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MÓDULO 1.3

🪜 A escada das vias

Sete jeitos de um agente chegar num sistema, do mais firme ao mais frágil. A regra do kit é simples: use a via mais estável que existir, e teste antes de aceitar um "não dá".

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Suba os sete degraus da escada

Uma via é o caminho por onde o agente chega num sistema: pedir dados, ler um arquivo, clicar numa tela. O runtime/LEIA-ME.md organiza as vias numa escada de sete níveis.

Você começa pelo nível 1 e vai descendo até achar a primeira via que existe e funciona. A frase do kit: use a mais alta que existir.

🆕 Novo aqui? As palavras da escada

  • API — a porta oficial que um sistema abre para outros programas pedirem dados. Ex.: "me dê as vendas de outubro".
  • MCP — um padrão para entregar ferramentas a agentes. Um servidor MCP diz "tenho a ferramenta X" e o agente passa a chamá-la pelo nome.
  • CLI — programa usado por comandos no terminal, como codex exec ou git.
  • SDK — uma biblioteca pronta (pacote npm ou pip) que um programador usa para falar com o sistema.
  • Ponte local — usar o que o sistema deixa no seu computador: uma exportação CSV, uma pasta, um banco SQLite, uma porta local.
1 · APIalta 2 · MCPalta 3 · CLIalta 4 · SDKmédia 5 · computadorbaixa 6 · ponte localmédia 7 · eng. reversasó laboratório comece aqui ↑ desça só se o degrau não existir

Como ler o desenho: o número é a ordem em que você testa. A cor é a estabilidade: verde é alta, azul é média, vermelho é baixa. Repare que o 6 é azul e o 5 é vermelho: estar mais embaixo não quer dizer ser pior. O tópico 2 explica.

NívelViaExemploEstabilidade
1API oficialAPI do ERPalta
2MCPclaude mcp listalta
3CLIcodex exec, gh, gitalta
4SDK / bibliotecapacote npm/pipmédia
5Uso do computadornavegador automatizado, cliques na telabaixa
6Ponte localexportação CSV, pasta, banco SQLite, porta localmédia
7Engenharia reversaobservar o app rodando para achar a viasó laboratório: quebra na próxima atualização

O que olhar na tabela: é a tabela do runtime/LEIA-ME.md, sem mudar uma palavra. A coluna "Exemplo" mostra o tipo de coisa que mora em cada degrau; você não precisa rodar esses exemplos agora.

🛣️
Via

caminho até o sistema

🔢
Nível

ordem do teste

🔌
API · MCP · CLI

os três firmes

📂
Ponte local

arquivo exportado

2

Entenda por que estabilidade manda

Estabilidade é o quanto a via continua funcionando quando o outro lado muda. Uma API tem contrato: o fabricante avisa antes de mexer. Uma tela de site muda de lugar um botão e o robô que clicava ali se perde.

O README do kit fecha a ideia: o agente usa sempre a mais estável que existir. Por isso a ponte local (6, média) ganha do uso do computador (5, baixa) quando as duas existem. A receita R5 diz o mesmo: navegador só quando não existir API, MCP, CLI ou exportação.

✓ Via estável

  • ✓ Tem contrato: o fabricante mantém
  • ✓ Mudança vem com aviso e versão
  • ✓ Você configura uma vez e esquece
  • ✓ O erro, quando vem, é claro

✗ Via frágil

  • ✗ Depende de onde está o botão na tela
  • ✗ Quebra sem aviso, numa atualização
  • ✗ Pede conserto toda semana
  • ✗ Às vezes falha em silêncio

💡 O custo de verdade é a manutenção

A via estável às vezes dá mais trabalho no primeiro dia: achar a exportação, configurar a ponte. Mas o que pesa é o mês seguinte. A via que quebra menos é a que custa menos manter.

⚖️
Estabilidade

aguenta mudança?

📜
Contrato

o fabricante mantém

🔧
Manutenção

o custo do mês seguinte

🏷️
Frágil

quebra sem aviso

3

Exija teste antes do "não dá"

Agente diz "não dá" cedo demais. Ele não achou documentação e conclui que não existe. O kit tem uma regra contra isso, escrita no LEIA-ME.md e repetida no AGENTS.md.

A regra: antes de concluir que é impossível, o agente testa cada nível com um comando. "Não achei" não vale. Vale "rodei isto e veio isto".

📄 A regra, nas palavras do kit
Regra: se o agente disser "não dá", peça para ele **testar** cada nível com um comando antes de concluir. Muitas vezes a via existe e só não estava documentada.
Onde está: última linha do runtime/LEIA-ME.md. O AGENTS.md manda o agente fazer isso sozinho.
degrau N roda 1 comando a via respondeu? saída na tela = evidência sim → para e usa este degrau não → anota e desce para N+1 "não dá" só depois do último

Como ler o desenho: o laço vermelho volta para a esquerda com o degrau seguinte. Cada volta deixa uma evidência anotada. Um "não dá" honesto chega com essa lista; um "não dá" sem lista é palpite.

⚠️ O "impossível" prematuro custa caro

O agente que não achou documentação tende a dizer que o programa não pode ser lido de fora. Muitas vezes, o teste nível por nível revela uma opção de exportar escondida num menu. Se você aceita o primeiro "não dá", parte para a gambiarra sem precisar.

🚫
Impossível cedo

"não achei" ≠ "não existe"

🧪
Teste concreto

um comando por nível

📎
Evidência

a saída na tela

📘
AGENTS.md

a regra já está lá

4

Suba a escada com o ERP da Sônia

A Sônia quer o total de vendas por cliente da distribuidora. O ERP é antigo: não tem API. O que ele sabe fazer é exportar um CSV de vendas, o runtime/exemplos/erp-vendas.csv do kit.

Veja a escada degrau por degrau. É o caso mais comum em escritório pequeno: sistema antigo que só exporta arquivo.

DegrauExiste para o ERP?Decisão
1 · APInão: o fabricante não oferecedesce
2 · MCPnão há servidor MCP do ERPdesce
3 · CLInão tem comando de terminaldesce
4 · SDKnão tem bibliotecadesce
5 · computadordaria para clicar nas telas…existe, mas é baixa: guarda e olha o próximo
6 · ponte localsim: exporta CSV de vendaspara aqui: média ganha de baixa

O que olhar na tabela: no degrau 5 a resposta é "existe", e mesmo assim a escada segue. É a regra do tópico 2: a R5 só aceita navegador quando não há exportação, e aqui há.

🧾 ERP antigo sem API erp-vendas.csv exportação ponte local · nível 6 ferramenta resumo_vendas só leitura (N4) 5 · clicar nas telas do ERP (frágil)

Como ler o desenho: a linha de cima é o caminho escolhido: o ERP solta o arquivo e a ponte entrega uma ferramenta pronta. A caixa vermelha riscada embaixo é o caminho descartado. Na trilha 2 (receita R3) essa ponte vira uma ferramenta MCP de verdade.

📤
Exportação

o que o ERP já faz

📄
CSV

erp-vendas.csv

🌉
Ponte local

nível 6, média

👁️
Só leitura

N4: lê sem pedir

5

Suba a escada com a agenda da Clara

A agenda da clínica da Clara é uma planilha. Uma planilha não tem API, MCP, CLI nem SDK: ela é um arquivo. Então a escada desce até a ponte local, igual à da Sônia. No kit, ela é o runtime/exemplos/agenda.csv, com os horários da Dra. Ana e do Dr. Bruno.

A diferença aparece depois. A Sônia só quer ler. A Clara, um dia, vai querer que o agente marque um horário. E a mesma via pode ter políticas diferentes para ler e para alterar.

🆕 Novo aqui? N2 e N4

São níveis de autonomia da runtime/POLITICA.md. N4: o agente faz sozinho, sem aviso (serve para ler). N2: o agente executa só depois de pedir, a cada vez. A escala completa, de N0 a N4, está no módulo 4.1.

✓ Ler a agenda (N4)

  • ✓ "Quais horários estão livres no dia 7?"
  • ✓ O agente lê o arquivo e responde
  • ✓ Nada muda na planilha
  • ✓ Pode rodar sem perguntar

✗ Alterar a agenda sem pedir

  • ✗ Marcar paciente por conta própria
  • ✗ Trocar "livre" por "ocupado" sem aviso
  • ✗ Um erro vira paciente sem horário
  • ✗ Por isso alterar fica em N2: pede antes
📄 A linha de exemplo da agenda (do CAPACIDADES.md do kit)
| Agenda da clínica (planilha) | Ponte local (arquivo)   | 6 | ler/escrever agenda.csv         | alterar (N2)    | pendente |
Repare: como a linha inclui escrever, a política dela é a mais alta das duas ações: alterar, N2. A receita R3 diz o mesmo: ferramenta que escreve sobe para "alterar" (N2: pede antes).

💡 Dica para a Clara

Comece só com leitura. Quando confiar nas respostas sobre horários livres, aí sim acrescente a escrita, sempre pedindo antes. É o mesmo arquivo; o que muda é a política.

📅
agenda.csv

Dra. Ana e Dr. Bruno

👁️
Ler

N4

✍️
Alterar

N2, pede antes

🌉
Mesma via

políticas diferentes

6

Suba a escada com o seu sistema

Agora é a sua vez. Escolha um sistema do seu trabalho: o programa da loja, o portal do fornecedor, a planilha do estoque. Peça ao agente para subir a escada com você, testando cada nível.

O prompt abaixo usa só arquivos do kit. Ele pede o teste por nível e proíbe mexer no sistema: nesta etapa, o agente só descobre.

🎯 Objetivo: descobrir a via mais estável do seu sistema, com evidência

Abra claude na pasta do kit e cole (troque o que está entre < >):

Leia runtime/LEIA-ME.md. Quero conectar o <nome do sistema>, que eu uso para <o que você faz nele>.
Suba a escada das vias comigo, um nível por vez. Em cada nível, me diga como testar com um comando, mostre o resultado e só então passe ao próximo.
Não conclua "não dá" sem testar todos. Não altere nada no sistema.
No fim, me diga qual é a via mais estável que existe e por quê.
Como verificar: a resposta final cita um nível da escada e, para cada nível descartado, mostra o que foi testado. Se vier "não dá" sem essa lista, responda: "teste cada nível com um comando, como manda o LEIA-ME".
1

Um sistema por vez

Misturar três sistemas num pedido confunde as evidências. Faça um, anote, passe ao próximo.

2

Responda o que só você sabe

O agente pode perguntar se há um menu "exportar" ou um site de integrações. Olhe o programa e conte.

3

Guarde a escolha

A via que sair daqui vira uma linha do CAPACIDADES.md no próximo módulo, e a base do seu projeto final.

Teste rápido (opcional): o ERP da Sônia pode ser operado pela tela (nível 5) e também exporta CSV (nível 6). Qual via usar?

🎯
Um sistema

por pedido

🩺
Diagnóstico de via

nível por nível

📎
Evidência

em cada degrau

✅
Escolha

a mais estável

🎓 Resumo do módulo

✓
Sete degraus — API, MCP, CLI, SDK, computador, ponte local, engenharia reversa.
✓
Estabilidade manda — a via que quebra menos custa menos manter.
✓
"Não dá" só com teste — um comando por nível, com evidência.
✓
Sônia e Clara param no 6 — exportação e planilha viram ponte local.
✓
Ler e alterar são políticas diferentes — N4 para ler, N2 para alterar.

Próximo módulo:

1.4 — O mapa de capacidades