PTENES
MODULO 6.1

🗣️ Comunicação e aprendizado

Os comandos de comunicação da família 10: comprimir sem perder o essencial, explicar no nível certo, ensinar em progressão, traduzir e reescrever preservando intenção, mudar formato e adaptar à audiência.

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📰 /brief — síntese executiva em uma tela

Entrega apenas o contexto indispensável, a decisão, as evidências, os riscos e a próxima ação. Brief não é resumo — resumo encurta tudo por igual; brief corta o que não muda a decisão e preserva o que muda.

🗜️ Os 5 blocos do brief, nesta ordem

  • •Decisão pedida ou tomada: primeira linha. Quem lê só ela já sabe do que se trata.
  • •Contexto indispensável: 2-3 frases. Se a decisão continua fazendo sentido sem a frase, corte-a.
  • •Evidências: os 2-3 fatos que sustentam — com fonte.
  • •Riscos: o que pode dar errado e o que se faz se der.
  • •Próxima ação: quem faz o quê até quando.

🎯 Copie e rode

/brief sobre <documento, análise ou situação>; decisão na primeira linha, contexto em até 3 frases, 3 evidências com fonte, 2 riscos com mitigação e próxima ação com dono e data; máximo de 200 palavras

Como verificar: cabe numa tela de celular sem rolar — e a primeira linha sozinha já diz o que está em jogo.

✓ Brief que decide

  • ✓"Recomendo migrar para o gateway B em outubro. Custo cai 18% (proposta anexa); risco: 1 semana de integração — Ana lidera, plano B: manter A até dezembro."
  • ✓Quem lê em 40 segundos consegue dizer sim, não ou "preciso saber X".

✗ Resumo que informa

  • ✗"Este documento analisa as opções de gateway de pagamento considerando diversos fatores relevantes ao contexto atual da empresa..."
  • ✗Três parágrafos depois, a recomendação ainda não apareceu.
2

💬 /explain — explique para o nível certo

Adapta profundidade e vocabulário ao nível do público e usa exemplos quando melhoram a compreensão. O parâmetro que faz o comando funcionar é o nível — sem ele, o modelo chuta um público médio que não existe.

NívelO que mudaExemplo para "API"
LeigoAnalogia do cotidiano, zero jargão"É o garçom entre você e a cozinha: você pede, ele traz."
Iniciante técnicoConceito + um exemplo concreto"Um endereço que aceita pedidos em formato definido e devolve dados."
ProfissionalPrecisão, trade-offs, sem analogia"Contrato REST ou gRPC, versionado, com autenticação e limites de taxa."

O mesmo conceito, três explicações corretas — a diferença é para quem.

🎯 Copie e rode

/explain <conceito> para <nível: leigo | iniciante técnico | profissional | especialista>; ajuste vocabulário e profundidade, use no máximo um exemplo e diga o que deixou de fora por causa do nível

Como verificar: a última parte ("deixei de fora X") existe — é o que impede a explicação simples de virar explicação errada.

💡 Dica prática

Peça "explique para e depois me diga o que um perguntaria". Você recebe a explicação certa e o próximo degrau — útil para quem vai ensinar (próximo tópico).

3

🎓 /teach — ensine progressivamente

Organiza conceito, intuição, exemplo, prática, erro comum e verificação de aprendizado. Seis estágios em ordem fixa — porque pular a intuição produz decoreba e pular a verificação produz falsa confiança.

1

Conceito e intuição

Nome + definição em uma frase, depois a imagem mental: "pense nisso como...". A intuição vem antes do rigor.

2

Exemplo e prática

Um exemplo resolvido, depois um problema parecido para a pessoa fazer. Sem prática, o exemplo é entretenimento.

3

Erro comum e verificação

O erro que todo iniciante cometeu, nomeado; depois uma pergunta que só quem entendeu acerta.

Novo aqui? Verificação de aprendizado é uma pergunta ou tarefa curta que distingue quem entendeu de quem decorou. "O que é X?" testa memória; "o que aconteceria com X se Y mudasse?" testa compreensão. A segunda é a que vale.

🎯 Copie e rode

/teach <conceito> para <perfil do aprendiz>; conceito em uma frase, intuição com imagem mental, exemplo resolvido, exercício para praticar, o erro mais comum e uma pergunta de verificação que exige compreensão (não memória)

Como verificar: a pergunta final não pode ser respondida copiando a definição — se pode, é memória, não verificação.

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🔤 /translate + /rewrite — intenção preservada

/translate mantém significado, tom e termos técnicos, adaptando só o necessário. /rewrite preserva o essencial e otimiza para um objetivo declarado: clareza, tom, persuasão ou concisão. Nenhum dos dois inventa conteúdo — os dois protegem a intenção.

✓ Reescrita com objetivo

  • ✓"/rewrite objetivo=concisão: corte 40% mantendo todos os números e a chamada à ação."
  • ✓"/translate para en-US mantendo os termos técnicos em inglês já usados e o tom informal."

✗ Reescrita à deriva

  • ✗"Melhora esse texto" — melhora para quê? O modelo escolhe um objetivo aleatório e você não sabe qual.
  • ✗Tradução que "adapta" a piada, o exemplo e a ordem dos argumentos — e devolve outro texto.

🎯 Copie e rode

/rewrite <texto> com objetivo=<clareza | tom X | persuasão | concisão N%>; preserve todos os fatos, números e a CTA; liste ao final o que mudou e por quê

Como verificar: a lista de mudanças não contém nenhum fato novo nem nenhum fato removido — só forma.

💡 Dica prática

Para tradução de material técnico, passe um glossário: "mantenha em inglês: deploy, endpoint, webhook". Evita que "deploy" vire "implantação" no meio de um tutorial que usa o termo em inglês.

5

🧾 /format — transforme formato, não conteúdo

Converte a mesma informação para tabela, JSON, checklist, memo, roteiro ou outro formato. A regra de ouro: nada entra, nada sai — só a forma muda. Se o formato novo "precisou" de um dado a mais, o comando errado foi usado.

UsoFormatoPor quê
Comparar opçõesTabelaOlho percorre colunas; diferenças saltam
Executar sem esquecerChecklistCada linha é binária e riscável
Alimentar sistema ou agenteJSONMáquina lê sem interpretar
Convencer alguém ocupadoMemo de uma páginaDecisão no topo, argumento embaixo
Gravar vídeo ou apresentarRoteiro com tempoFala tem ritmo; texto corrido não

Escolha o formato pelo que a pessoa vai FAZER com a informação, não pelo que fica bonito.

🎯 Copie e rode

/format <conteúdo> para <tabela | checklist | JSON com schema X | memo | roteiro>; não adicione nem remova informação; ao final, confirme que todos os itens do original estão presentes

Como verificar: a confirmação final lista os itens do original e marca cada um como presente — nenhum "adaptado" ou "resumido".

Novo aqui? Schema é a definição da estrutura de um JSON: quais campos existem, de que tipo e quais são obrigatórios. Pedir "/format para JSON" sem schema devolve uma estrutura inventada; com schema, devolve exatamente a que o seu sistema espera.

6

👥 /audience — adapte à audiência

Ajusta linguagem, exemplos, profundidade, objeções e chamada à ação para o público definido. É /explain com dois ingredientes a mais: as objeções que aquela audiência vai levantar e o que você quer que ela faça depois de ler.

🎯 O que muda por audiência

  • •Exemplos: o financeiro entende "R$ 40 mil/ano"; o técnico entende "3 sprints"; o cliente entende "uma tarde a menos por semana".
  • •Objeções: cada público tem a sua — custo, risco técnico, tempo de adaptação. Antecipe a certa.
  • •CTA: "aprove o orçamento", "revise a arquitetura", "teste grátis por 14 dias" — três públicos, três verbos.

🎯 Copie e rode

/audience <mensagem> para <público: cargo, nível técnico, o que ele ganha e o que ele teme>; ajuste exemplos e profundidade, antecipe as 2 objeções mais prováveis desse público e termine com a chamada à ação certa para ele

Como verificar: as objeções antecipadas são as que ESSE público faria — não objeções genéricas. E a CTA é um verbo que esse público pode executar.

⚠️ Adaptar não é bajular

Adaptar à audiência muda exemplos, ordem e ênfase — não muda fatos, riscos ou a recomendação. Se a versão para o diretor esconde o risco que a versão para o time mostra, isso não é /audience, é omissão.

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🔗 Pipeline /brief → /explain → /audience

Os comandos de comunicação ganham força em cadeia. A ordem comprimir → calibrar → adaptar não é arbitrária: cada estágio trabalha sobre a saída do anterior, e inverter qualquer par desperdiça trabalho.

Conteúdo bruto, longo /briefo que é indispensável? /explainque profundidade? /audiencepara quem, com que objeção? Mensagem que chega a ordem importa: comprimir antes de adaptar evita adaptar o que vai ser cortado

Ilustrativo: três perguntas em sequência — o que é indispensável, que profundidade, para quem.

🎯 Copie e rode

/chain(/brief -> /explain nível=<nível> -> /audience público=<público>) sobre <documento>; mostre a saída de cada etapa separadamente antes da versão final

Como verificar: a saída do /brief já está dentro da saída do /explain, que está dentro da final — nada foi reintroduzido depois de cortado.

💡 Receita composta

Rode a cadeia uma vez por público: /chain(/brief -> /audience público=diretoria), depois ... público=time técnico. O /brief é o mesmo; só o último estágio muda. É assim que uma análise vira três mensagens sem virar três análises.

Novo aqui? Passagem de saída é o mecanismo do /chain (detalhado no módulo 6.2): o resultado de um comando entra como insumo do próximo, sem você copiar e colar. É o que garante que o /audience trabalhe sobre o brief — e não sobre o documento original de novo.

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🛠️ Oficina: um email em 4 formatos

Hora de rodar tudo junto. Pegue um e-mail real — de preferência um que você precisou mandar para mais de uma pessoa e mandou igual para todas. Ele vai virar quatro peças, com o mesmo conteúdo e leitores diferentes.

1

Versão 1 — quem aprova

/brief /audience público=diretoria. Decisão na primeira linha, custo e risco, CTA "aprovar até sexta".

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Versão 2 — quem executa

/explain nível=profissional /audience público=time técnico. Trade-offs explícitos, objeção antecipada: "vai atrasar a entrega X?".

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Versão 3 — quem opera

/format checklist. Cada passo binário, ordem de execução, o que verificar.

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Versão 4 — parceiro externo

/translate en-US /rewrite objetivo=tom formal. Termos técnicos preservados, informação interna removida — e declarada como removida.

🎯 Copie e rode

/chain(/brief -> /audience público=diretoria) sobre <cole o e-mail>; depois /explain nível=profissional /audience público=time técnico; depois /format checklist; depois /translate en-US /rewrite objetivo=formal. Ao final, tabela: cada fato do original × presente em qual versão

Como verificar: a tabela final mostra todos os fatos do original presentes nas versões 1-3; na versão 4, cada ausência é declarada e justificada ("informação interna").

✓ Oficina bem feita

  • ✓Quatro textos com tamanhos muito diferentes e o mesmo conjunto de fatos.
  • ✓Você consegue apontar, em cada versão, qual comando produziu qual mudança.

✗ Oficina que virou reescrita

  • ✗Quatro textos parecidos com sinônimos trocados.
  • ✗A versão para diretoria tem 3 parágrafos de contexto — o /brief não rodou, só foi citado.

Auto-verificação rápida (opcional): qual a diferença entre /brief e um resumo comum?

🎓 Resumo do Módulo

✓
Brief corta pela decisão — decisão na primeira linha, evidência com fonte, próxima ação com dono.
✓
Nível é parâmetro, não chute — /explain e /teach calibram profundidade; /teach acrescenta prática e verificação.
✓
Forma muda, intenção não — /translate, /rewrite e /format trocam a superfície e preservam fatos, tom e CTA.
✓
Adaptar é antecipar objeção — /audience escolhe exemplo, objeção e verbo para cada público — sem esconder risco.

Próximo Módulo:

6.2 - Meta-comandos e maestria — /mode, /chain e /preset: os três comandos que operam sobre os outros 97 e fecham o curso.

Trilha 6:
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Curso:
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