🔁 Loop Engineering
Antes de compor loops num grafo, voce precisa acertar um loop. Esta trilha e sobre o ciclo que fez a IA parar de precisar de baba a cada passo — e sobre os quatro jeitos estruturais de ele te trair enquanto o painel continua verde.
O que olhar: a caixa em destaque e verificar, nao “agir”. Todo mundo se preocupa em fazer o agente agir bem; o que decide a qualidade do loop e o passo que julga se ja esta bom. E repare que so existem duas saidas de “verificar”: mais uma volta, ou parar. Se a segunda nao existir, o loop nao termina.
Mapa da trilha
Conteudo detalhado
🔁 Anatomia do loop
O ciclo descobrir → planejar → agir → verificar → parar, a condicao de parada, o que atravessa as voltas e os tipos de loop.
Descobrir o proximo pedaco de trabalho → planejar → agir → checar o resultado → continuar ou parar. Esse e o loop agentico, e ele cabe numa folha.
Porque projetar o ciclo substitui escrever prompt atras de prompt. Voce para de dizer “faca isso” e passa a dizer “repita ate ficar assim”.
O loop e um grafo com ciclo. Os cinco passos sao nos; as transicoes sao arestas; “parar” e a unica aresta que sai do ciclo.
A regra que diz quando o loop terminou. Pode ser “o teste passou”, “duas voltas sem melhora”, “gastou X dolares” ou “um humano aprovou”.
Loop sem condicao de parada nao e agente, e torneira aberta. E a parada quase sempre precisa de camadas: criterio normal + teto + humano.
Parada por sucesso ≠ parada por desistencia. As duas precisam existir — e a de desistencia precisa avisar alguem.
A cada volta o agente carrega alguma coisa: o historico, o que ja tentou, o que aprendeu. Isso e o estado do loop.
Carregar demais entope a janela de contexto e o agente comeca a se confundir com o proprio rastro. Carregar de menos faz ele repetir erro que ja cometeu.
Decida explicitamente o que passa entre voltas — e o embriao do state schema que a Trilha 4 vai formalizar.
Rodar o mesmo prompt em loop ate o objetivo ser atingido — a versao mais “engolivel” do loop engineering, popularizada a partir do metodo Ralph, de Geoffrey Huntley.
Porque foi ela que virou o rosto da tecnica — e a versao simples acabou representando a ideia inteira. Muita gente comecou ali e evoluiu; muita gente parou ali.
A versao simples nao e a versao errada; e a versao incompleta. Loop engineering de verdade e desenhar o ciclo e o teste de saida.
Loop fechado mede o resultado e usa essa medida pra corrigir a proxima volta. Loop aberto so repete, sem olhar o efeito.
Sem realimentacao voce nao tem um agente, tem um cron job caro. A realimentacao e o que faz o loop convergir em vez de so gastar.
Fechado = mede e corrige. E a qualidade da medida vira o teto da qualidade do loop — o assunto do modulo 2.2.
Um loop externo que decide o que fazer e, dentro de cada volta, um loop interno que executa. Ex.: “pra cada arquivo da lista, refatore ate os testes passarem”.
E aqui que o loop comeca a virar grafo sem voce perceber: cada volta do externo e um no; o loop interno e o que roda dentro daquele no.
Loop aninhado e a ponte natural pro grafo. Quando os internos passam a precisar conversar entre si, o loop externo nao da mais conta.
🔬 O verificador e o gargalo
A frase que resume a disciplina: pare de escrever prompts, comece a escrever verificadores. O que e um bom teste de saida e por que revisar no mesmo contexto nao vale.
O verificador e o passo que decide “ja esta bom?”. Ele define o que o loop persegue — e, portanto, o teto de qualidade que o loop consegue atingir.
Um loop com prompt medio e verificador otimo converge pra algo bom. Um loop com prompt otimo e verificador fraco converge pra algo que parece bom.
Invista onde esta o gargalo. Na pratica: escreva o verificador antes do prompt.
Compila → lint → teste automatizado → outro modelo julgando → humano. Cada degrau custa mais e captura um tipo diferente de erro.
Voce nao escolhe um: voce empilha. Rode os baratos toda volta e os caros so quando os baratos passaram.
Verificador deterministico (teste) > verificador probabilistico (modelo) sempre que existir um. Modelo julgando e o ultimo recurso, nao o primeiro.
Quando o mesmo agente, na mesma conversa, escreve e depois “revisa”, ele quase sempre aprova. Ele ja esta convencido — o raciocinio que produziu o texto esta ali do lado.
E o defeito mais comum e mais invisivel do loop unico. O relatorio diz “revisado”, e ninguem revisou nada.
Revisao exige contexto limpo: quem julga nao pode ver como o trabalho foi feito, so o resultado e o criterio. Esse e um dos motivos de existir grafo.
Todo verificador compara o resultado com alguma referencia: um teste que passa, um exemplo aprovado, uma regra escrita, um numero alvo.
Se a referencia e vaga (“que fique bom”), o verificador vira opiniao e o loop vira sorte. Referencia concreta e o que torna a verificacao repetivel.
Escreva a referencia antes de rodar. Se voce nao consegue escrever, provavelmente ainda nao sabe o que quer — e nenhum loop resolve isso.
Testes que param de cobrir o que mudou, dados que envelhecem, definicoes de metrica que mudam por baixo sem ninguem avisar. O painel continua verde.
E a falha mais silenciosa de todas: a medicao desliza de “checar a realidade” pra “checar o papel” — um numero conferido contra outro numero.
Verificador tambem precisa de manutencao e de auditoria periodica. Quem checa o checador? Alguem tem que checar.
Antes de escrever o prompt do agente, escreva como voce vai saber que ele acertou. Rode o verificador contra um resultado ruim de proposito e veja se ele reprova.
Verificador que nunca reprova nada nao esta verificando. Testa-lo contra um caso ruim conhecido e o unico jeito de saber que ele funciona.
Verificador primeiro = mesma logica de escrever o teste antes do codigo. E ele vira, mais tarde, um no do seu grafo.
💥 Onde o loop quebra
Quatro falhas estruturais — nao bugs. Cada uma acontece com o loop funcionando perfeitamente, e e por isso que elas motivam o grafo.
Um loop so enxerga a metrica dele — e por isso vai achar todos os jeitos de mover esse numero, inclusive os que traem o proposito dele.
Isso nao e mau funcionamento: e o loop fazendo exatamente o que voce mandou, num numero que silenciosamente se descolou da realidade que ele representava.
Quando a medida vira alvo, ela deixa de ser boa medida. Uma metrica sozinha sempre acaba burlada.
O loop persegue uma referencia, mas nada dentro dele pode perguntar se a referencia esta certa. O termostato mantem 20 graus; ele nao consegue se perguntar se 20 e a temperatura certa.
Um agente perfeitamente executivo pode passar meses otimizando a coisa errada com excelencia. E ninguem dentro do loop tem como notar.
Questionar o objetivo exige alguem fora do loop — um no acima, no grafo, ou um humano.
O loop de velocidade briga com o de qualidade; o de contratacao pressiona o de cultura. Como dois ar-condicionados mal configurados: um esquenta, o outro esfria, os dois “funcionando”.
Examinado sozinho, cada loop passa no exame. A mentalidade de loop unico nao tem vocabulario pra descrever a colisao.
Colisao entre loops so aparece quando voce desenha as arestas entre eles — ou seja, quando voce vira um grafo.
Sensores desregulam, pipelines de dados apodrecem, a definicao da metrica muda por baixo. A verificacao escorrega de checar a realidade pra conferir papel com papel.
E a falha mais quieta — nao ha alarme, porque o alarme depende da mesma medicao que quebrou.
Precisa de uma checagem externa e periodica contra a realidade. Ninguem vigia o vigia por conta propria.
Num loop unico, tudo acontece na mesma janela: HTML bruto da busca, meio-rascunho, raciocinio antigo — tudo boiando junto na hora de decidir.
Esse caldo e o que produz a revisao de mentira do modulo 2.2 e o que faz o agente “esquecer” a instrucao original la de cima.
Contexto limpo por papel e um dos ganhos concretos e mensuraveis do grafo — nao e retorica.
Um loop le as fontes uma de cada vez porque loop e, por definicao, uma coisa depois da outra. Ele nao tem como abrir dez frentes e juntar depois.
Esse e o unico limite do loop que nenhum prompt melhor resolve. E, por isso, e o argumento mais honesto a favor do grafo.
Abrir em N e juntar (fan-out / fan-in) e uma primitiva de grafo. Um loop nao consegue fazer isso por mais bem escrito que esteja.