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MÓDULO 4.2

🧱 Padrões avançados

O kit de padrões do nível avançado: o Ralph loop, loops agendados em frota, isolamento por worktree e sandbox, guardrails como o trabalho de verdade, verificação adversarial, fan-out multi-agente e memória entre tentativas. Cada um com a fonte e como/quando usar.

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Tópicos
~55
Minutos
Avançado
Nível
Padrões
Tipo
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🐚 Ralph loop

O padrão mais bruto e mais famoso da casa: o Ralph loop (Geoffrey Huntley / HumanLayer). É um loop de shell infinito que repete o MESMO prompt sem parar. Cada volta muta o código — e esse código mutado vira o estado inicial da próxima volta.

Um laço de shell luminoso que se fecha sobre si mesmo, com o mesmo prompt entrando e o código saindo mutado a cada volta

O que ver: o mesmo prompt entra em todas as voltas (a seta não muda); o que muda é o código no meio, que carrega o progresso para a próxima iteração. É o estado externalizado da 4.1 levado ao extremo.

Objetivo do código abaixo

Rodar o mesmo prompt num laço infinito de shell, deixando o agente avançar a tarefa a cada volta — sem você re-digitar nada.

# O Ralph one-liner — cole no seu terminal, na raiz do projeto
# PROMPT.md contém a tarefa; troque o agente pela ferramenta que você usa.

while :; do cat PROMPT.md | npx --yes @sourcegraph/amp ; done

Como verificar / quando usar: rode num repositório descartável (de preferência num worktree isolado — tópico 3) com um git status aberto noutra aba: você verá commits/mudanças surgindo a cada volta. Use para tarefas grandes e repetitivas com verificação embutida; pare cedo — Huntley alerta que rodar demais produz "bizarre emergent behavior". O loop infinito é poderoso e perigoso na mesma medida: combine SEMPRE com guardrails (tópico 4).

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⏰ Loops agendados

Owain Lewis (relatado) descreve a forma "frota": um loop é um job que o agente repete — acorda num agendamento ou evento, lê o estado do trabalho, faz UM job escopado dentro de permissões fixas, escreve o resultado, dorme, e repete. É o oposto do Ralph: disciplinado, pequeno, controlado.

Uma frota de pequenos agentes operando lado a lado num painel, cada um com sua faixa de trabalho, rodando o dia inteiro

O que ver: não é um agente gênio fazendo tudo — é uma frota de agentes pequenos, cada um com um job estreito e permissões fixas. A coordenação é externa (o control plane), não está na cabeça de nenhum agente.

🗂️ Manager (split)

Classifica o backlog: separa o que é fácil e de baixo risco do que precisa de humano. Não escreve código — só roteia trabalho.

🔧 Worker

Implementa os tickets de baixo risco e abre PRs. Nunca dá merge. O humano aprova no fim — a porta final fica com a gente.

CONTROL PLANE GitHub Issues managerclassifica workerimplementa abre PRnunca dá merge humano aprovao merge

Leia o fluxo: as Issues do GitHub são o control plane — a fila de trabalho compartilhada. O manager classifica, o worker implementa e abre PR, e a última porta (o merge) é sempre humana. Nenhum agente fecha o ciclo sozinho.

3

🌲 Worktrees, sandboxes e permissões fixas

Para rodar vários agentes em paralelo sem que eles pisem uns nos outros — e sem que algum faça algo irreversível — você precisa de isolamento. Três peças: worktrees, sandboxes e permissões fixas.

🌲 Worktree

Isola o trabalho paralelo: cada agente na sua árvore/branch, sem conflito de arquivos.

📦 Sandbox

Isola o ambiente: o agente roda num lugar onde estragar não custa nada de fora.

🔒 Permissões fixas

Definem o que ele PODE fazer: é assim que você deixa um loop rodar sem fazer algo irreversível.

💡 A ideia central das permissões fixas

Permissões fixas são o cinto de segurança do loop autônomo. Você decide ANTES o que o agente pode tocar (esses arquivos, esses comandos) e o que é proibido (prod, segredos, git push --force). Como ninguém está olhando a cada volta, o limite tem que estar no ambiente, não na sua atenção.

4

🛡️ Guardrails = o trabalho de verdade

O consenso grassroots da comunidade é direto: "os guardrails são o trabalho de verdade, não os agentes." O agente é a parte fácil. O difícil — e o que separa um sistema seguro de um desastre — é desenhar os limites. O worker abre PR, mas nunca dá merge; um humano aprova.

Objetivo do prompt abaixo

Dar ao agente da frota um contrato de permissões explícito — o que ele pode, o que é proibido, e onde tem que parar e pedir aprovação humana.

# Cole no topo do PROMPT.md do seu worker (ajuste os nomes ao seu repo)

REGRAS (não negociáveis):
- Trabalhe APENAS nos arquivos sob .
- Abra um Pull Request ao terminar. NUNCA dê merge você mesmo.
- NUNCA toque em produção, em segredos (.env, chaves) nem em CI/CD.
- PROIBIDO: git push --force, deletar branches, alterar o histórico.
- PARE e peça aprovação humana antes de: ,
   ou .
- Se a verificação falhar 3 vezes, pare e escreva o que travou em BLOCKED.md.

Como verificar: rode o worker num worktree de teste e confira o resultado contra cada linha — abriu PR sem merge? não tocou em .env? parou quando bateu numa migração? Se alguma regra foi violada, o guardrail está fraco demais e o prompt precisa ser mais específico. O guardrail só é real quando você o testa contra um agente tentando contorná-lo.

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🥊 Maker/checker adversarial & verification specialist

Você viu o Maker→Checker na Trilha 2. Aqui ele sobe de nível: o checker fica adversarial. Em vez de só conferir, um segundo agente (ou painel) tenta QUEBRAR o trabalho — é prompted para refutar, achar o buraco, provar que está errado.

🚨 Cuidado com a fonte: especulação, não fato

Hesamation leu o system prompt do Claude Code e interpretou que ele introduziria um subagente "verification specialist" — mas ele MESMO marcou isso como inferência especulativa, possivelmente inativa.

Trate o "verification specialist" como uma ideia útil de design, não como um recurso confirmado de nenhuma ferramenta. O padrão (separar quem faz de quem refuta) é sólido; a alegação específica sobre o system prompt é especulação.

MAKER produz o trabalho CHECKER adversarialtenta QUEBRAR / refutar APROVAnão conseguiu refutou? volta para o maker corrigir

A diferença adversarial: o checker não pergunta "está bom?", ele pergunta "como provo que está errado?". Só aprova quando NÃO consegue quebrar. Quem faz nunca dá a própria nota — é a regra de ouro da verificação levada ao ataque.

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🕸️ Multi-agente / fan-out / orquestração

A frota cresce: um manager promptando agentes que promptam agentes — "Russian nesting dolls" (bonecas russas), aninhamento dentro de aninhamento. O padrão que organiza tudo é uma sequência: orquestrar → delegar (fan-out) → verificar.

ORQUESTRADOR delega (A) agente 1 agente 2 agente N VERIFICA (1) junta N → 1

Leia o fan-out: A (um orquestrador) → N (vários agentes em paralelo) → 1 (um verificador que junta tudo). O paralelismo dá velocidade; a verificação no fim impede que N erros independentes virem um produto bonito e quebrado.

7

🧠 Cross-trial memory (Reflexion)

O último padrão muda a unidade do loop: em vez de uma volta, um episódio inteiro. A cross-trial memory (memória entre tentativas, do paper Reflexion) faz o loop atravessar tentativas: agir → receber feedback → refletir em texto → guardar na memória episódica → tentar melhor na próxima.

PassoO que acontece
1. Agiro agente tenta resolver a tarefa (a "trial")
2. Feedbackrecebe um sinal de sucesso/falha (testes, avaliador, ambiente)
3. Refletirescreve em texto por que falhou e o que faria diferente
4. Guardarsalva essa reflexão na memória episódica
5. Tentar de novolê a memória e faz uma tentativa melhor — sem re-treinar nada

🔗 Onde isso te leva

Reflexion é a versão "aprende com o erro" do loop. Combine com os outros padrões: um worker numa frota que GUARDA o que aprendeu fica melhor a cada ticket — sem você ajustar nada. É também a raiz da ideia de "comprehension debt" da 4.3: quanto mais o sistema aprende sozinho, menos você entende por que ele faz o que faz.

No padrão de frota agendada, quem dá o merge do PR?

🧾 Resumo do Módulo

Ralph loop — shell infinito com o mesmo prompt; potente e perigoso, pare cedo.
Loops agendados — frota disciplinada: manager + worker, control plane de Issues, humano aprova.
Worktrees & sandboxes — isolar trabalho e ambiente; permissões fixas evitam o irreversível.
Guardrails — o trabalho de verdade; PR sem merge, humano na porta final.
Maker/checker adversarial — checker que tenta quebrar; "verification specialist" é especulação útil, não fato.
Fan-out / orquestração — orquestrar → delegar (A→N) → verificar (N→1).
Cross-trial memory — Reflexion: aprende por linguagem entre tentativas, sem re-treino.

Próximo:

4.3 — Riscos, custo e estudo de caso (o fecho do curso)