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MODULO 3.1

πŸͺœ As cinco camadas

Prompt, contexto, harness, loop, grafo. Cinco camadas, cada uma embrulhando a de baixo. A maioria dos problemas de agente que voce achava que era "prompt ruim" mora numa camada mais funda β€” e subir de camada sem dominar a de baixo so multiplica o problema.

6
Topicos
40
Minutos
Intermediario
Nivel
Base
Tipo
Progresso deste modulo
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1

πŸ’¬ Comece pelo prompt: o que voce pede

A primeira camada e a que todo mundo conhece: o prompt, o texto que voce escreve pedindo alguma coisa pro modelo. E tambem a camada onde a maioria das pessoas empaca β€” quando o agente faz besteira, o reflexo e "deixa eu reescrever o prompt". As vezes funciona. Na maioria das vezes, so adia o problema.

Melhorar prompt tem retorno decrescente rapido: as primeiras melhorias (ser especifico, dar exemplo, pedir formato de saida) resolvem muita coisa. Depois de um certo ponto, adicionar mais instrucao no prompt para de mexer no resultado. Isso e sinal β€” nao de que voce escreveu mal, mas de que o problema mudou de endereco.

πŸ†• Novo aqui? Tres palavras antes de seguir

  • Harness: a infraestrutura em volta do modelo β€” quais ferramentas ele tem, que permissoes, como a saida e capturada. Sem harness, o modelo so conversa; com harness, ele age.
  • Janela de contexto: a quantidade de texto (medida em tokens) que o modelo consegue "ver" de uma vez ao responder. Passou do limite, ele esquece o que veio antes.
  • Orcamento de token: quanto texto (entrada + saida) voce se permite gastar numa chamada ou numa tarefa inteira β€” e o limite pratico de custo e de contexto.
prompt o que voce pede contexto o que ele sabe harness o que ele pode fazer loop quantas vezes tenta grafo como os loops se ligam cada degrau embrulha o de baixo β€” voce nao troca um pelo outro

O que olhar: a linha tracejada sobe sem quebrar β€” cada degrau esta em cima do anterior, nao no lugar dele. O brilho fica so no ultimo degrau, "grafo", que e o horizonte deste modulo. Guarde a ordem: e nela que voce vai diagnosticar onde um agente quebrado esta realmente travado.

βœ“ Prompt resolve

  • βœ“Formato de saida errado (pediu texto, veio JSON malformado)
  • βœ“Tom ou nivel de detalhe fora do esperado
  • βœ“Ambiguidade genuina na instrucao ("resuma" β€” em quantas linhas?)

βœ— Prompt nao resolve

  • βœ—O agente nao tem acesso ao arquivo que precisa ler (e harness)
  • βœ—Ele "esqueceu" uma instrucao dada 40 mil tokens atras (e contexto)
  • βœ—Ele para de tentar de novo depois do primeiro erro (e loop)

Conceitos-chave

Camada 1

A mais visivel, a mais tentada

Retorno decrescente

Melhora rapido, depois emperra

Sintoma vs causa

Prompt ruim as vezes e sintoma de outra camada

Teste do platΓ΄

Parou de melhorar? Suba de camada

2

🧠 Controle o contexto: o que ele sabe

A segunda camada e o contexto: tudo que o agente "enxerga" no momento de agir β€” arquivos abertos, historico da conversa, documentacao anexada, saida de uma ferramenta que ele acabou de rodar. O prompt e o que voce pede; o contexto e o que ele sabe enquanto responde. Sao coisas diferentes, e confundi-las e o erro mais comum depois do prompt.

Todo modelo tem uma janela de contexto limitada. Quando ela enche de coisa irrelevante β€” logs verbosos, arquivos que ninguem precisa, historico repetido β€” o modelo comeca a "esquecer" o que importa, mesmo que a instrucao original estivesse perfeita. Contexto errado derruba prompt bom; nao existe prompt bom o suficiente pra compensar uma janela de contexto poluida.

πŸ“Š O que costuma entupir a janela de contexto

  • Saida de ferramenta bruta β€” um log de 500 linhas quando so 3 importavam
  • Historico acumulado β€” 40 idas e vindas de uma conversa que devia ter sido resetada
  • Documentacao inteira β€” colar o manual todo em vez do trecho relevante
  • Instrucao desatualizada β€” regra antiga que ninguem removeu e ainda compete por atencao

βœ“ Contexto bem cuidado

  • βœ“So o trecho de arquivo que sera editado, nao o repositorio inteiro
  • βœ“Saida de ferramenta resumida antes de voltar pro modelo
  • βœ“Historico podado quando a tarefa muda de fase

βœ— Contexto que sabota

  • βœ—Colar tudo "pra garantir" β€” o modelo nao pesa importancia igual voce
  • βœ—Deixar erro de uma tentativa anterior contaminar a proxima sem marcar que foi resolvido
  • βœ—Nunca podar β€” a janela so cresce ate estourar

πŸ’‘ Dica pratica

Antes de reescrever um prompt que "nao esta funcionando", olhe pra dentro da janela de contexto naquele momento. Se tem coisa ali que voce mesmo nao conseguiria usar pra responder direito, o modelo tambem nao vai conseguir. Limpar contexto costuma resolver o que reescrever prompt nao resolveu.

Conceitos-chave

Camada 2

O que o agente sabe, nao o que voce pede

Janela finita

Tem teto de tokens, sempre

Poluicao

Irrelevante compete com o que importa

Podar > acumular

Contexto pede curadoria continua

3

🧰 Monte o harness: com o que ele age

A terceira camada e o harness: a infraestrutura em volta do modelo. Quais ferramentas ele tem (ler arquivo, rodar comando, chamar uma API), com que permissoes, como a saida de cada ferramenta e capturada e devolvida pro modelo, o que acontece quando uma ferramenta falha (retentativa β€” tentar de novo automaticamente), e quanto orcamento de token a tarefa inteira tem pra gastar.

Prompt diz o que; harness diz com o que. Um agente com prompt perfeito e harness pobre (sem acesso ao arquivo certo, sem permissao pra rodar o comando que resolveria o problema) fica travado do mesmo jeito β€” e nenhuma reescrita de prompt destrava, porque o problema nunca esteve no texto.

1

Ferramentas e permissoes

O que o agente pode chamar, e o que ele pode fazer com cada chamada.

Ler e diferente de escrever; escrever num arquivo e diferente de rodar um comando no sistema. Cada nivel e uma decisao de risco.

2

Captura de saida e retentativa

O que volta pro modelo depois de uma chamada de ferramenta, e o que acontece se ela falhar.

Retentativa (retry): tentar de novo automaticamente apos uma falha, geralmente com limite de tentativas.

3

Orcamento de token

O teto de gasto (entrada + saida) pra chamada ou pra tarefa inteira.

Sem orcamento definido, um agente com loop pode consumir credito indefinidamente antes de alguem perceber.

⚠️ Sinal de que o problema e harness, nao prompt

Se voce pede a mesma coisa de dois jeitos diferentes e o agente falha do mesmo jeito nos dois β€” checando arquivo errado, sem permissao pra rodar o teste, sem ferramenta pra validar o proprio trabalho β€” o prompt nao e o gargalo. E a infraestrutura em volta que precisa mudar.

Conceitos-chave

Camada 3

Com o que ele age, nao o que ele sabe

Ferramentas

O que esta disponivel pra chamar

Permissao

O que ele pode, nao so o que existe

Orcamento de token

O teto de gasto da tarefa

4

πŸ” Desenhe o loop: quantas vezes e como para

A quarta camada e o loop: quantas vezes o agente tenta e como ele sabe que terminou. Essa e a Trilha 2 inteira condensada β€” descobrir, planejar, agir, verificar, parar. E a camada onde voce para de escrever prompt e passa a projetar ciclo: nao e mais sobre o que pedir numa unica chamada, e sobre como o sistema se comporta ao longo de varias.

Um agente pode ter prompt otimo, contexto limpo e harness bem montado e ainda falhar β€” porque ninguem desenhou a condicao de parada, ou porque o verificador (o que decide se o resultado ta bom) esta ausente ou fraco. Nesse ponto, mais prompt nao ajuda: o que falta e desenho de loop.

🎯 A pergunta que muda quando voce sobe pra esta camada

Nao e mais "o que eu peco?" β€” e "quantas voltas isso leva, e o que me diz que acabou?"

Se a resposta for "nao sei, ele para quando cansa" ou "nao sei, roda ate estourar o orcamento", o loop nao esta desenhado β€” esta acontecendo por acidente.

Conceitos-chave

Camada 4

Quantas vezes e como sabe que terminou

Condicao de parada

Sem ela, roda pra sempre

Verificador

O que decide se passou

Projetar > pedir

Sistema, nao chamada unica

5

πŸ•ΈοΈ Ligue os loops num grafo: quantos e como se conectam

A quinta camada so faz sentido depois das outras quatro: quantos loops voce tem, e como eles se ligam. Um grafo, aqui, e literalmente varios loops (ou nos sem loop nenhum) conectados por arestas β€” o pesquisador manda pro escritor, o escritor manda pro revisor, o revisor pode devolver pro escritor. Cada um desses e um no; a rede toda e o grafo.

Subir pra esta camada sem dominar as quatro de baixo multiplica o problema em vez de resolver. Se um loop individual ja nao tem condicao de parada clara, colocar tres desses loops num grafo nao cria tres problemas β€” cria um problema combinatorio, porque agora cada loop mal desenhado pode contaminar os vizinhos.

πŸ’‘ Dica pratica

Antes de desenhar um grafo, pergunte: cada no individual, isolado, ja funciona como loop β€” com condicao de parada e verificador proprios? Se a resposta pra qualquer um deles for nao, resolva ali primeiro. Grafo nao conserta loop quebrado, so espalha a quebra.

Conceitos-chave

Camada 5

Quantos loops e como se ligam

No = loop (ou menos)

Cada no pode ser um loop inteiro

Pre-requisito

So sobe quem domina a camada 4

Multiplica, nao resolve

Grafo sobre loop quebrado piora

6

βš–οΈ Compare os dois harnesses: script Γ— runtime distribuido

O harness de UM loop cabe num script: entrada de prompt, janela de contexto, orcamento de token, logica de retentativa, captura de saida. Voce escreve isso numa tarde. O harness de um GRAFO faz tudo isso e mais: roteamento de mensagem entre nos, isolamento de falha de um no (um no cair nao pode derrubar o grafo inteiro), consistencia de estado entre nos (o que um no sabe tem que bater com o que o proximo espera), criacao dinamica de no (o grafo decide em tempo de execucao que precisa de mais um no), e observabilidade do grafo inteiro.

Observabilidade, aqui, e a capacidade de responder: quais nos rodaram, em que ordem, com que latencia (tempo de execucao). Num script de um loop so, essa pergunta e trivial β€” rodou uma vez, rodou de novo, parou. Num grafo com nos paralelos e roteamento condicional, sem instrumentacao voce simplesmente nao sabe o que aconteceu. E exatamente por isso que frameworks de orquestracao (ferramentas que coordenam varios agentes/nos) ganham tracao quando a conversa vai de loop pra grafo: eles resolvem esse pacote de problemas de runtime distribuido β€” um sistema onde varias partes rodam de forma coordenada, cada uma podendo falhar independente das outras β€” em vez de deixar cada equipe reinventar isso na mao.

harness de loop contexto orcamento retry saida cabe num script harness de grafo roteamento entre nos isolamento de falha consistencia de estado spawn dinamico de no observabilidade (quem/ordem/latencia) e mais parecido com um runtime distribuido do que com um script

O que olhar: compare o tamanho das duas caixas. A caixa da esquerda tem 4 responsabilidades e cabe numa tarde de trabalho. A caixa da direita tem 5 responsabilidades β€” e cada uma delas, sozinha, e um projeto de engenharia (isolamento de falha, por exemplo, e o assunto inteiro de sistemas distribuidos classicos). Isso explica por que "so adicionar mais um agente" nunca e "so".

ResponsabilidadeHarness de loopHarness de grafo
Entrada de prompt1 ponto de entrada1 por no, roteado
FalhaPara o loop inteiroIsolada, nao derruba o grafo
EstadoUma variavel localPrecisa de schema entre nos
ObservabilidadeUm log linearTrace de nos, ordem, latencia

πŸ§ͺ Exemplo pratico: diagnostique em qual camada esta o problema

Objetivo: parar de reescrever prompt no escuro. Um prompt pronto pra rodar no Claude Code (ou qualquer assistente agentico) que forca a passar pelas cinco camadas antes de aceitar "melhore o prompt" como resposta.

Meu agente faz <o que ele faz de errado> quando eu peco <a tarefa>.

Antes de sugerir qualquer mudanca, analise as cinco camadas NESTA ORDEM
e descarte cada uma explicitamente antes de passar pra proxima:

1. PROMPT β€” a instrucao em si tem ambiguidade real, ou ja e clara?
2. CONTEXTO β€” o que o agente "ve" no momento de agir esta limpo,
   ou tem coisa irrelevante competindo com o que importa?
3. HARNESS β€” ele tem a ferramenta certa, com a permissao certa,
   e a saida dela volta pra ele de um jeito util?
4. LOOP β€” existe condicao de parada e verificador? Ele sabe quando
   "terminou" de verdade, ou so para de tentar?
5. GRAFO β€” se ha mais de um agente/etapa, o problema esta na
   ligacao entre eles (roteamento, estado que vaza) e nao dentro
   de um unico no?

Para cada camada, diga "descartada" ou "e aqui" com uma frase de
justificativa. So recomende uma mudanca depois de passar pelas cinco.

Como verificar: se a resposta for so "melhore o prompt assim..." sem mencionar as outras quatro camadas, o modelo pulou o diagnostico β€” peca de novo, insistindo pra ele descartar camada por camada, na ordem, antes de recomendar qualquer coisa.

Agora troque pelo seu: substitua <o que ele faz de errado> e <a tarefa> pelo caso real que voce tem em maos.

Checagem rapida (nao bloqueia nada): seu agente com UM so loop ja funciona bem sozinho, mas voce quer adicionar um segundo agente que revisa o resultado dele. O que essa mudanca exige que um harness de loop simples nao tinha?

Conceitos-chave

Script Γ— runtime

Diferenca de porte, nao de grau

5 responsabilidades novas

Roteamento, isolamento, estado, spawn, observabilidade

Observabilidade

Quem rodou, em que ordem, com que latencia

Orquestracao

Por isso frameworks ganham tracao aqui

πŸ“Œ Resumo do Modulo

βœ“
Prompt = o que voce pede β€” a camada mais visivel, com retorno decrescente rapido.
βœ“
Contexto = o que ele sabe β€” janela finita; contexto poluido derruba prompt bom.
βœ“
Harness = com o que ele age β€” ferramentas, permissoes, retentativa, orcamento de token.
βœ“
Loop = quantas vezes e como para β€” a Trilha 2 inteira, condensada numa camada.
βœ“
Grafo = quantos loops e como se ligam β€” so faz sentido depois das quatro de baixo dominadas.
βœ“
Harness de grafo e runtime distribuido β€” roteamento, isolamento de falha, estado, spawn dinamico, observabilidade.

Proximo Modulo:

3.2 β€” O comparativo de verdade: agentic, loop e graph lado a lado, no mesmo caso β€” o daily brief.