INEMA.CLUBPROAgentes no Contábil e no Financeiro

Caderno de profissão · Contábil e financeiro · 3 aulas

Agentes no contábil
e no financeiro

Saia com um processo do seu escritório ou da sua área financeira especificado no Kit do Arquiteto de Agentes: quem lança não aprova, o agente nunca transmite nem paga, senhas e dados bancários fora do alcance, e a conferência batendo com o extrato.

Antes de começar

Este caderno pressupõe o curso-base

Os seis elos, o pedido de longo horizonte, a cadeia, o inventário de contexto, a ficha de qualidade e a matriz de permissões estão explicados no curso Arquiteto de Trabalho com IA. Aqui eles são aplicados ao escritório contábil e à área financeira. A prática da aula 3 usa o Kit do Arquiteto de Agentes, com o preset contábil.

Caderno contábil e financeiro · Aula 1

Dez processos,
e quem lança não aprova

Ao fim desta aula você consegue listar os dez processos do seu escritório ou da sua área financeira que um agente pode executar, e mapear um deles em seis elos com a linha entre executar e aprovar escrita.

Contabilidade e financeiro têm uma vantagem sobre qualquer outra área na hora de colocar agentes: a governança já existe. Quem lança não aprova, quem paga não confere, quem assina responde. Essas regras estão em manuais de auditoria há décadas. O que falta é aplicá-las a um trabalhador que faz exatamente o que a instrução diz. Esta aula pega os processos que hoje consomem a semana de um escritório ou de um departamento financeiro e mostra onde o agente entra e onde ele para, sempre antes da assinatura.

role para estudar

01 A segregação de funções já é a matriz de permissões do agente

Auditoria chama de segregação de funções a regra de que quem executa não aprova. Num escritório contábil, a assistente lança e a contadora fecha. Numa empresa, o analista prepara o pagamento e o controller aprova. Para o agente, a regra se traduz sem tradução: ele executa (confere, classifica, prepara, cobra, calcula) e nunca aprova, nunca transmite ao governo, nunca paga, nunca fecha o mês.

Essa é a linha deste caderno. Do lado do agente, tudo que uma assistente bem treinada faz sem pedir assinatura. Do lado da pessoa, tudo que hoje exige a assinatura, o certificado digital ou a senha do banco. Não é limitação: é a mesma linha que já existe, agora escrita para alguém que não improvisa.

Helena, contadora de um escritório com 60 clientes, passa a primeira semana do mês cobrando documentos e a segunda conferindo obrigações. Quando listou o que a assistente faz sem assinatura dela, deu 80% do trabalho: conferir pastas, cobrar o que falta, calcular as guias, montar a lista de pendências. Os outros 20% (revisar o cálculo, transmitir, assinar) continuam com ela. O agente mira nos 80%.

Antes

Do dia 1 ao 6, Helena e duas assistentes abrem 60 pastas, comparam com a lista de documentos esperados, mandam e-mails de cobrança um a um e anotam numa planilha quem respondeu. Uma semana, e no dia 7 ainda faltam 15 clientes.

Depois

O agente confere as 60 pastas na madrugada do dia 2, envia a cobrança padrão do que falta, reconfere a cada chegada e, no dia 6 às 8h, entrega a lista: 44 completas, 16 com o que falta em cada uma. As assistentes ligam só para as 16.

Saldo: de uma semana de três pessoas para uma manhã de ligações, e o cálculo das obrigações começa no dia 6 em vez do dia 9.

02 Os dez processos do escritório e da área financeira

Os dez processos críticos que quase todo escritório contábil ou departamento financeiro tem: cobrança de documentos dos clientes ou das áreas; classificação de lançamentos; conciliação bancária; obrigações acessórias (guias, declarações, o que o governo pede todo mês); folha, na parte de coleta e conferência; contas a pagar; contas a receber e cobrança; relatórios gerenciais; cadastro (abertura, alteração, procurações, certificados com prazo); e dúvidas recorrentes de clientes ou de áreas.

Em todos, o agente executa a parte repetível e para antes da assinatura. Escolha o primeiro pelo critério do curso-base (repete, mais de uma pessoa, erro custa dinheiro) e por uma regra extra deste caderno: comece pelo que não transmite nem paga. Cobrança de documentos e conciliação são candidatos naturais; transmitir declaração e pagar fornecedor ficam para depois de meses de registro limpo, e talvez nunca.

Diego, analista financeiro de uma indústria com 200 funcionários, cuida de contas a pagar: 300 títulos por mês, cada um conferido contra pedido e nota antes de ir para a aprovação do controller. É o processo seis. O agente que confere título, pedido e nota e prepara o lote para aprovação é administrativo do começo ao fim. O que paga é o controller, com a senha do banco que o agente nunca vê.

03 Cobrança de documentos em seis elos

Aplicando o mapa do curso-base ao processo mais comum do escritório. Entrada: do dia 1 ao 5, documentos chegam por e-mail e pelo aplicativo do escritório; a lista do que cada cliente deve mandar já existe. Decisões de regra: cliente não mandou o extrato até o dia 5? cobrar com o modelo. Documento sem CNPJ ou sem mês? separar e pedir de novo. Decisão de julgamento: aceitar documento depois do prazo interno? Fica com a contadora.

Ação: conferir a pasta contra a lista e enviar a cobrança padrão só do que falta. Verificação: nenhuma cobrança cita item que já chegou; o nome do cliente e o prazo estão certos. Exceção: cliente com dois CNPJs na mesma pasta, documento ilegível pela segunda vez, cliente que mudou de regime no mês. Resultado: no dia 6, a contadora sabe quais pastas estão completas e o que falta em cada uma. A restrição que não pode faltar: dado de um cliente nunca aparece na mensagem de outro.

Na primeira rodada de Helena, o agente cobrou de um cliente um extrato que já estava na pasta, com o nome do arquivo diferente do esperado. A verificação "nenhuma cobrança cita item que já chegou" não pegou porque o agente não reconheceu o arquivo. A regra nova: documento com nome fora do padrão vai para a lista de dúvidas, não para a cobrança. Uma linha, e o problema não voltou.

O agente do contábil chega até a porta da assinatura e para. Tudo que vem antes dela é dele; a assinatura, o certificado e a senha são da pessoa.

04 Contas a pagar na empresa: o mesmo mapa, outra assinatura

Na área financeira de uma empresa, o processo muda de nome e mantém a estrutura. Entrada: títulos a vencer nos próximos 7 dias, do sistema de gestão. Decisões de regra: título tem pedido de compra e nota correspondentes? Valor bate com o pedido dentro da tolerância (2%)? Fornecedor está no cadastro aprovado? Julgamento: pagar antecipado com desconto? Fica com o controller. Ação: montar o lote de pagamento com os títulos que passaram, e a lista dos que não passaram com o motivo.

Verificação: soma do lote bate com a soma dos títulos; nenhum fornecedor fora do cadastro; nenhuma divergência acima da tolerância no lote. Exceção: divergência acima de 2%, fornecedor novo, título duplicado. Resultado: o controller aprova um lote conferido em vez de 300 títulos um a um. O agente nunca chega perto do banco: o lote vai para aprovação no sistema, e o pagamento é feito por quem tem a senha.

Diego achou que o ganho seria tempo, e foi, de dois dias para duas horas por semana. Mas o ganho que o controller notou foi outro: o agente pegou, em três meses, quatro títulos duplicados e um fornecedor com dados bancários alterados sem registro no cadastro. Antes, isso dependia de alguém notar entre 300 títulos. Agora é uma regra que roda toda vez.

Teste-se

O controller quer que o agente, depois de conferir o lote, também execute o pagamento no banco "para ganhar mais um dia". Pela regra deste caderno, o que você responde?

Pratique agora 0/4 feito

Escolha o processo e escreva onde a assinatura mora

Em cerca de 12 minutos, listar os dez processos do seu escritório ou da sua área, escolher um que não transmite nem paga, e mapeá-lo em seis elos com a linha da assinatura marcada.

É papel ou planilha sua, sem dado de cliente ou fornecedor: você escreve processos, não lançamentos. Nada muda no sistema. Se um processo parecer que termina com uma ação do agente e não com uma assinatura, marque à margem: é o sinal de que a linha está no lugar errado.

Você acabou de aplicar a segregação de funções a um agente antes de ele existir. Esse mapa entra no kit na aula 3, e a linha da assinatura vira a linha "aprovar: não pode" da matriz.

Resumo

  • A segregação de funções que a auditoria já exige vira a matriz do agente sem tradução: ele executa tudo que se faz sem assinatura e nunca transmite, paga, fecha ou assina.
  • Os dez processos do escritório e da área financeira cabem nessa linha. Comece pelo que não transmite nem paga: cobrança de documentos e conciliação.
  • Na cobrança de documentos, a verificação impede cobrar o que já chegou, e a restrição fixa é que dado de um cliente nunca aparece para outro.
  • Nas contas a pagar, o agente monta o lote conferido e o controller aprova. O pagamento é de quem tem a senha do banco, e a senha nunca entra no alcance do agente.

Seu próximo passo

Você acabou de traçar, num processo real, a linha entre o que um agente executa e o que só a assinatura resolve.

Nos próximos 15 minutos, pergunte a quem assina hoje (a contadora, o controller): "de tudo que chega para você assinar, o que você preferia que já viesse conferido?". A resposta é a primeira linha da sua ficha de qualidade.

Na próxima aula você monta o inventário de contexto do escritório ou da área e decide a matriz de permissões, com certificado, senhas e dados bancários do lado de fora.

Caderno contábil e financeiro · Aula 2

Sigilo fiscal, certificados
e a matriz de permissões

Ao fim desta aula você consegue montar o inventário de contexto do seu agente e decidir a matriz de permissões, com certificado digital, senhas e dados bancários fora do alcance e um dono com nome por linha.

O contábil tem um tipo de dado que quase nenhuma outra área tem: a chave que age em nome do cliente. Certificado digital, senha de portal do governo, senha do banco. Quem tem a chave transmite, paga e assina. Um agente com essa chave deixa de ser um assistente e vira um risco que nenhum contrato cobre. A boa notícia é a mesma da aula anterior: o agente não precisa da chave para fazer 80% do trabalho. Esta aula mostra onde o conhecimento do escritório mora, o que entra no alcance do agente e o que fica trancado.

role para estudar

01 O conhecimento do escritório mora em cinco lugares, e um deles é a cabeça de alguém

O inventário de contexto do curso-base, aplicado ao contábil, encontra sempre as mesmas fontes: o sistema contábil (plano de contas, lançamentos, calendário de obrigações); os documentos dos clientes (notas, extratos, folhas, no aplicativo ou no e-mail); os portais e tabelas do governo (limites de regime, alíquotas, prazos); as planilhas do escritório (lista de documentos por cliente, modelos de cobrança); e o critério, que quase sempre está na cabeça da contadora e da assistente sênior: o que é custo e o que é despesa para cada cliente, o que aceitar atrasado, qual cliente tem particularidade.

As quatro primeiras fontes costumam ser pesquisáveis. A quinta é a que separa o agente genérico do agente que parece de dentro, e é a que exige uma tarde de escrita por cliente ou por tipo. Meia página por cliente, com nome claro, na pasta do escritório. Na área financeira da empresa é igual: o critério de tolerância, os fornecedores com acordo especial e as exceções conhecidas estão com o analista que está lá há mais tempo.

Helena fez o inventário para a cobrança de documentos e chegou a doze linhas. Dez acessíveis. Duas em âmbar: "o que cada cliente costuma atrasar e como cobrar sem melindrar" (na cabeça dela) e "limites de faturamento por regime" (num e-mail de janeiro). Escreveu as duas num documento de uma página cada. A assistente nova leu e disse que era o que ela mais precisava desde que entrou.

02 Onde o agente roda hoje, e o inventário que decide isso

Em setembro de 2026, um agente do contábil roda de três formas. No chat de IA com pasta de projeto, você guarda a lista de documentos esperados, o modelo de cobrança e os critérios escritos, e anexa por semana o que chegou, sem dado bancário e com clientes identificados por código. No aplicativo do escritório (os que recebem documentos dos clientes já oferecem regras de cobrança automática). E na integração com o sistema contábil pela porta de serviço, em que o agente lê pastas e calendário sozinho, montada por quem cuida do sistema.

O inventário é o que decide qual caminho cabe. Se as fontes principais estão em planilha e e-mail, o caminho um resolve e você aprende barato. Se estão no sistema contábil, pergunte ao fornecedor se ele tem porta de serviço e quem sabe abrir; isto parece técnico, mas funciona como perguntar se o sistema exporta relatório: a resposta é sim ou não, e quem constrói é outra pessoa.

Diego, na indústria, tinha tudo no sistema de gestão: títulos, pedidos, notas, cadastro de fornecedores. O fornecedor do sistema confirmou porta de serviço. O único item fora era a tolerância por fornecedor (2% padrão, 5% para dois fornecedores de frete), que estava numa planilha do controller. Virou uma coluna no cadastro de fornecedores, e o inventário fechou em sete linhas, todas verdes.

O inventário de contexto do contábil, linha a linha

  1. Plano de contas e calendário de obrigações: sistema contábil; dono: contadora.
  2. Lista de documentos esperados por cliente: planilha do escritório; dono: contadora.
  3. Documentos que chegam: aplicativo ou e-mail; formato variado, o agente lê; dono: assistente.
  4. Limites, alíquotas e prazos do governo: tabela atualizada com data; dono: contadora.
  5. Critério por cliente (custo × despesa, o que aceitar atrasado): na cabeça, a escrever; dono: contadora.
  6. Na empresa: tolerância por fornecedor e acordos especiais: planilha do controller, a virar coluna do cadastro; dono: controller.

03 O que fica trancado: chaves, dados bancários e a folha individual

Três categorias ficam fora do alcance do agente, sem "com aprovação". As chaves: certificado digital, senha de portal do governo, senha e token do banco. Quem tem a chave age em nome do cliente ou da empresa; o agente nunca tem. Os dados bancários de sócios, clientes e fornecedores, além do estritamente necessário para conferir (o agente de contas a pagar confere se o fornecedor está no cadastro aprovado, não lê a conta bancária dele). E a folha individual: salário por pessoa é dado pessoal; o agente trabalha com totais.

Há uma quarta categoria própria do escritório: o sigilo fiscal entre clientes. O agente pode conhecer sessenta clientes, mas cada mensagem, cada cálculo e cada relatório trata de um só. A restrição vai por escrito no pedido: "dados de um cliente nunca aparecem em mensagem, relatório ou cálculo de outro". Na primeira versão, vale até separar um especialista por cliente na cadeia, o que o coordenador faz sem esforço.

Helena guarda os certificados dos clientes num cofre pequeno no escritório e as senhas num gerenciador só dela. Quando desenhou a cadeia, a pergunta "o agente precisa do certificado para alguma etapa?" teve resposta não em todas: ele calcula, confere, cobra e prepara; transmitir é dela. O cofre continuou fechado, e essa foi a frase que convenceu os sócios.

04 A matriz do contábil e os dois erros que a derrubam

As sete ações do curso-base no agente de cobrança e obrigações: ler pastas, lista, calendário e tabelas, pode; escrever status da pasta e rascunho de cálculo, pode; alterar classificação de documento, com aprovação da assistente sênior; enviar a cobrança padrão, pode, porque o texto é fixo e só lista itens faltantes; enviar qualquer outro texto, com aprovação; comprar, apagar e aprovar (transmitir, entregar, fechar), não pode. Na empresa, "aprovar lote de pagamento" é do controller e "pagar" nem existe como ferramenta para o agente.

Toda linha tem dono com nome, e toda ação fica registrada: o que conferiu, o que cobrou, com base em qual lista. Quando um cliente perguntar "por que me cobraram um extrato que eu já mandei?", a assistente abre o registro e responde em um minuto, e a resposta costuma ser "o arquivo veio com nome fora do padrão", que vira regra nova.

Na indústria de Diego, a matriz tem oito linhas e uma observação que o controller fez questão de escrever: "o agente não tem, e nunca terá, usuário no sistema do banco". Não é uma linha da matriz, é uma frase no rodapé. Mas foi ela que fez a diretoria aprovar em uma reunião, porque respondia à única pergunta que todo mundo tinha.

Erro comum

Colar no chat de IA um extrato bancário real, com nome do cliente e saldo, "só para ver se ele classifica direito". Acontece porque o extrato parece um documento comum, e não é: é dado bancário de terceiro saindo do escritório para um serviço externo. Para testar classificação, use um extrato com nome trocado, valores alterados e conta mascarada. A lógica do agente se testa igual, e o sigilo do cliente continua inteiro.

Pratique agora 0/4 feito

Inventário e matriz do seu agente, em uma planilha

Em cerca de 12 minutos, montar o inventário de contexto do processo escolhido na aula 1 (cinco colunas) e a matriz de permissões (sete ações, resposta, dono), com a lista do que fica trancado.

É uma planilha sua, sem dado de cliente: você anota onde a informação está, não a informação. Nenhum sistema é tocado, nenhuma permissão é concedida. Se não souber o dono de uma linha, escreva "?" e siga; o ponto de interrogação já é um achado para levar à contadora ou ao controller.

Você acabou de escrever onde o conhecimento do seu processo mora e o que um agente pode e não pode fazer com ele, com as chaves do lado de fora. Essa planilha vira os blocos 5 e 7 do kit na próxima aula.

Resumo

  • O contexto do contábil mora em cinco lugares. Quatro são pesquisáveis; o quinto, o critério por cliente, está na cabeça de alguém e exige uma tarde de escrita.
  • O inventário decide onde o agente roda: chat com pasta de projeto para aprender barato, aplicativo do escritório, ou porta de serviço do sistema contábil para crescer.
  • Ficam trancados: certificado, senhas, dados bancários além do cadastro aprovado e folha individual. E o sigilo entre clientes é restrição escrita no pedido.
  • A matriz segue a escada do curso-base; enviar a cobrança padrão pode porque o texto é fixo. Transmitir, pagar e fechar não existem para o agente, e uma frase no rodapé diz isso para a diretoria.

Seu próximo passo

Você acabou de mapear onde o conhecimento do seu processo mora e de decidir o que o agente pode fazer com ele, com as chaves do lado de fora.

Nos próximos 15 minutos, escreva a primeira linha em âmbar do inventário num documento de meia página, com nome claro, e salve na pasta do escritório ou da área. A assistente nova é quem mais vai usar.

Na última aula você monta tudo no Kit do Arquiteto de Agentes, a partir do preset contábil, e ensaia o agente com um caso fictício num chat de IA.

Caderno contábil e financeiro · Aula 3

Sua especificação no kit:
cobrança de documentos e obrigações

Ao fim desta aula você consegue montar a especificação do seu agente no Kit do Arquiteto de Agentes, a partir do preset contábil, e ensaiá-la num chat de IA com um caso fictício.

Você tem o processo com a linha da assinatura (aula 1), o inventário e a matriz (aula 2). Falta a página que a contadora ou o controller lê em oito minutos e que quem cuida do sistema consegue construir. O preset contábil do kit já traz um escritório de 60 clientes preenchido nos sete blocos, com as regras deste caderno embutidas: não criar conta nova, não transmitir, sigilo entre clientes, chaves fora. Seu trabalho é trocar o que é do seu escritório ou da sua área e ensaiar.

role para estudar

01 O caso que o preset traz, e o que muda de escritório para escritório

O preset contábil do kit é um escritório com 60 clientes, Simples e Lucro Presumido, no processo de cobrança de documentos e conferência das obrigações do mês. As regras deste caderno já estão escritas: não criar conta nova no plano de contas (marcar como dúvida), não transmitir nem entregar nada, cobrança só com o modelo, sigilo entre clientes, chaves e dados bancários fora, e "aprovar: não pode" com a observação de que transmitir é da contadora.

O que muda de um escritório para outro é previsível: a quantidade e os regimes dos clientes, o dia-limite interno, o modelo de cobrança, o que está no sistema e o que está em planilha, quem é a assistente sênior. Na área financeira de uma empresa, o processo inteiro muda de nome (contas a pagar, conciliação), mas a matriz fica quase igual: prepara e confere, nunca paga nem aprova. O esqueleto fica; o conteúdo é seu.

Helena carregou o preset e trocou cinco coisas: 60 clientes viraram os 60 dela com os regimes reais, o dia-limite passou de 5 para 4, o modelo de cobrança foi o do escritório, o limite de chamar passou para 12 pastas incompletas (ela tem menos clientes atrasados que o exemplo), e a bateria virou quinze pastas de março com os clientes identificados por código. Diego trocou quase tudo do processo, mas a matriz saiu do preset com uma alteração: "alterar" virou "não pode", porque na indústria quem corrige título é o cadastro, não o financeiro.

02 Carregar o preset e marcar a área liga as regras do contábil

No kit, o seletor "carregar exemplo por área" tem a opção contábil. Ao carregar, o campo "área" fica em contábil/financeiro, e isso liga três verificações a mais, além das gerais do curso-base: se "aprovar" estiver diferente de "não pode", aparece a lacuna "aprovar pagamento ou fechamento nunca é do agente"; se a restrição de não criar conta nova não aparecer em lugar nenhum, aparece outra; e se nenhuma condição de qualidade bater saldo com extrato ou fonte externa, uma terceira.

Isto parece uma tela cheia de campos, mas funciona como a folha de conferência do fechamento: cada campo é um item que você preenche uma vez, e depois disso o kit monta a página sozinho. Você só mexe no que é do seu escritório. Se apagar sem querer a restrição do plano de contas, a lacuna aparece embaixo da especificação antes de você entregar.

Diego, ao adaptar o preset para contas a pagar, escreveu no critério de sucesso "lote montado com todos os títulos da semana". O kit marcou: "nenhuma condição de qualidade bate saldo com extrato ou fonte externa". Ele acrescentou "soma do lote igual à soma dos títulos no sistema, e cada título com pedido e nota". Foi a condição que, meses depois, pegou o título duplicado.

Ordem de adaptação do preset contábil

  1. Bloco 1: nome do escritório ou da área, resultado na sua frase (o que a contadora ou o controller sabe, e em que dia), quem participa hoje.
  2. Blocos 2 e 3: seus limites (dia-limite, tolerância, teto de valor) nas decisões; regimes, modelo de cobrança e sistemas no contexto. Não apague "não crie conta nova" nem "sigilo entre clientes".
  3. Blocos 4 e 5: sistemas reais com porta de serviço (sim, não, ?) e o inventário da aula 2, com os donos.
  4. Bloco 6: seus valores de parar e chamar; bateria de 10 a 20 casos com clientes por código, incluindo 3 difíceis (dois CNPJs, mudança de regime, documento de outro mês).
  5. Bloco 7: nomes das pessoas; "aprovar: não pode" e a lista de chaves fora não se mexem na primeira versão.
  6. Lacunas: leia a lista abaixo da especificação; zero lacunas de contábil antes de ensaiar.

03 A bateria de casos do contábil tem um calendário

No contábil, os casos difíceis da bateria seguem o calendário do mês, e vale montar a bateria com isso em mente. Dias 1 a 5: documento que chega sem CNPJ ou sem mês, cliente que manda a pasta de fevereiro em março, extrato ilegível. Dia 6: cliente com dois CNPJs na mesma pasta, cliente que mandou tudo no dia 1 (o agente não pode cobrar nada dele). Dias 7 a 15: faturamento acima do limite do regime, cliente que mudou de regime, obrigação com base de cálculo divergente. Fim do mês: cliente novo sem lista de documentos ainda.

Cada caso entra na bateria com referência (cliente por código, mês, tipo) e com o que a pessoa fez na época. Sem nome, sem CNPJ real, sem valor real se não precisar. E a bateria roda de novo a cada mudança: quando Helena mudou o dia-limite de 5 para 4, três casos passaram a se comportar diferente, e ela viu antes de o agente ver.

A bateria de Helena tem quinze casos e o mais valioso foi o número 9: cliente que mandou o extrato de duas contas num arquivo só. O agente da primeira rodada leu a primeira conta e cobrou a segunda como faltante. A regra nova, "arquivo com mais de uma conta: separar para a assistente", nasceu desse caso e entrou no bloco 6 antes de qualquer cliente real receber uma cobrança errada.

04 O que o ensaio simulado costuma revelar no contábil

Quando você cola a especificação no chat com o prompt de ensaio do kit, o chat faz o papel do coordenador e roda um caso fictício. No contábil, três lacunas aparecem com frequência. A primeira: um documento chega fora da lista esperada, e a especificação não diz se o agente classifica, ignora ou pergunta. A segunda: a base de cálculo diverge do faturamento, e o coordenador não sabe se ajusta ou para. A terceira: dois clientes do mesmo grupo econômico, e a regra de sigilo entre clientes não diz se eles podem aparecer no mesmo relatório.

Cada uma vira uma linha nova: "documento fora da lista: perguntar antes de classificar". "Base divergente: separar, nunca ajustar". "Grupo econômico: um relatório por CNPJ, mesmo com o mesmo sócio". Rode três casos: um comum, um difícil e a exceção. Quando os três passam, a página está pronta para a contadora ou o controller aprovar e para quem cuida do sistema construir.

No ensaio de Diego, o chat, no papel de coordenador, perguntou: "o título 4471 tem pedido e nota, mas o fornecedor mudou os dados bancários no cadastro há dois dias; incluo no lote?". A especificação não tratava disso. Ele acrescentou ao bloco 6: "fornecedor com dados bancários alterados nos últimos 30 dias: separar para o controller". Dez minutos de ensaio, e a linha que meses depois pegou um caso real.

Na sua área, o primeiro processo costuma ser

  • Contadora de escritório: cobrança de documentos e conferência das obrigações, o que o preset já traz. Segundo processo: classificação de lançamentos com o critério por cliente escrito.
  • Analista financeiro de empresa: conferência de contas a pagar até o lote para aprovação; depois, conciliação bancária com o extrato batendo com o sistema.
  • Controller: relatório gerencial mensal montado pelo agente a partir do sistema, com as divergências marcadas, e a assinatura continuando dele.

Pratique agora 0/4 feito

Monte a especificação do seu agente no kit e ensaie

Em cerca de 15 minutos, carregar o preset contábil no kit, adaptar ao seu escritório ou área, copiar o prompt de ensaio e rodar um caso fictício num chat de IA, recebendo a lista de lacunas.

A especificação não tem dado de cliente nem de fornecedor: tem regras, nomes de sistemas e critérios. O caso do ensaio é inventado (cliente por código, valores alterados). Nenhum agente é construído, nenhum sistema é tocado, nada é transmitido ou pago. Se o chat "transmitir" ou "pagar" algo na simulação, isso é um achado sobre a sua matriz: anote e aperte.

Passo a passo (o prompt de ensaio vem pronto do kit):

1. Abra https://inematds.github.io/kit-arquiteto-agentes/
2. "carregar exemplo por área" → contábil. Confira que "área: contábil / financeiro" ficou marcada.
3. Adapte os sete blocos na ordem do passo 02 desta aula. Zero lacunas de contábil na lista abaixo da especificação.
4. Em "Prompt de ensaio simulado", escreva o caso fictício, por exemplo:
   <Cliente C-017 (fictício), Simples Nacional, mandou notas e folha até o dia 4, faltou o extrato; veio um arquivo com duas contas bancárias; faturamento do mês 48 mil reais; uma nota de fevereiro na pasta de março>
5. "copiar prompt com a especificação" → cole numa conversa nova do seu chat de IA.
6. Leia a narração: o coordenador deve parar pelo menos uma vez (arquivo com duas contas, nota de outro mês). Anote os itens de "o que faltou".

Você acabou de produzir a especificação de um agente para o seu escritório ou área, com as chaves do lado de fora e a assinatura no lugar certo, e a ensaiou antes de qualquer construção. Essa página é o que separa "vamos usar IA" de um projeto que a contadora assina.

Resumo

  • O preset contábil traz um escritório de 60 clientes nos sete blocos, com as regras do caderno embutidas. Você troca clientes, dia-limite, modelo, sistemas, donos e bateria; não troca conta nova, transmitir, sigilo e chaves sem meses de registro limpo.
  • Marcar "área: contábil" liga três verificações a mais no kit, que acendem lacunas antes de você entregar a página.
  • A bateria do contábil segue o calendário do mês, e os casos difíceis se concentram no dia 6 e na segunda semana. Ela roda de novo a cada mudança de limite.
  • O ensaio costuma revelar documento fora da lista, base divergente e grupo econômico. Cada resposta vira uma linha nova, e a que parece pequena é a que pega o caso real meses depois.

Seu próximo passo

Você acabou de especificar e ensaiar o agente do seu escritório ou da sua área, com as chaves do lado de fora e a assinatura no lugar certo.

Nos próximos 15 minutos, mande o .md para quem assina, com uma frase: "isto o agente confere e prepara, isto ele nunca acessa, isto ele não pode fazer, e este é o responsável por cada linha". Peça oito minutos e uma pergunta.

O segundo processo dos dez (classificação, conciliação, contas a receber) começa pela aula 1 deste caderno, com o mesmo kit e a mesma matriz. Vai levar metade do tempo.