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MÓDULO 3.2

🔎 O sistema de verificação

A Fase 4 é o que separa o STORM de um relatório qualquer. Aqui você aprende a ler — e cobrar — o sistema que torna cada número honesto: o banner de verificação, as tags de status por citação e a hierarquia de confiabilidade que vira a nota de 1 a 10.

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🚩 O banner de verificação

Todo relatório STORM termina a Fase 4 estampando um banner de verificação no topo. Ele é a prova pública de que o pipeline rodou de verdade — um placar curto que diz quantas citações foram checadas e o que mudou no processo. Sem esse banner verdadeiro, o que você tem não é um briefing STORM, é uma opinião bem formatada.

📊 O que o banner mede

  • N/N checadas — quantas citações passaram por um verificador independente (idealmente todas).
  • X fabricadas — afirmações cujo número/estudo não existia e foram cortadas.
  • Y corrigidas — número, autor, ano ou caracterização que estavam errados e foram ajustados.
  • Z rebaixadas — evidência fraca que perdeu pontos ou foi para a barra de sinal contestado.

🟡 Novo aqui? — fabricada / corrigida / rebaixada

  • Fabricada: a fonte primária não existe ou não diz aquilo. Não dá pra "corrigir" — sai do relatório.
  • Corrigida: a fonte existe, mas algum detalhe (o valor, o ano, quem assina) estava errado e foi acertado.
  • Rebaixada: a fonte é real e correta, mas frágil (preprint, pesquisa única). A afirmação continua, com menos peso.
banner de verificação (topo do relatório)exemplo real
VERIFICAÇÃO · 14/14 checadas
  1 fabricada · 3 corrigidas · 2 rebaixadas

✓ Banner honesto

  • Reflete o que de fato aconteceu na Fase 4
  • Admite quando algo foi fabricado ou rebaixado
  • O placar bate com as tags das referências

✗ Banner cosmético

  • "Tudo verificado" sem ninguém ter checado
  • Zera fabricadas/rebaixadas para parecer limpo
  • Não corresponde às tags lá embaixo
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🏷️ Tags de status por citação

O banner é o resumo; as tags por citação são o detalhe. Cada referência na seção final carrega um veredito visível, para você saber, item a item, em que pé está aquela afirmação. Um verificador independente devolve um destes seis status:

CONFIRMADO

Fonte primária bate com a afirmação.

PARCIALMENTE CONFIRMADO

Parte confere; uma nuance ou ressalva ficou.

CORRIGIDO

Número/ano/autor ajustado para o valor real.

REBAIXADO

Evidência fraca: perdeu nota ou foi pra barra lateral.

NÃO VERIFICADO

Não foi possível achar a fonte primária.

FALSO

A fonte não sustenta — removido do corpo.

Por que tantas categorias? Porque "verdadeiro/falso" esconde o caso mais comum: a afirmação é quase certa, mas o número estava trocado. Veja como uma única citação caminha até ganhar sua tag:

A

A afirmação chega

"O mercado X cresceu 40% em 2024, segundo o relatório Y." Vai para um verificador junto com o número e a fonte nomeada.

B

Busca a fonte primária

O agente vai ao relatório original — não a um blog que o resumiu — e confere título, autor, ano, número e método.

C

Devolve o veredito

Acha 34%, não 40%, e que o dado é de uma pesquisa única comissionada. Veredito: CORRIGIDO + sinal de evidência fraca.

D

Vira tag + nota

A referência recebe a tag CORRIGIDO, o texto passa a dizer 34%, e a nota de confiabilidade do achado cai.

seção de referências (recorte)ilustrativo
[CONFIRMADO]   Doe et al. (2023), Nature — RCT, n=820
[CORRIGIDO]    Relatório Y (2024) — 34%, não 40%
[REBAIXADO]    Preprint Z (2024) — não revisado por pares
[FALSO]        "Estudo" sem fonte primária localizável
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📊 A hierarquia de confiabilidade na prática

No Módulo 1.3 você viu o princípio: confiabilidade = qualidade da evidência, não confiança subjetiva. Agora ele vira prática. A nota de 1 a 10 de cada achado não sai do quanto a afirmação "parece certa" — sai de onde a evidência fica na escada abaixo. Quanto mais alto o degrau, maior a nota.

Escada de evidência → nota 1–10 mais confiável Preprint nota 1–3 Analogia nota 3–4 Pesquisa única nota 5–6 Dados oficiais nota 7–8 Causal revisado por pares nota 9–10 topo da escada

A escada sobe da evidência mais frágil (preprint, embaixo) à mais forte (estudo causal revisado por pares, no topo em destaque). A posição do degrau define a faixa da nota: um número não vira "10" por convencer — vira 10 porque vem do degrau mais alto.

🟡 Novo aqui? — "causal revisado por pares"

Revisado por pares = outros especialistas avaliaram o estudo antes de publicar. Causal = o desenho mostra que A causa B (ex.: ensaio controlado randomizado), não só que andam juntos. As duas coisas somadas são o degrau mais alto. Uma analogia histórica, por mais elegante, fica embaixo: sugere, mas não prova.

Confiabilidade ≠ confiança subjetiva

Uma afirmação que "soa óbvia" pode estar no degrau de baixo (só uma analogia), e uma contraintuitiva pode estar no topo (RCT robusto). A nota segue a fonte, não a sua sensação — por isso o achado mais confortável às vezes recebe a menor nota do relatório.

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📄 Preprint × publicado / pesquisa única

Dois casos exigem mão firme na Fase 4: o preprint (estudo ainda não revisado por pares) e a pesquisa única comissionada (um número que vem de um só levantamento, muitas vezes pago por quem se beneficia dele). Os dois entram no relatório, mas com o peso certo.

📄 Preprint

Resultado divulgado antes da revisão. Pode estar certíssimo — ou cair na revisão. A regra é rebaixar: a afirmação fica, marcada como "preprint, não revisado", e a nota não pode chegar ao topo.

Status típico: REBAIXADO + sinal contestado.

📐 Pesquisa única comissionada

Um número de uma só fonte, às vezes encomendada por parte interessada. Não vire "o mercado cresceu X" — reatribua honestamente: "segundo a pesquisa Y, encomendada por Z".

Status típico: PARCIALMENTE CONFIRMADO / REBAIXADO.

✓ Tratamento correto

  • Diz o status: "preprint", "pesquisa comissionada"
  • Atribui o número à fonte real, não ao "consenso"
  • Reduz a nota de confiabilidade do achado

✗ Erro comum

  • Tratar preprint como estudo consolidado
  • Apresentar número comissionado como fato neutro
  • Dar nota alta porque "todo mundo cita"
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⚖️ A barra lateral de sinal contestado

Nem toda evidência fraca deve sumir — ela só não pode se misturar com os achados fortes. Para isso existe o sinal contestado: uma barra lateral onde vão as afirmações disputadas e os preprints, sempre acompanhadas da fonte contrária mais forte. É a forma honesta de dizer "isto está no ar" sem fingir que está resolvido.

⚖️ Sinal contestado (exemplo)

Afirmação: "A tecnologia X reduz custos em 30%." — origem: preprint de 2024, ainda não revisado.

Fonte contrária mais forte: análise oficial do setor (2023) aponta ganho de ~8% em ambientes reais. Enquanto a contradição não se resolve, o número fica aqui — fora dos achados ranqueados.

💡 Por que a fonte contrária anda junto

Mostrar só a afirmação disputada ainda dá a ela um palco. Colá-la à melhor evidência do outro lado transforma a barra lateral num mini-debate justo — e deixa claro para o leitor que ali não há um vencedor ainda. É a "pergunta empírica que resolveria" da Fase 2, em forma visível.

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🧐 Ler criticamente mesmo verificado

A Fase 4 reduz muito o risco — mas não te dispensa de pensar. Lembre da proteção central do método: o painel é construído pelo autor. As cinco lentes saíram do mesmo modelo, então a convergência entre elas é uma hipótese forte, não consenso independente do campo. Para o que importa de verdade na sua decisão, vá você à fonte primária.

✓ Leitura crítica

  • Confere você os 2–3 números que mudam sua decisão
  • Lê o banner e as tags antes de citar o relatório
  • Trata convergência como hipótese, não como prova

✗ Confiança cega

  • Copia números sem olhar a tag de status
  • Lê "5 lentes concordam" como verdade do campo
  • Ignora a barra de sinal contestado

Auto-recuperação (opcional): qual fonte sustenta a MAIOR nota de confiabilidade?

📌 Resumo do módulo

O banner precisa ser verdadeiro — N/N checadas, X fabricadas, Y corrigidas, Z rebaixadas; sem ele, não é STORM.
Cada citação ganha uma tag — de CONFIRMADO a FALSO; "corrigido" é o caso mais comum.
A nota sobe pela escada de evidência — causal revisado por pares no topo, preprint embaixo.
Mesmo verificado, leia criticamente — o painel é autoral; confira você os números que decidem.

Próximo módulo:

3.3 — Customizar e estender