🛠️ Técnica II — A capacidade do OS
As camadas de ação: depois que a fundação existe (Trilha 2), você dá verbos e braços ao OS. Habilidades, Ferramentas/Conexões e Agentes — nesta ordem, sem pular etapas.
Como ler: a fundação (à esquerda) sustenta as três camadas de ação (centro, em ciano) — Habilidades, Ferramentas e Agentes — que, juntas, viram um OS que age (à direita). Esta trilha constrói essas três, na ordem certa: skills primeiro, agentes por último.
Mapa da trilha
Conteúdo detalhado
🛠️ Habilidades — os verbos conquistados
A unidade de capacidade do OS. Comece à mão, destile com reverse meta-prompting, itere para sempre — e saiba quando uma skill deveria virar um script.
Faça a tarefa à mão primeiro — às vezes digitando por uma hora todo o seu raciocínio — e só então capture os passos numa skill.
Skill de algo que você nunca fez à mão sai genérica e quebra. O manual primeiro garante que a receita reflete a realidade.
Manual primeiro · priming de contexto · capturar o processo.
Pedir à IA: "com base nesta conversa, destile o critério exato e materialize num slash command que eu sempre referencie".
É escrever a receita depois de cozinhar: nunca mais refazer o mesmo briefing de uma hora.
Destilar a conversa · slash command · receita depois do prato.
Você lança uma V1 e segue ajustando. O autor tem uma skill que afina quase todo dia há seis meses.
Tratar skill como "pronta" a deixa apodrecer. O ciclo é vivo: usar, observar, ajustar.
Ship a V1 · iteração contínua · ∞.
No fim da sessão você pergunta "como deveríamos ajustar a skill?" e dá uma rubrica de quando mudar algo (ou não).
A rubrica evita ajuste impulsivo: a skill só muda quando o critério justifica.
Post-mortem · rubrica · mudança com critério.
Se uma skill dispara 100% autônoma (entrada→saída fixas), talvez deva ser um script/cron determinístico que a IA escreve.
Script é mais barato em tokens e contexto, e não precisa carregar na janela toda sessão.
Autônoma 100% · cron · economia de contexto.
Gente subutiliza, acumula, ou se acha esperta e cria skills demais que ficam stale — e skill de algo nunca feito à mão.
Começar com UMA skill (a que mais repete) evita a pasta cheia de receitas mortas.
Uma skill primeiro · sem hoarding · sem skill fantasma.
Um prompt pronto que pede ao Claude Code para destilar a conversa atual num /slash command que aceita um argumento.
É o exercício prático: você sai do módulo com a sua primeira skill materializada.
Copy-run · argumento · SOP em sequência.
As partes de um SKILL.md: nome, quando usar (trigger), o passo a passo (SOP) e como verificar.
Saber a anatomia te deixa ler, depurar e melhorar qualquer skill — a sua ou a de outro.
Nome · trigger · SOP · done-check.
🔌 Ferramentas & Conexões — os fios pra fora
Skill, CLI, API ou só MCP? Como envolver uma API numa CLI própria — e o hack de segurança que muda tudo: a CLI somente leitura.
Antes de conectar qualquer ferramenta, audite: ela oferece skill, CLI, API ou só MCP? A resposta decide o caminho.
Escolher errado custa manutenção e contexto. A pergunta filtra antes de você gastar esforço.
Auditar a ferramenta · 4 conectores · escolha consciente.
Com o tempo, o MCP tende a ficar menos relevante. Só vale quando a ferramenta dá MCP mas não dá API.
Você para de instalar MCP por reflexo e prefere skill ou CLI quando há API.
MCP em queda · só-MCP é exceção · prefira API.
Você pode pedir ao Claude Code: "transforme esta API numa CLI customizada com estas funções principais".
Quando o trabalho é muito de linha de comando, uma CLI sua é mais enxuta que chamar a API crua.
Wrap da API · funções escolhidas · controle remoto enxuto.
Desenhe a CLI de modo que ela fisicamente não tenha acesso de escrita — só lê dados, nunca grava no banco.
Elimina o risco de um POST acidental destruir dados quando você está fundo na janela de contexto.
Read-only · sem write · tripwire físico.
Cada conexão ou CLI que você adiciona é uma peça nova para manter. Adicione com intenção, não por reflexo.
Infra demais quebra mais que ajuda. Às vezes a skill pronta resolve sem você construir nada.
Custo de manutenção · intencionalidade · menos é mais.
Supabase CLI (banco do Health OS), Obsidian CLI (segundo cérebro), e a Appify skill (scraping) — pronta, sem CLI própria.
Mostram quando criar a sua infra e quando uma skill de terceiro já faz o trabalho.
CLI quando preciso · skill quando basta · combinar.
Um prompt pronto que pede para transformar uma API numa CLI somente leitura, com as funções que você lista.
É o exercício prático: você sai com uma CLI segura para a sua ferramenta favorita.
Copy-run · read-only · funções explícitas.
Se uma skill pronta (ex.: Appify) já faz o trabalho, não quebre as costas mantendo uma CLI sua só por orgulho.
Reconhecer quando parar é tão valioso quanto saber construir. Cada peça extra é dívida.
Skill pronta basta · não reinventar · dívida de infra.
🤖 Agentes — papéis com julgamento
A última camada, não a primeira. Skill é um verbo; agente é o chef que escolhe skills, em ordem, com um portão de revisão antes de algo sair.
Skill = um verbo repetível. Agente = um trabalhador especialista que orquestra várias skills com julgamento.
Confundir os dois faz você criar agente onde bastava skill — caro e frágil.
Verbo vs trabalhador · julgamento · orquestra skills.
Todo agente que produz algo que vai para fora passa por um review gate: um ponto onde você (ou outro agente) confere antes do envio.
É o que separa um agente confiável de um que envia bobagem ao cliente/contador.
Review gate · humano no loop · checagem antes do envio.
Só promova a agente uma rotina que você já executa à mão hoje, com skills já existentes para ele orquestrar.
Agente sem skills embaixo nem rotina real vira teatro: parece poderoso, não entrega.
Rotina real · skills antes · pré-requisito.
Tarefa pontual (auditar 100s de arquivos) talvez seja um workflow dinâmico, não um agente fixo. Precisa de mais força? Suba sub-agentes descartáveis.
Nem todo trabalho merece um "funcionário" permanente. Escolher a forma certa economiza.
Agente fixo · workflow · sub-agentes throwaway.
No Freedom OS: um agente de resposta (varre o Gmail e rascunha respostas com os documentos certos) e um agente de deep research (monitora mudanças nas leis de passaporte).
Casos reais mostram agentes como "funcionários" de um domínio — cada um com um trabalho claro.
Agente de resposta · deep research · OS vivo.
Um agente revisor cético (advogado do diabo) que "te xinga antes do contador/cliente": confere o trabalho antes de sair.
Reduz idas e vindas: você é "roasted" pelo seu próprio OS antes de o erro chegar a quem importa.
Revisor cético · advogado do diabo · gate adversarial.
Conforme os modelos ficam mais espertos, o mesmo agente precisa de menos instrução — ou o agente deixa de ser necessário porque o harness já faz nativamente.
Te faz revisitar agentes periodicamente em vez de acumulá-los para sempre.
Menos instrução · agente some · revisão periódica.
Um esqueleto colável de AGENT.md: papel, skills que orquestra, ordem, review gate e limites.
É o exercício prático: você sai com o seu primeiro agente esboçado e pronto para preencher.
Copy-run · papel + skills + gate · limites.