cobrança. Uma linha, e o problema não voltou.
O agente do contábil chega até a porta da assinatura e para. Tudo que vem antes dela é dele; a assinatura, o certificado e a senha são da pessoa.
Na área financeira de uma empresa, o processo muda de nome e mantém a estrutura. Entrada: títulos a vencer nos próximos 7 dias, do sistema de gestão. Decisões de regra: título tem pedido de compra e nota correspondentes? Valor bate com o pedido dentro da tolerância (2%)? Fornecedor está no cadastro aprovado? Julgamento: pagar antecipado com desconto? Fica com o controller. Ação: montar o lote de pagamento com os títulos que passaram, e a lista dos que não passaram com o motivo.
Verificação: soma do lote bate com a soma dos títulos; nenhum fornecedor fora do cadastro; nenhuma divergência acima da tolerância no lote. Exceção: divergência acima de 2%, fornecedor novo, título duplicado. Resultado: o controller aprova um lote conferido em vez de 300 títulos um a um. O agente nunca chega perto do banco: o lote vai para aprovação no sistema, e o pagamento é feito por quem tem a senha.
Diego achou que o ganho seria tempo, e foi, de dois dias para duas horas por semana. Mas o ganho que o controller notou foi outro: o agente pegou, em três meses, quatro títulos duplicados e um fornecedor com dados bancários alterados sem registro no cadastro. Antes, isso dependia de alguém notar entre 300 títulos. Agora é uma regra que roda toda vez.
Teste-se
O controller quer que o agente, depois de conferir o lote, também execute o pagamento no banco "para ganhar mais um dia". Pela regra deste caderno, o que você responde?
Pratique agora 0/4 feito
Em cerca de 12 minutos, listar os dez processos do seu escritório ou da sua área, escolher um que não transmite nem paga, e mapeá-lo em seis elos com a linha da assinatura marcada.
É papel ou planilha sua, sem dado de cliente ou fornecedor: você escreve processos, não lançamentos. Nada muda no sistema. Se um processo parecer que termina com uma ação do agente e não com uma assinatura, marque à margem: é o sinal de que a linha está no lugar errado.
Você acabou de aplicar a segregação de funções a um agente antes de ele existir. Esse mapa entra no kit na aula 3, e a linha da assinatura vira a linha "aprovar: não pode" da matriz.
Resumo
Caderno contábil e financeiro · Aula 2
Ao fim desta aula você consegue montar o inventário de contexto do seu agente e decidir a matriz de permissões, com certificado digital, senhas e dados bancários fora do alcance e um dono com nome por linha.
O contábil tem um tipo de dado que quase nenhuma outra área tem: a chave que age em nome do cliente. Certificado digital, senha de portal do governo, senha do banco. Quem tem a chave transmite, paga e assina. Um agente com essa chave deixa de ser um assistente e vira um risco que nenhum contrato cobre. A boa notícia é a mesma da aula anterior: o agente não precisa da chave para fazer 80% do trabalho. Esta aula mostra onde o conhecimento do escritório mora, o que entra no alcance do agente e o que fica trancado.
↓ role para estudar
O inventário de contexto do curso-base, aplicado ao contábil, encontra sempre as mesmas fontes: o sistema contábil (plano de contas, lançamentos, calendário de obrigações); os documentos dos clientes (notas, extratos, folhas, no aplicativo ou no e-mail); os portais e tabelas do governo (limites de regime, alíquotas, prazos); as planilhas do escritório (lista de documentos por cliente, modelos de cobrança); e o critério, que quase sempre está na cabeça da contadora e da assistente sênior: o que é custo e o que é despesa para cada cliente, o que aceitar atrasado, qual cliente tem particularidade.
As quatro primeiras fontes costumam ser pesquisáveis. A quinta é a que separa o agente genérico do agente que parece de dentro, e é a que exige uma tarde de escrita por cliente ou por tipo. Meia página por cliente, com nome claro, na pasta do escritório. Na área financeira da empresa é igual: o critério de tolerância, os fornecedores com acordo especial e as exceções conhecidas estão com o analista que está lá há mais tempo.
Helena fez o inventário para a cobrança de documentos e chegou a doze linhas. Dez acessíveis. Duas em âmbar: "o que cada cliente costuma atrasar e como cobrar sem melindrar" (na cabeça dela) e "limites de faturamento por regime" (num e-mail de janeiro). Escreveu as duas num documento de uma página cada. A assistente nova leu e disse que era o que ela mais precisava desde que entrou.
Em setembro de 2026, um agente do contábil roda de três formas. No chat de IA com pasta de projeto, você guarda a lista de documentos esperados, o modelo de cobrança e os critérios escritos, e anexa por semana o que chegou, sem dado bancário e com clientes identificados por código. No aplicativo do escritório (os que recebem documentos dos clientes já oferecem regras de cobrança automática). E na integração com o sistema contábil pela porta de serviço, em que o agente lê pastas e calendário sozinho, montada por quem cuida do sistema.
O inventário é o que decide qual caminho cabe. Se as fontes principais estão em planilha e e-mail, o caminho um resolve e você aprende barato. Se estão no sistema contábil, pergunte ao fornecedor se ele tem porta de serviço e quem sabe abrir; isto parece técnico, mas funciona como perguntar se o sistema exporta relatório: a resposta é sim ou não, e quem constrói é outra pessoa.
Diego, na indústria, tinha tudo no sistema de gestão: títulos, pedidos, notas, cadastro de fornecedores. O fornecedor do sistema confirmou porta de serviço. O único item fora era a tolerância por fornecedor (2% padrão, 5% para dois fornecedores de frete), que estava numa planilha do controller. Virou uma coluna no cadastro de fornecedores, e o inventário fechou em sete linhas, todas verdes.
O inventário de contexto do contábil, linha a linha
Três categorias ficam fora do alcance do agente, sem "com aprovação". As chaves: certificado digital, senha de portal do governo, senha e token do banco. Quem tem a chave age em nome do cliente ou da empresa; o agente nunca tem. Os dados bancários de sócios, clientes e fornecedores, além do estritamente necessário para conferir (o agente de contas a pagar confere se o fornecedor está no cadastro aprovado, não lê a conta bancária dele). E a folha individual: salário por pessoa é dado pessoal; o agente trabalha com totais.
Há uma quarta categoria própria do escritório: o sigilo fiscal entre clientes. O agente pode conhecer sessenta clientes, mas cada mensagem, cada cálculo e cada relatório trata de um só. A restrição vai por escrito no pedido: "dados de um cliente nunca aparecem em mensagem, relatório ou cálculo de outro". Na primeira versão, vale até separar um especialista por cliente na cadeia, o que o coordenador faz sem esforço.
Helena guarda os certificados dos clientes num cofre pequeno no escritório e as senhas num gerenciador só dela. Quando desenhou a cadeia, a pergunta "o agente precisa do certificado para alguma etapa?" teve resposta não em todas: ele calcula, confere, cobra e prepara; transmitir é dela. O cofre continuou fechado, e essa foi a frase que convenceu os sócios.
As sete ações do curso-base no agente de cobrança e obrigações: ler pastas, lista, calendário e tabelas, pode; escrever status da pasta e rascunho de cálculo, pode; alterar classificação de documento, com aprovação da assistente sênior; enviar a cobrança padrão, pode, porque o texto é fixo e só lista itens faltantes; enviar qualquer outro texto, com aprovação; comprar, apagar e aprovar (transmitir, entregar, fechar), não pode. Na empresa, "aprovar lote de pagamento" é do controller e "pagar" nem existe como ferramenta para o agente.
Toda linha tem dono com nome, e toda ação fica registrada: o que conferiu, o que cobrou, com base em qual lista. Quando um cliente perguntar "por que me cobraram um extrato que eu já mandei?", a assistente abre o registro e responde em um minuto, e a resposta costuma ser "o arquivo veio com nome fora do padrão", que vira regra nova.
Na indústria de Diego, a matriz tem oito linhas e uma observação que o controller fez questão de escrever: "o agente não tem, e nunca terá, usuário no sistema do banco". Não é uma linha da matriz, é uma frase no rodapé. Mas foi ela que fez a diretoria aprovar em uma reunião, porque respondia à única pergunta que todo mundo tinha.
Erro comum
Colar no chat de IA um extrato bancário real, com nome do cliente e saldo, "só para ver se ele classifica direito". Acontece porque o extrato parece um documento comum, e não é: é dado bancário de terceiro saindo do escritório para um serviço externo. Para testar classificação, use um extrato com nome trocado, valores alterados e conta mascarada. A lógica do agente se testa igual, e o sigilo do cliente continua inteiro.
Pratique agora 0/4 feito
Em cerca de 12 minutos, montar o inventário de contexto do processo escolhido na aula 1 (cinco colunas) e a matriz de permissões (sete ações, resposta, dono), com a lista do que fica trancado.
É uma planilha sua, sem dado de cliente: você anota onde a informação está, não a informação. Nenhum sistema é tocado, nenhuma permissão é concedida. Se não souber o dono de uma linha, escreva "?" e siga; o ponto de interrogação já é um achado para levar à contadora ou ao controller.
Você acabou de escrever onde o conhecimento do seu processo mora e o que um agente pode e não pode fazer com ele, com as chaves do lado de fora. Essa planilha vira os blocos 5 e 7 do kit na próxima aula.
Resumo
Caderno contábil e financeiro · Aula 3
Ao fim desta aula você consegue montar a especificação do seu agente no Kit do Arquiteto de Agentes, a partir do preset contábil, e ensaiá-la num chat de IA com um caso fictício.
Você tem o processo com a linha da assinatura (aula 1), o inventário e a matriz (aula 2). Falta a página que a contadora ou o controller lê em oito minutos e que quem cuida do sistema consegue construir. O preset contábil do kit já traz um escritório de 60 clientes preenchido nos sete blocos, com as regras deste caderno embutidas: não criar conta nova, não transmitir, sigilo entre clientes, chaves fora. Seu trabalho é trocar o que é do seu escritório ou da sua área e ensaiar.
↓ role para estudar
O preset contábil do kit é um escritório com 60 clientes, Simples e Lucro Presumido, no processo de cobrança de documentos e conferência das obrigações do mês. As regras deste caderno já estão escritas: não criar conta nova no plano de contas (marcar como dúvida), não transmitir nem entregar nada, cobrança só com o modelo, sigilo entre clientes, chaves e dados bancários fora, e "aprovar: não pode" com a observação de que transmitir é da contadora.
O que muda de um escritório para outro é previsível: a quantidade e os regimes dos clientes, o dia-limite interno, o modelo de cobrança, o que está no sistema e o que está em planilha, quem é a assistente sênior. Na área financeira de uma empresa, o processo inteiro muda de nome (contas a pagar, conciliação), mas a matriz fica quase igual: prepara e confere, nunca paga nem aprova. O esqueleto fica; o conteúdo é seu.
Helena carregou o preset e trocou cinco coisas: 60 clientes viraram os 60 dela com os regimes reais, o dia-limite passou de 5 para 4, o modelo de cobrança foi o do escritório, o limite de chamar passou para 12 pastas incompletas (ela tem menos clientes atrasados que o exemplo), e a bateria virou quinze pastas de março com os clientes identificados por código. Diego trocou quase tudo do processo, mas a matriz saiu do preset com uma alteração: "alterar" virou "não pode", porque na indústria quem corrige título é o cadastro, não o financeiro.
No kit, o seletor "carregar exemplo por área" tem a opção contábil. Ao carregar, o campo "área" fica em contábil/financeiro, e isso liga três verificações a mais, além das gerais do curso-base: se "aprovar" estiver diferente de "não pode", aparece a lacuna "aprovar pagamento ou fechamento nunca é do agente"; se a restrição de não criar conta nova não aparecer em lugar nenhum, aparece outra; e se nenhuma condição de qualidade bater saldo com extrato ou fonte externa, uma terceira.
Isto parece uma tela cheia de campos, mas funciona como a folha de conferência do fechamento: cada campo é um item que você preenche uma vez, e depois disso o kit monta a página sozinho. Você só mexe no que é do seu escritório. Se apagar sem querer a restrição do plano de contas, a lacuna aparece embaixo da especificação antes de você entregar.
Diego, ao adaptar o preset para contas a pagar, escreveu no critério de sucesso "lote montado com todos os títulos da semana". O kit marcou: "nenhuma condição de qualidade bate saldo com extrato ou fonte externa". Ele acrescentou "soma do lote igual à soma dos títulos no sistema, e cada título com pedido e nota". Foi a condição que, meses depois, pegou o título duplicado.
Ordem de adaptação do preset contábil
No contábil, os casos difíceis da bateria seguem o calendário do mês, e vale montar a bateria com isso em mente. Dias 1 a 5: documento que chega sem CNPJ ou sem mês, cliente que manda a pasta de fevereiro em março, extrato ilegível. Dia 6: cliente com dois CNPJs na mesma pasta, cliente que mandou tudo no dia 1 (o agente não pode cobrar nada dele). Dias 7 a 15: faturamento acima do limite do regime, cliente que mudou de regime, obrigação com base de cálculo divergente. Fim do mês: cliente novo sem lista de documentos ainda.
Cada caso entra na bateria com referência (cliente por código, mês, tipo) e com o que a pessoa fez na época. Sem nome, sem CNPJ real, sem valor real se não precisar. E a bateria roda de novo a cada mudança: quando Helena mudou o dia-limite de 5 para 4, três casos passaram a se comportar diferente, e ela viu antes de o agente ver.
A bateria de Helena tem quinze casos e o mais valioso foi o número 9: cliente que mandou o extrato de duas contas num arquivo só. O agente da primeira rodada leu a primeira conta e cobrou a segunda como faltante. A regra nova, "arquivo com mais de uma conta: separar para a assistente", nasceu desse caso e entrou no bloco 6 antes de qualquer cliente real receber uma cobrança errada.
Quando você cola a especificação no chat com o prompt de ensaio do kit, o chat faz o papel do coordenador e roda um caso fictício. No contábil, três lacunas aparecem com frequência. A primeira: um documento chega fora da lista esperada, e a especificação não diz se o agente classifica, ignora ou pergunta. A segunda: a base de cálculo diverge do faturamento, e o coordenador não sabe se ajusta ou para. A terceira: dois clientes do mesmo grupo econômico, e a regra de sigilo entre clientes não diz se eles podem aparecer no mesmo relatório.
Cada uma vira uma linha nova: "documento fora da lista: perguntar antes de classificar". "Base divergente: separar, nunca ajustar". "Grupo econômico: um relatório por CNPJ, mesmo com o mesmo sócio". Rode três casos: um comum, um difícil e a exceção. Quando os três passam, a página está pronta para a contadora ou o controller aprovar e para quem cuida do sistema construir.
No ensaio de Diego, o chat, no papel de coordenador, perguntou: "o título 4471 tem pedido e nota, mas o fornecedor mudou os dados bancários no cadastro há dois dias; incluo no lote?". A especificação não tratava disso. Ele acrescentou ao bloco 6: "fornecedor com dados bancários alterados nos últimos 30 dias: separar para o controller". Dez minutos de ensaio, e a linha que meses depois pegou um caso real.
Na sua área, o primeiro processo costuma ser
Pratique agora 0/4 feito
Em cerca de 15 minutos, carregar o preset contábil no kit, adaptar ao seu escritório ou área, copiar o prompt de ensaio e rodar um caso fictício num chat de IA, recebendo a lista de lacunas.
A especificação não tem dado de cliente nem de fornecedor: tem regras, nomes de sistemas e critérios. O caso do ensaio é inventado (cliente por código, valores alterados). Nenhum agente é construído, nenhum sistema é tocado, nada é transmitido ou pago. Se o chat "transmitir" ou "pagar" algo na simulação, isso é um achado sobre a sua matriz: anote e aperte.
Passo a passo (o prompt de ensaio vem pronto do kit): 1. Abra https://inematds.github.io/kit-arquiteto-agentes/ 2. "carregar exemplo por área" → contábil. Confira que "área: contábil / financeiro" ficou marcada. 3. Adapte os sete blocos na ordem do passo 02 desta aula. Zero lacunas de contábil na lista abaixo da especificação. 4. Em "Prompt de ensaio simulado", escreva o caso fictício, por exemplo: <Cliente C-017 (fictício), Simples Nacional, mandou notas e folha até o dia 4, faltou o extrato; veio um arquivo com duas contas bancárias; faturamento do mês 48 mil reais; uma nota de fevereiro na pasta de março> 5. "copiar prompt com a especificação" → cole numa conversa nova do seu chat de IA. 6. Leia a narração: o coordenador deve parar pelo menos uma vez (arquivo com duas contas, nota de outro mês). Anote os itens de "o que faltou".
Você acabou de produzir a especificação de um agente para o seu escritório ou área, com as chaves do lado de fora e a assinatura no lugar certo, e a ensaiou antes de qualquer construção. Essa página é o que separa "vamos usar IA" de um projeto que a contadora assina.
Resumo