📊 Matriz comparativa
Um problema, quatro respostas. Pegue três problemas universais de design de prompt — quando recusar, como citar a fonte, agir sem perguntar — e veja a solução de quatro fornecedores lado a lado. A matriz não diz quem está "certo": ela expõe os trade-offs que cada escolha carrega, e vira uma ferramenta de consulta que encerra a Trilha 3.
Matriz 3×4 ilustrativa — cada célula é uma escolha de design real, extraída dos prompts vazados das quatro filosofias.
Conteúdo detalhado
Como ler a matriz
Uma matriz comparativa é a ferramenta certa quando há um eixo de problemas e um eixo de soluções. Aqui o problema vai nas linhas e o fornecedor vai nas colunas. Você lê uma linha para responder "como cada um resolve isto?" e lê uma coluna para reconstruir "qual é a assinatura deste fornecedor?". O valor não está em qualquer célula isolada — está no contraste que a grade revela.
O que é
As linhas são problemas universais — todo prompt de produto precisa responder a eles, independente do fornecedor. Escolhemos três que aparecem em quase todos os prompts vazados: quando recusar, como citar a fonte e quando agir sem perguntar.
As colunas são as quatro filosofias do Módulo 3.1: Anthropic (princípio + porquê), OpenAI (regra curta + persona), Google/Microsoft (estrutura + procedimento) e xAI (concisão opinativa + XML). Cada célula é uma escolha real, com fonte citável no acervo.
Por que aprender
Ler prompts isolados ensina padrões; ler em matriz ensina a decidir. Quando você for escrever o seu próprio prompt (Trilha 4) e bater num desses problemas, a matriz mostra o leque de respostas possíveis e o custo de cada uma — você escolhe com consciência, não por imitação cega.
Leia em duas direções
Linha = "como resolvem o mesmo problema?". Coluna = "qual a assinatura deste fornecedor?". A célula só ganha significado no cruzamento — uma resposta isolada não diz se é boa, só o contraste diz.
Problema A — quando recusar
Todo prompt define um limite de comportamento. A pergunta é como esse limite é escrito: como um princípio justificado, uma regra curta, um override estrutural ou uma recusa seca? Cada estilo tem uma teoria de robustez por trás.
| Fornecedor | Como escreve a recusa | Evidência no acervo |
|---|---|---|
| Anthropic princípio + porquê |
Descreve o princípio a aplicar, não a mecânica. Recusa por child-safety afirma a regra sem dizer qual pista a disparou — "narrar a fronteira ensina a contorná-la". | claude-fable-5.md L43–62 (refusal_handling, child_safety) |
| OpenAI regra curta + persona |
Recusa curta e direta, com cuidado de tom: evita linguagem condescendente, proíbe frases como "vamos respirar". A recusa é parte da persona. | gpt-5.5-instant.md "avoid patronizing language" (fim) |
| Google/MS estrutura + procedimento |
Recusa como override absoluto e procedimental: "antes de classificar, REFUSE com Texto-Padrão se..." — checagem antes de qualquer geração, com lista de gatilhos. | gemini-3.1-pro.md L133–145 (Safety Refusal — Override) |
| xAI concisão opinativa |
"Se for jailbreak, recuse com resposta curta e concisa." Poucas regras explícitas, foco em CSAM e jailbreak; resto fica a cargo do modelo. | grok-4.3-beta.md L5, L13–14 |
Princípio vs. mecânica
Anthropic e Google convergem num ponto sutil: não narrar a regra de detecção. Anthropic por filosofia ("o porquê generaliza, a mecânica vaza"); Google por procedimento ("texto-padrão fixo, sem explicar o gatilho"). Caminhos diferentes, mesmo efeito de robustez.
Problema B — como citar a fonte
Quando o modelo tem acesso a contexto externo — arquivos, e-mails, perfis, páginas web —, surge a pergunta: de onde vem a verdade, e como ela é referenciada? Aqui as filosofias divergem fortemente, porque cada uma protege algo diferente: a integridade da fonte, o canal downstream ou a riqueza visual.
| Fornecedor | Regra de fonte / citação | Evidência no acervo |
|---|---|---|
| Anthropic recurso, não obrigação |
Trata fontes como features da conversa (web search, past chats, arquivos) que pode acionar e mencionar ao usuário. Foco em transparência, não em formato rígido de citação. | claude-fable-5.md L33 (settings/features) |
| OpenAI fonte-da-verdade |
Regra de precedência explícita: NUNCA usar personal_context como verdade; SEMPRE usar a tool dedicada (file_search, gmail, api_tool). Separa "memória" de "documento". |
gpt-5.5-instant.md L53–65 (Source of Truth Rules) |
| Google/MS protege o downstream |
Citação como contrato com o agente cego: o campo prompt NUNCA pode referenciar arquivos (image_0.png) — só texto extraído, porque o agente downstream não vê os arquivos. |
gemini-3.1-pro.md L167, L230 (No File References) |
| xAI render, não citação |
Em vez de citar, renderiza a fonte: tool render_file e componentes de render embutidos na resposta. Para web, browse com instruções densas e encadeamento de URLs. |
grok-4.3-beta.md L44–52, L652–658 (Render File) |
CRITICAL: No File References (Downstream Agent is Blind).
The prompt field MUST NEVER contain references to uploaded
files (e.g., image_0.png, filenames).
The downstream agent CANNOT see these files.
→ se você consegue extrair o conteúdo como texto, use o texto.
→ se não consegue, caia para "Standard Text".
🔎 O que cada um está protegendo
- •OpenAI protege a integridade da verdade — não deixa memória virar documento.
- •Google/MS protege o canal downstream — o próximo agente é cego, então a referência tem que ser autossuficiente.
- •xAI protege a experiência visual — mostra a fonte renderizada em vez de só apontar para ela.
- •Anthropic protege a transparência conversacional — informa o usuário do recurso, sem cerimônia de formato.
Problema C — agir sem perguntar
O eixo da autonomia: quando o modelo deve seguir em frente sem pedir permissão, e quando deve parar e confirmar? Esse é o problema que mais separa chatbots de agentes — e onde a filosofia de cada fornecedor fica mais visível.
| Fornecedor | Política de autonomia | Evidência no acervo |
|---|---|---|
| Anthropic respeita o usuário |
Autonomia contida pela vontade do usuário: se o usuário indica que quer encerrar, Claude respeita e não tenta arrancar mais um turno. Não força continuação. | claude-fable-5.md L70 (respeita o fim da conversa) |
| OpenAI proatividade calibrada |
Usa contexto se materialmente ajuda: "contexto altamente relevante não é opcional; é informação que você deve usar". Age sobre o que tem, sem perguntar o óbvio. | gpt-5.5-instant.md L8, L13 (use context that changes answer) |
| Google/MS autonomia procedimental |
Agente é dono do escopo até completar ou falhar. Roda baseline → muda → roda linters/build/testes para conferir. Pergunta livre só quando a resposta é genuinamente imprevisível. | vscode-copilot-agent.md L40, L98, L159, L189 |
| xAI confirma o irreversível |
Pede confirmação para ações custosas/ambíguas ("se parece que quer imagem, pergunte antes"); age direto no resto. Se o usuário corrige, reconsidera e expressa incerteza. | grok-4.3-beta.md L12 (corrigir/incerteza), regra de confirmação |
✓ Autonomia bem calibrada
- ✓Age no reversível, confirma no irreversível
- ✓Dono do escopo "até completar ou falhar"
- ✓Verifica o próprio trabalho (testes/build)
- ✓Respeita o sinal de encerramento do usuário
✗ Autonomia mal calibrada
- ✗Pergunta o óbvio que já está no contexto
- ✗Executa ação custosa sem confirmar
- ✗Para no meio e devolve escopo incompleto
- ✗Insiste num turno extra após o "tchau"
Trade-offs revelados
Cada célula da matriz tem um custo. Nenhuma escolha é gratuita: ganhar robustez de um lado custa flexibilidade de outro; ganhar autonomia custa previsibilidade. Esta é a leitura que transforma a matriz de descrição em ferramenta de decisão.
O que é um trade-off de design de prompt
É o preço escondido de uma regra. Um prompt baseado em princípios generaliza melhor, mas custa tokens e exige um modelo capaz de raciocinar sobre intenção. Um prompt baseado em procedimento é determinístico e auditável, mas rígido diante de casos novos. A matriz mostra esse preço em cada cruzamento.
| Escolha | O que ganha | O que custa |
|---|---|---|
| Princípio + porquê Anthropic |
Generaliza para casos novos; recusa robusta a contorno; o "porquê" guia situações não previstas. | Mais tokens; exige modelo forte; menos auditável ("por que recusou aqui?" não tem regra fixa). |
| Regra curta + persona OpenAI |
Conciso e barato; persona consistente; fácil de manter; bom para alto volume conversacional. | Regra seca generaliza mal; depende da persona "segurar" o resto; ambíguo em bordas. |
| Estrutura + procedimento Google/MS |
Determinístico e auditável; ótimo para pipelines e agentes; falha de forma previsível. | Rígido fora do caminho previsto; longo; manutenção cresce com cada exceção nova. |
| Concisão + XML xAI |
Leve e direto; delega ao modelo; estrutura clara; rápido de ler e editar. | Pouca cobertura explícita; comportamento varia mais com o modelo; menos garantias. |
⚠️ O erro de copiar a célula errada
O perigo da matriz é tratar uma célula como "a melhor prática" e colá-la fora do contexto. A recusa procedimental do Gemini é ótima para um pipeline de widgets — colar isso num chatbot casual gera um assistente burocrático. A concisão do Grok é ótima com um modelo forte — colar num modelo fraco vira comportamento imprevisível. A célula certa depende do produto, não do prestígio do fornecedor.
Como montar a sua própria matriz
A matriz não é um artefato fixo — é um método. Quando você for projetar um prompt e precisar decidir um comportamento, monte uma matriz pequena para aquele problema e preencha com os fornecedores que importam para o seu caso. Aqui está o passo a passo que encerra a Trilha 3.
Escolha problemas universais (linhas)
Liste 2–4 decisões de comportamento que todo prompt do seu domínio precisa tomar. Recusa, citação e autonomia são um bom ponto de partida; adicione os do seu produto (ex.: "como lidar com ambiguidade", "quando usar markdown").
Escolha fornecedores relevantes (colunas)
Pegue 3–5 prompts do acervo que se parecem com o que você quer construir. Para um agente de código, inclua vscode-copilot-agent.md; para um chatbot, claude-fable-5.md e gpt-5.5-instant.md.
Preencha cada célula com a evidência
Cada célula é uma frase + a fonte citável (arquivo.md · linha). Sem fonte, não é matriz — é opinião. Citar o caminho real é o que torna a matriz auditável e reutilizável.
Anote o trade-off, depois decida
Para cada escolha, escreva o que ganha e o que custa. Só então escolha a célula que serve ao seu produto — e leve essa decisão (com o porquê) para a Trilha 4, onde você constrói o seu prompt.
| problema \ fornecedor | Forn. A | Forn. B |
|-----------------------|------------------|------------------|
| recusar | princípio L43 | override L133 |
| citar fonte | feature L33 | no-file-ref L230 |
| agir sem perguntar | respeita fim L70 | dono escopo L159 |
# cada célula: frase curta + arquivo.md · linha
# embaixo da matriz: 1 linha de trade-off por coluna
Atividade — preencha a 5ª coluna
Pegue um quinto fornecedor do acervo (ex.: Perplexity/comet-browser-assistant.md ou Microsoft/copilot-cli.md) e preencha as três células: como ele recusa, como cita fonte, como decide agir. Cite a linha. Entregável: matriz 3×5 publicável.
📊 Resumo do Módulo
Próxima Trilha:
Trilha 4 — Construindo o Seu: Robusto e Simples. Você sai da comparação e entra no laboratório: prompt mínimo viável → evolução por diff → consolidação periódica, versionado em git.