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MÓDULO 4.1

📊 O plano de ablação A/B/C

Você cortou. Agora prove. Este módulo transforma a sua opinião sobre o corte em evidência: três versões da config, tarefas reais do seu trabalho, nove dimensões medidas do mesmo jeito nas três. Sem esse teste, cortar é palpite — e devolver instrução também.

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Tópicos
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Avançado
Nível
Prático
Tipo
Progresso deste módulo
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🧪 Monte as três versões

Ablação é um termo emprestado da pesquisa: remover uma parte do sistema para medir o que ela realmente contribuía. Aqui a parte removida são instruções da sua config. E medir exige pelo menos duas configurações rodando a mesma coisa — na prática, três: A, B e C.

A é a sua config atual, intacta — a linha de base (o ponto de comparação honesto, aquilo que você tem hoje e não pode piorar sem perceber). B é a versão simplificada, com cerca de 50% menos instruções: você manteve o que parecia essencial e cortou o resto. C é a versão mínima: contexto essencial + objetivo + guardrails + critérios de qualidade + verificação. Nada além disso.

A — config atualB — 50% menosC — mínima tudo que existe hojemetade das instruções contexto + objetivo +guardrails + critérios + verificação as MESMAS 5 tarefas reais atravessam A, B e C o que muda entre as colunas é só a config — a tarefa é idêntica nas três

O que olhar: as colunas encolhem da esquerda para a direita, mas as faixas cianas atravessam as três com o mesmo comprimento. É esse detalhe que faz o teste valer: a variável que muda é uma só (a config). Se você também trocar a tarefa, o modelo ou o prompt de entrada, o resultado não diz mais nada sobre o corte.

✓ O que ENTRA na versão C

  • Contexto essencial — identidade do projeto, caminhos, fontes de verdade, convenções internas. O modelo não infere isso.
  • Objetivo — o resultado que deve ser produzido, em uma frase.
  • Guardrails — os limites inegociáveis: segurança, compliance, o que nunca pode ser tocado.
  • Critérios de qualidade — o que caracteriza "ficou bom".
  • Verificação — como o modelo confere o próprio trabalho antes de encerrar.

✗ O que FICA DE FORA da versão C

  • Passo a passo de execução ("primeiro faça X, depois Y, então Z").
  • Regra repetida em três lugares diferentes.
  • Correção de comportamento de um modelo que não roda mais.
  • Exemplos em excesso e formatação rígida sem motivo declarado.
  • Instruções que ensinam o modelo a pensar em vez de dizer o que entregar.

💡 C não é "config vazia"

O erro mais comum ao montar C é confundir mínima com nenhuma. Se você apagar o caminho do repositório, o nome do domínio, a conta de git, o formato do arquivo de saída — o modelo não tem como adivinhar. Isso não é peso morto, é contexto que só existe na sua cabeça e nos seus arquivos. C corta instruções de execução; C preserva contexto que o modelo não consegue inferir.

Conceitos-chave

Ablação

Remover para medir impacto

Linha de base

A é o ponto de comparação

Versão C

Contexto + objetivo + guardrails + critérios + verificação

Mínima ≠ vazia

Contexto não-inferível fica

2

🎯 Escolha 5 a 10 tarefas reais

Tarefa real é tarefa que você já fez ou vai fazer de qualquer jeito nesta semana: publicar um post, refatorar um módulo, gerar um relatório, montar uma página. Tarefa hipotética — "peça pro modelo escrever uma função de fibonacci" — não testa nada da sua config, porque a sua config não foi escrita para fibonacci.

Cinco tarefas é o mínimo para o resultado não ser sorte; dez é o teto prático antes de a rodada virar um projeto em si. O conjunto precisa ser representativo: se 70% do seu trabalho é escrever conteúdo e 30% é mexer em código, a grade deve refletir mais ou menos essa proporção.

✓ Uma boa grade de tarefas tem

  • Cobertura dos tipos de trabalho que você faz de verdade
  • Pelo menos uma tarefa em que a config atual claramente ajuda — sem ela, o teste já nasce torcendo pelo corte
  • Pelo menos uma tarefa difícil, um pouco acima do que você acha que o modelo aguenta
  • Entradas concretas: os arquivos, os links, os dados reais que a tarefa usa

✗ Sinais de uma grade enviesada

  • Todas as tarefas são fáceis — qualquer versão passa, o teste não separa nada
  • Nenhuma toca as regras que você quer manter
  • Você escolheu as tarefas depois de já ter decidido cortar
  • São todas do mesmo tipo (só código, só texto)

⚠️ Alerta: o viés da tarefa de brinquedo

Viés aqui é qualquer escolha de teste que empurra o resultado para o lado que você já preferia. Testar com tarefa de brinquedo é a forma mais comum e mais silenciosa de "provar" aquilo em que você já queria acreditar: numa tarefa trivial, A, B e C empatam sempre — e o empate parece uma licença para cortar tudo.

O antídoto é escolher as tarefas antes de montar B e C, e incluir de propósito uma em que você aposta que a config atual faz diferença. Se ela empatar mesmo assim, aí você aprendeu algo.

Conceitos-chave

5 a 10 tarefas

Mínimo contra sorte

Representativa

Espelha o seu trabalho real

Viés

Teste que já sabe o que quer provar

Tarefa difícil

É onde as versões se separam

3

📏 Meça as nove dimensões

"Ficou melhor" não é medida. Nove dimensões cobrem o que importa, e cada uma tem uma forma simples de pontuar: escala de 1 a 5 quando o julgamento é inevitável, contagem objetiva sempre que der. Contagem é sempre preferível — "3 correções" não admite discussão; "qualidade 4" admite.

Três dessas dimensões costumam ser ignoradas e são justamente as que revelam config inchada: autonomia (quanto o modelo avança sozinho antes de parar para perguntar), aderência (se ele respeitou as regras que você quis manter — não todas as regras que existiam) e a capacidade de verificar o próprio trabalho.

Dimensão O que é Como pontuar
QualidadeO resultado atende os critérios que você definiu1–5 (1 = refaria do zero, 5 = entregaria como está)
AderênciaRespeitou as regras que você quis manterContagem: quantas das N regras-alvo foram cumpridas
AutonomiaQuanto avançou sem pedir socorroContagem: nº de perguntas/interrupções ao humano
Correções humanasQuantas vezes você teve de intervir e corrigirContagem direta (0, 1, 2, …)
ConsistênciaMesma tarefa, duas rodadas: dá o mesmo tipo de resultado?Igual / parecido / diferente — rode a tarefa 2×
TempoDo envio até a entrega utilizávelMinutos, no relógio
Uso desnecessário de ferramentasBuscas, leituras e comandos que não serviram para nadaContagem de chamadas descartáveis
ComplexidadeTamanho da config que produziu aquiloNº de linhas / nº de regras da versão
AutoverificaçãoEle conferiu o próprio trabalho antes de encerrar?Não / conferiu superficial / conferiu com evidência

📊 A função-objetivo, em uma linha

Você não está buscando a config mais curta. Está buscando o maior valor de (qualidade + autonomia + verificabilidade) ÷ complexidade.

Por isso complexidade entra na tabela como uma dimensão medida, e não como um objetivo à parte: cortar 200 linhas e perder autonomia é um péssimo negócio; cortar 200 linhas mantendo tudo igual é lucro puro de contexto.

Conceitos-chave

Aderência

Cumpriu as regras-alvo

Autonomia

Menos interrupções = melhor

Contagem > nota

Objetivo sempre que der

Autoverificação

A dimensão mais esquecida

4

📝 Registre sem se enganar

Três coisas ficam congeladas em toda rodada: mesma tarefa, mesmo modelo, mesmo prompt de entrada. Só a config muda. Comparar o A de ontem, no modelo antigo, com o C de hoje numa tarefa parecida não é ablação — é anedota.

E há uma regra que separa quem mede de quem se convence: escreva antes de olhar a resposta o que seria "bom". Se você define o critério depois de ler a saída, seu cérebro ajusta o critério à saída — você vai achar ótimo o que veio e não vai perceber que mudou a régua. Anote a régua primeiro, depois rode.

✓ Protocolo honesto

  • Escrever o "o que seria bom" na grade antes de rodar
  • Rodar A, B e C na mesma sessão de trabalho, no mesmo dia
  • Preencher a linha da grade logo após cada rodada, não no fim do dia
  • Guardar o link/arquivo da saída de cada rodada, para reler depois

✗ Como você se engana

  • Comparar A de ontem com C de hoje, em tarefas diferentes
  • Trocar de modelo no meio da rodada
  • Reescrever o prompt de entrada "só um pouquinho" na versão C
  • Julgar a qualidade de memória, dois dias depois, sem anotação

📋 Copie: a grade de registro

Objetivo: criar o arquivo ablacao-grade.md ao lado do seu ablacao-diario.md (do módulo 1.2). Uma tabela por tarefa, três linhas por tabela — A, B e C.

# Grade de ablação A/B/C

Modelo usado: <nome do modelo>      Data: <aaaa-mm-dd>
Regras-alvo (para aderência): <liste as N regras que você quer manter>

## Tarefa 1 — <sua tarefa aqui>
Prompt de entrada (idêntico nas 3): <cole o prompt>
O que seria BOM (escrito ANTES de rodar): <seu critério aqui>

| Versão | Qualid. 1-5 | Aderência n/N | Autonomia (interrupções) | Correções | Consistência | Tempo (min) | Ferram. inúteis | Complexidade (linhas) | Autoverificação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| A (atual)      |   |   |   |   |   |   |   |   |   |
| B (50% menos)  |   |   |   |   |   |   |   |   |   |
| C (mínima)     |   |   |   |   |   |   |   |   |   |

Observações (o que quebrou, em qual versão, com trecho):
- <anote aqui>

## Tarefa 2 — <sua tarefa aqui>
(repita o bloco acima)

Como verificar: a linha "O que seria BOM" está preenchida antes de qualquer célula da tabela. Se você preencheu a tabela primeiro e o critério depois, apague o critério e refaça a tarefa — o registro está contaminado.

💡 Consistência custa uma rodada extra

A dimensão "consistência" exige rodar a mesma tarefa duas vezes na mesma versão. Faça isso pelo menos na versão C e na tarefa difícil — é ali que a instabilidade aparece. Nas outras células, se faltar tempo, marque "não medido" em vez de chutar. Célula vazia é honesta; célula chutada estraga a leitura.

Conceitos-chave

Três congelados

Tarefa, modelo, prompt

Régua primeiro

Critério antes da resposta

ablacao-grade.md

Onde o teste vira registro

Não medido

Melhor que chutado

5

⚖️ Leia o resultado e decida

A leitura da grade tem três desfechos, e só três. Onde C empatou com A, as instruções que estavam em A e sumiram em C eram peso morto: ficam fora, definitivamente. Onde C piorou uma única vez, isso não conta — uma rodada ruim é ruído, e devolver instrução por causa dela é como reescrever a config toda vez que o modelo boceja.

Onde C piorou de forma repetida, aí sim entra a regra de reintrodução. E há um quarto caso que aparece com frequência e surpreende: B ganhando de A e de C. Quando isso acontece, você achou o ponto ótimo — normalmente é ali que a config fica.

C empatou com A?olhe a linha da grade SIM → era peso mortofica fora, definitivamente NÃO → piorou repetido?a MESMA classe de falha, 2×+ Uma vez só → foi ruídonão conta, mantenha C Repetiu → devolva a instruçãona forma mais curta que resolve aquela falha só o caminho de baixo, com falha repetida, autoriza devolver instrução

O que olhar: há quatro saídas possíveis e apenas uma devolve instrução para a config. Repare que "C piorou" sozinho não é uma saída — ele precisa passar pelo segundo losango. Esse desenho existe para você resistir ao impulso de reescrever a config na primeira frustração.

1

Houve falha real

Não "ficou meio esquisito": algo que você teve de corrigir, ou que quebrou um critério que estava escrito antes de rodar. Falha registrada na grade, com trecho.

2

A mesma classe de falha se repetiu

Duas ocorrências do mesmo tipo — não dois erros diferentes. "Esqueceu de rodar o teste" duas vezes é classe repetida; "esqueceu o teste" e "usou o autor errado" são duas classes de uma ocorrência cada.

3

Está claro que uma instrução específica resolve

Se você não consegue escrever a frase que teria evitado a falha, o problema não é falta de instrução — talvez seja falta de skill (procedimento) ou de contexto que o modelo não alcança.

4

Ela cabe na forma mais curta possível

Uma frase, um critério, uma verificação. Se a instrução que voltou tem oito passos, você não devolveu uma regra — devolveu o microgerenciamento que tinha acabado de cortar.

📊 Quando B vence, B fica

Se B empata com A em qualidade e aderência, mas ganha em autonomia e complexidade — e C perde em duas tarefas repetidamente — a resposta não é forçar C. É adotar B como nova linha de base e rodar a próxima ablação a partir dela em seis meses. Ablação é iterativa: o C de hoje é o A da próxima rodada.

Conceitos-chave

Empate = corte

Era peso morto

Uma vez = ruído

Não devolve nada

4 condições

Regra de reintrodução

B vencedor

O ponto ótimo comum

6

🔁 Transforme falhas em evals

Um eval é um caso de teste para modelo: uma tarefa concreta com um critério de acerto que você consegue conferir. Toda falha que apareceu na sua grade já é um eval pronto — basta escrever "esta tarefa, este critério, o modelo falhava aqui" e guardar.

Evals também envelhecem: eles sobrevivem tipicamente de 1 a 3 gerações de modelo. Quando um eval passa sempre, em todas as versões, ele saturou — não separa mais nada e só custa tempo de execução. Aposente-o e crie novos onde você viu o modelo atual tropeçar.

Tarefa A (atual) B (50% menos) C (mínima) Leitura
Publicar post no blogQual. 4 · 2 correçõesQual. 4 · 1 correçãoQual. 4 · 1 correçãoEmpate → corta
Refatorar módulo legadoQual. 4 · 1 correçãoQual. 4 · 1 correçãoQual. 2 · 4 correções (2×)Piorou repetido → devolve 1 regra
Gerar relatório mensalQual. 3 · 3 correçõesQual. 4 · 1 correçãoQual. 3 · 2 correçõesB venceu → B vira a base
Corrigir bug reportadoQual. 5 · 0 correçõesQual. 5 · 0 correçõesQual. 4 · 1 correção (1×)Uma vez só → ruído, mantém C

Como ler esta tabela de exemplo: ela é ilustrativa — os números são inventados. O que importa é a coluna "Leitura": quatro tarefas, quatro desfechos diferentes. Uma grade real raramente aponta para um único veredito, e é exatamente por isso que ela vale mais que a sua intuição.

🧪 Exercício: rode a sua grade

Objetivo: montar a grade A/B/C com 5 tarefas reais e rodar pelo menos 2 delas nas três versões, preenchendo a tabela. Cole o prompt abaixo no Claude Code, uma versão de cada vez, sem mudar nada além da config.

Rodada de ablação — versão <A | B | C>

Tarefa: <sua tarefa aqui, exatamente como você a pediria num dia normal>
Entradas: <arquivos, links, dados reais que a tarefa usa>

Faça a tarefa até o fim. Ao terminar, responda também:
1. Quais critérios você usou para decidir que estava pronto?
2. Como você verificou o próprio trabalho? Cite a evidência (comando,
   arquivo conferido, teste rodado).
3. Em que ponto você ficou em dúvida e teria perguntado a um humano?

Não peça confirmação no meio do caminho a menos que seja bloqueante.

Como verificar (critério de saída): ablacao-grade.md com ≥2 tarefas × 3 versões preenchida; e, para cada instrução que voltou para a config, a falha que a justificou está registrada com trecho e se repetiu ao menos duas vezes. Se voltou instrução sem falha repetida registrada, apague-a e rode de novo.

Agora troque pelo seu: as respostas 1, 2 e 3 do modelo alimentam três colunas da grade direto — critérios de qualidade, autoverificação e autonomia. Cole-as no campo "Observações" da tarefa.

Checagem rápida (não bloqueia nada): na tarefa "refatorar módulo legado", a versão C esqueceu de rodar os testes — uma vez. Nas outras tarefas, C empatou com A. O que você faz?

💡 O eval que nasce da falha

Cada linha "Observações" da sua grade vira um eval de uma frase: "tarefa X, com config C, deve rodar os testes antes de encerrar — evidência: saída do comando de teste no log". Guarde esses casos num único arquivo e reexecute todos quando sair um modelo novo. É assim que a próxima ablação começa já com régua pronta.

Conceitos-chave

Eval

Caso de teste conferível

Falha → eval

Não se perde nada observado

Saturou

Passa sempre, aposente

1 a 3 gerações

Validade típica de um eval

📌 Resumo do Módulo

Três versões — A atual, B com 50% menos, C mínima. C não é vazia: contexto não-inferível permanece.
Tarefas reais — 5 a 10, representativas, com uma difícil e uma em que a config atual claramente ajuda.
Nove dimensões — contagem objetiva sempre que der; autoverificação é a mais esquecida.
Régua antes da resposta — mesma tarefa, mesmo modelo, mesmo prompt; e "o que seria bom" escrito antes de rodar.
Empate corta, ruído não conta — só falha repetida devolve instrução, e na forma mais curta possível.
Falha vira eval — o conjunto pessoal de casos sobrevive de 1 a 3 gerações; aposente os saturados.

Próximo Módulo:

4.2 — O ciclo contínuo: transformar a auditoria em rotina periódica, com gatilhos de re-auditoria e política de ablação escrita.