MÓDULO 4.1

🌱 Do intent ao primeiro draft

Capturar o que a pessoa quer, pesquisar o suficiente e transformar isso num SKILL.md que já nasce bem escrito — imperativo, com o porquê, sem MUSTs gritando.

6
Tópicos
45
Minutos
Prático
Nível
Criação
Tipo
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🎯 Capturar o intent

O skill-creator começa entendendo a intenção antes de escrever qualquer linha. Se a conversa já contém o workflow que a pessoa quer capturar (ela diz "transforma isso numa skill"), extraia primeiro das mensagens anteriores — as ferramentas usadas, a sequência de passos, as correções que ela fez, os formatos de entrada e saída que apareceram. Só depois peça para preencher as lacunas, e confirme antes de prosseguir.

1

O que esta skill habilita o Claude a fazer?

A capacidade central. Não "ajudar com planilhas", mas "calcular margem de lucro e adicionar a coluna num xlsx".

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Quando ela deve disparar?

Quais frases e contextos do usuário acionam a skill. Isso vira o coração da description.

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Qual o formato de saída esperado?

Um arquivo? Um relatório com seções fixas? Código? Definir isso cedo evita retrabalho.

4

Vale montar test cases?

Skills com saída objetivamente verificável (transformar arquivo, extrair dados, gerar código) se beneficiam de testes. Saída subjetiva (estilo, arte) geralmente não precisa. Sugira o default, deixe o usuário decidir.

💡 Cuidado com o jargão

O skill-creator é usado por gente de níveis muito diferentes de familiaridade técnica. Termos como "JSON" e "assertion" só devem aparecer sem explicação se houver pistas claras de que a pessoa conhece. Na dúvida, defina o termo em uma frase curta.

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🔎 Interview & research

Com o intent capturado, aprofunde. Pergunte proativamente sobre edge cases, formatos de entrada e saída, arquivos de exemplo, critérios de sucesso e dependências. Espere para escrever test prompts só depois de fechar essa parte — entrevista mal feita gera skill que cobre o caso feliz e quebra no resto.

✗ Entrevista rasa

  • Assume que só há um formato de entrada
  • Ignora o que acontece com input vazio ou malformado
  • Nunca pede arquivos de exemplo reais
  • Não define o que conta como "deu certo"
  • Joga o trabalho de pesquisa nas costas do usuário

✓ Entrevista que prepara o terreno

  • Mapeia todos os formatos in/out plausíveis
  • Explora edge cases antes de codar
  • Coleta exemplos concretos do domínio
  • Acorda critérios de sucesso explícitos
  • Pesquisa em paralelo via subagents/MCPs

Chegue com contexto pronto

Cheque os MCPs disponíveis. Se algum for útil para a pesquisa — buscar docs, achar skills parecidas, levantar boas práticas — pesquise em paralelo via subagents (quando houver) ou inline. A ideia é reduzir o atrito para o usuário: vir com o dever de casa feito em vez de perguntar tudo do zero.

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📝 Escrever o SKILL.md

A partir da entrevista, preencha os componentes do arquivo. O SKILL.md é frontmatter YAML (com name e description obrigatórios) seguido do corpo em Markdown.

Os componentes

  • name: o identificador da skill
  • description: o quê faz E quando usar. É o mecanismo primário de disparo — todo "quando usar" mora aqui, não no corpo.
  • compatibility: ferramentas/dependências exigidas (opcional, raramente necessário)
  • o resto da skill :) — o corpo com as instruções

Description deve ser um pouco "pushy"

Hoje o Claude tende a subdisparar skills — não usá-las quando seriam úteis. Para combater isso, a description precisa listar contextos concretos de uso, mesmo que o usuário não peça explicitamente.

Fraca vs pushy:

# Fraca
description: How to build a simple fast dashboard to
display internal Anthropic data.

# Pushy
description: How to build a simple fast dashboard to
display internal Anthropic data. Make sure to use this
skill whenever the user mentions dashboards, data
visualization, internal metrics, or wants to display
any kind of company data, even if they don't explicitly
ask for a 'dashboard.'

🎯 Lembrete da anatomia

Progressive disclosure em 3 níveis: (1) metadata name+description sempre no contexto (~100 palavras); (2) corpo do SKILL.md quando dispara, ideal <500 linhas; (3) recursos bundlados carregados sob demanda. A description é o gatilho.

Entrevista + research name description corpo
4

✍️ Writing style

Como você escreve o corpo da skill importa tanto quanto o que escreve. Prefira o imperativo, use theory of mind e explique o porquê de cada instrução em vez de empilhar MUSTs em maiúscula. Mantenha a skill geral, não colada nos exemplos específicos.

✗ Estilo heavy-handed

  • "ALWAYS do X. NEVER do Y." em caixa-alta
  • Regras rígidas sem nenhuma razão
  • Instruções coladas a um exemplo único
  • Trata o modelo como executor cego

✓ Estilo que respeita o modelo

  • Imperativo claro: "Comece entendendo..."
  • Explica por que cada passo importa
  • Generaliza para muitos casos
  • Usa theory of mind: aposta na inteligência

Por que evitar MUSTs gritando

Os LLMs de hoje são espertos: têm boa theory of mind e, com um bom harness, vão além da instrução rote. Se você se pega escrevendo ALWAYS ou NEVER em caixa-alta, ou estruturas super rígidas, é um yellow flag — reformule explicando a razão para que o modelo entenda por que aquilo importa. É mais humano, mais poderoso e mais efetivo.

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👀 Rascunhar e reler com olhos novos

Não trave buscando o draft perfeito. Escreva um primeiro rascunho, depois releia com olhos novos e melhore. O ciclo draft → revisar → melhorar acontece dentro da própria escrita, antes mesmo de qualquer teste.

1

Escreva o draft

Coloque tudo no papel sem editar. Velocidade primeiro, polimento depois.

2

Releia distanciado

Olhe como se fosse outra pessoa lendo. Onde está ambíguo? O que manda o modelo gastar tempo à toa?

3

Melhore

Corte redundância, reformule o que estava rígido, explique o porquê do que ficou vago.

💡 Dica

O skill-creator repete esse conselho em vários pontos: "escreva um draft e depois olhe com olhos novos para melhorar". Vale para o SKILL.md inteiro e para cada revisão futura no loop de iteração.

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📦 Quando bundlar

Nem tudo vive dentro do SKILL.md. Recursos bundlados (scripts/, references/, assets/) carregam sob demanda. A regra prática: se 3 execuções repetem o mesmo script, extraia para scripts/; docs grandes vão para references/.

Anatomia de uma skill:

skill-name/
├── SKILL.md            (required)
│   ├── YAML frontmatter (name, description)
│   └── Markdown instructions
└── Bundled Resources   (optional)
    ├── scripts/    # código p/ tarefas repetitivas
    ├── references/ # docs carregadas sob demanda
    └── assets/     # templates, ícones, fontes

Sinais de que é hora de bundlar

  • 3 invocações independentes escreveram o mesmo create_docx.py → vire scripts/ e mande a skill usá-lo
  • O corpo do SKILL.md está perto de 500 linhas → adicione uma camada de hierarquia com ponteiros claros
  • Doc de referência grande (>300 linhas) → inclua um índice/TOC
  • Skill suporta múltiplos domínios → organize por variante em references/ (aws.md, gcp.md, azure.md)

🎯 Por que bundlar script repetido

Escrever uma vez, colocar em scripts/ e apontar a skill para ele poupa toda invocação futura de reinventar a roda. Scripts executam sem precisar carregar todo o conteúdo no contexto — é mais rápido, mais confiável e reaproveitável entre iterações.

Resumo do Módulo

Capture o intent com 4 perguntas — o que habilita, quando dispara, formato de saída, precisa de testes
Entreviste e pesquise antes de escrever testes — edge cases, formatos, exemplos, critérios, dependências
Escreva o SKILL.md com description pushy — o gatilho diz o quê faz E quando usar, combatendo o subdisparo
Estilo imperativo que explica o porquê — theory of mind em vez de MUSTs gritando em caixa-alta
Rascunhe e releia com olhos novos — draft → revisar → melhorar, cortando redundância e ambiguidade
Bundle quando há repetição — 3 execuções com o mesmo script → scripts/; docs grandes → references/

Próximo:

4.2 — 🔁 Testar, avaliar e iterar — escreva test prompts realistas, rode com-skill vs baseline, avalie e itere até a skill funcionar para muito além dos exemplos.