🚩 O banner de verificação
Todo relatório STORM termina a Fase 4 estampando um banner de verificação no topo. Ele é a prova pública de que o pipeline rodou de verdade — um placar curto que diz quantas citações foram checadas e o que mudou no processo. Sem esse banner verdadeiro, o que você tem não é um briefing STORM, é uma opinião bem formatada.
📊 O que o banner mede
- •N/N checadas — quantas citações passaram por um verificador independente (idealmente todas).
- •X fabricadas — afirmações cujo número/estudo não existia e foram cortadas.
- •Y corrigidas — número, autor, ano ou caracterização que estavam errados e foram ajustados.
- •Z rebaixadas — evidência fraca que perdeu pontos ou foi para a barra de sinal contestado.
🟡 Novo aqui? — fabricada / corrigida / rebaixada
- Fabricada: a fonte primária não existe ou não diz aquilo. Não dá pra "corrigir" — sai do relatório.
- Corrigida: a fonte existe, mas algum detalhe (o valor, o ano, quem assina) estava errado e foi acertado.
- Rebaixada: a fonte é real e correta, mas frágil (preprint, pesquisa única). A afirmação continua, com menos peso.
VERIFICAÇÃO · 14/14 checadas 1 fabricada · 3 corrigidas · 2 rebaixadas
✓ Banner honesto
- ✓Reflete o que de fato aconteceu na Fase 4
- ✓Admite quando algo foi fabricado ou rebaixado
- ✓O placar bate com as tags das referências
✗ Banner cosmético
- ✗"Tudo verificado" sem ninguém ter checado
- ✗Zera fabricadas/rebaixadas para parecer limpo
- ✗Não corresponde às tags lá embaixo
🏷️ Tags de status por citação
O banner é o resumo; as tags por citação são o detalhe. Cada referência na seção final carrega um veredito visível, para você saber, item a item, em que pé está aquela afirmação. Um verificador independente devolve um destes seis status:
Fonte primária bate com a afirmação.
Parte confere; uma nuance ou ressalva ficou.
Número/ano/autor ajustado para o valor real.
Evidência fraca: perdeu nota ou foi pra barra lateral.
Não foi possível achar a fonte primária.
A fonte não sustenta — removido do corpo.
Por que tantas categorias? Porque "verdadeiro/falso" esconde o caso mais comum: a afirmação é quase certa, mas o número estava trocado. Veja como uma única citação caminha até ganhar sua tag:
A afirmação chega
"O mercado X cresceu 40% em 2024, segundo o relatório Y." Vai para um verificador junto com o número e a fonte nomeada.
Busca a fonte primária
O agente vai ao relatório original — não a um blog que o resumiu — e confere título, autor, ano, número e método.
Devolve o veredito
Acha 34%, não 40%, e que o dado é de uma pesquisa única comissionada. Veredito: CORRIGIDO + sinal de evidência fraca.
Vira tag + nota
A referência recebe a tag CORRIGIDO, o texto passa a dizer 34%, e a nota de confiabilidade do achado cai.
[CONFIRMADO] Doe et al. (2023), Nature — RCT, n=820 [CORRIGIDO] Relatório Y (2024) — 34%, não 40% [REBAIXADO] Preprint Z (2024) — não revisado por pares [FALSO] "Estudo" sem fonte primária localizável
📊 A hierarquia de confiabilidade na prática
No Módulo 1.3 você viu o princípio: confiabilidade = qualidade da evidência, não confiança subjetiva. Agora ele vira prática. A nota de 1 a 10 de cada achado não sai do quanto a afirmação "parece certa" — sai de onde a evidência fica na escada abaixo. Quanto mais alto o degrau, maior a nota.
A escada sobe da evidência mais frágil (preprint, embaixo) à mais forte (estudo causal revisado por pares, no topo em destaque). A posição do degrau define a faixa da nota: um número não vira "10" por convencer — vira 10 porque vem do degrau mais alto.
🟡 Novo aqui? — "causal revisado por pares"
Revisado por pares = outros especialistas avaliaram o estudo antes de publicar. Causal = o desenho mostra que A causa B (ex.: ensaio controlado randomizado), não só que andam juntos. As duas coisas somadas são o degrau mais alto. Uma analogia histórica, por mais elegante, fica embaixo: sugere, mas não prova.
Confiabilidade ≠ confiança subjetiva
Uma afirmação que "soa óbvia" pode estar no degrau de baixo (só uma analogia), e uma contraintuitiva pode estar no topo (RCT robusto). A nota segue a fonte, não a sua sensação — por isso o achado mais confortável às vezes recebe a menor nota do relatório.
📄 Preprint × publicado / pesquisa única
Dois casos exigem mão firme na Fase 4: o preprint (estudo ainda não revisado por pares) e a pesquisa única comissionada (um número que vem de um só levantamento, muitas vezes pago por quem se beneficia dele). Os dois entram no relatório, mas com o peso certo.
📄 Preprint
Resultado divulgado antes da revisão. Pode estar certíssimo — ou cair na revisão. A regra é rebaixar: a afirmação fica, marcada como "preprint, não revisado", e a nota não pode chegar ao topo.
Status típico: REBAIXADO + sinal contestado.
📐 Pesquisa única comissionada
Um número de uma só fonte, às vezes encomendada por parte interessada. Não vire "o mercado cresceu X" — reatribua honestamente: "segundo a pesquisa Y, encomendada por Z".
Status típico: PARCIALMENTE CONFIRMADO / REBAIXADO.
✓ Tratamento correto
- ✓Diz o status: "preprint", "pesquisa comissionada"
- ✓Atribui o número à fonte real, não ao "consenso"
- ✓Reduz a nota de confiabilidade do achado
✗ Erro comum
- ✗Tratar preprint como estudo consolidado
- ✗Apresentar número comissionado como fato neutro
- ✗Dar nota alta porque "todo mundo cita"
⚖️ A barra lateral de sinal contestado
Nem toda evidência fraca deve sumir — ela só não pode se misturar com os achados fortes. Para isso existe o sinal contestado: uma barra lateral onde vão as afirmações disputadas e os preprints, sempre acompanhadas da fonte contrária mais forte. É a forma honesta de dizer "isto está no ar" sem fingir que está resolvido.
Afirmação: "A tecnologia X reduz custos em 30%." — origem: preprint de 2024, ainda não revisado.
Fonte contrária mais forte: análise oficial do setor (2023) aponta ganho de ~8% em ambientes reais. Enquanto a contradição não se resolve, o número fica aqui — fora dos achados ranqueados.
💡 Por que a fonte contrária anda junto
Mostrar só a afirmação disputada ainda dá a ela um palco. Colá-la à melhor evidência do outro lado transforma a barra lateral num mini-debate justo — e deixa claro para o leitor que ali não há um vencedor ainda. É a "pergunta empírica que resolveria" da Fase 2, em forma visível.
🧐 Ler criticamente mesmo verificado
A Fase 4 reduz muito o risco — mas não te dispensa de pensar. Lembre da proteção central do método: o painel é construído pelo autor. As cinco lentes saíram do mesmo modelo, então a convergência entre elas é uma hipótese forte, não consenso independente do campo. Para o que importa de verdade na sua decisão, vá você à fonte primária.
✓ Leitura crítica
- ✓Confere você os 2–3 números que mudam sua decisão
- ✓Lê o banner e as tags antes de citar o relatório
- ✓Trata convergência como hipótese, não como prova
✗ Confiança cega
- ✗Copia números sem olhar a tag de status
- ✗Lê "5 lentes concordam" como verdade do campo
- ✗Ignora a barra de sinal contestado
Auto-recuperação (opcional): qual fonte sustenta a MAIOR nota de confiabilidade?
📌 Resumo do módulo
Próximo módulo:
3.3 — Customizar e estender