π± Modele o funil como grafo
Pegue o funil que voce ja tem na cabeca: campanha, trafego, landing, signup, ativacao, retencao, LTV, churn. Cada um vira um no β um estado pelo qual o cliente passa. Cada seta e a taxa de conversao entre um estado e o proximo: quantos por cento saem de um no e chegam no seguinte.
π Novo aqui? Quatro termos antes de seguir
- CAC (custo de aquisicao de cliente): quanto voce gasta, em media, pra conseguir um cliente novo β soma o que foi pra campanha e divide pelos clientes que vieram.
- LTV (lifetime value): quanto um cliente gera de receita, no total, enquanto continua pagando.
- Ativacao: o momento em que o cliente novo usa o produto de verdade pela primeira vez β nao so se cadastrou, mas fez a coisa que prova valor.
- Retencao / churn: retencao e a fatia de clientes que continua; churn e o oposto β a fatia que cancela ou some.
So o exercicio de escrever essa fila de nos ja costuma expor problema: alguem sempre percebe que nunca mediu a taxa entre duas etapas especificas β normalmente entre "signup" e "ativacao", que e onde a maioria dos produtos perde gente sem perceber. Nomear o no obriga voce a admitir que aquele numero nao existe.
Conceitos-chave
Etapa pela qual o cliente passa
Conversao entre dois estados
Etapa sem taxa medida aparece
Funil e um pipeline ainda
π Marque as arestas de realimentacao
Duas arestas voltam pro comeco do funil, e sao elas que fazem o sistema ter comportamento proprio. A primeira: o cliente que cancela (churn) vira dado que muda a campanha β voce olha quem cancelou e ajusta pra quem anuncia. A segunda: o CAC alimenta a decisao de quanto orcamento a campanha recebe no proximo ciclo.
π Novo aqui? Realimentacao
Realimentacao (feedback): quando a saida de um processo volta a influenciar sua propria entrada. No grafo, e uma aresta que sai la na frente e volta pra um no anterior β o mesmo ciclo que voce ja viu na Trilha 1, so que agora com metrica de negocio nas pontas.
π― Por que isso importa
E essa volta que faz o sistema ter comportamento proprio β e e exatamente o que um agente miope, olhando uma metrica so (por exemplo "baixar o CAC"), nao ve. Ele corta orcamento de campanha, o CAC cai no relatorio, e ninguem percebeu que o publico mais barato tambem tem churn maior β o LTV desaba tres meses depois.
β Realimentacao bem marcada
- β"Churn atualiza o perfil de quem NAO anunciar pra"
- β"CAC do mes alimenta o teto de orcamento do proximo"
- βA aresta tem um rotulo dizendo QUAL dado volta e ONDE ele entra
β Realimentacao ignorada
- βDesenhar o funil so como fila reta, campanha ate LTV
- βOtimizar CAC sem checar o que acontece com churn/LTV
- βTratar cada metrica como se fosse independente das outras
Conceitos-chave
Vira dado pra campanha
Vira dado pra orcamento
O ciclo e o que da vida ao sistema
So ve o que voce apontou
βοΈ Declare as restricoes entre metricas
"LTV dividido por CAC precisa ser maior que 3" nao e uma metrica β e uma relacao entre duas. Voce nao consegue escrever isso como um numero que sobe ou desce sozinho: e uma comparacao que so existe quando os dois nos estao no mesmo grafo, com uma aresta declarando a regra entre eles.
Um loop com objetivo unico β "baixar o CAC", "subir a conversao" β nao consegue nem expressar essa restricao, quanto mais respeitar. E o argumento mais concreto a favor de modelar negocio em grafo: restricao entre metricas so faz sentido quando as duas metricas sao nos visiveis ao mesmo tempo, ligados por uma aresta que carrega a regra.
O que olhar: a linha tracejada no meio nao e uma aresta de fluxo β ela nao representa "o cliente passa daqui pra ali". Ela representa uma regra que precisa continuar verdadeira. A seta vermelha por baixo mostra o erro classico: CAC caiu (bom no relatorio isolado), mas a relacao com LTV quebrou porque ninguem olhou os dois juntos.
π Outras restricoes comuns de negocio
- Payback period β quanto tempo o CAC leva pra se pagar tem que ser menor que o caixa disponivel
- Retencao minima β churn mensal abaixo de X% pra LTV projetado bater
- Margem sobre CAC β a receita do primeiro mes tem que cobrir uma fracao do CAC, senao o caixa quebra antes do LTV se realizar
Conceitos-chave
E uma relacao entre duas
Sem os dois visiveis, nao da
Loop de 1 metrica nao expressa
Um numero sobe, o par quebra
π³ Distinga decompor, depender e bloquear
No backlog do time sao tres tipos de aresta diferentes, e a maioria das ferramentas so mostra uma delas de verdade. Decomposicao: epico contem historia contem tarefa. Dependencia: precisa terminar antes. Bloqueio: impede o inicio de outra coisa ate ser resolvido.
So a primeira e hierarquia de verdade β cada tarefa tem um pai so, e nada volta. As outras duas transformam a arvore em grafo: uma tarefa pode depender de outra tarefa de um epico completamente diferente, e um bloqueio pode ligar itens que nao tem nenhuma relacao de parentesco no organograma do backlog.
π Novo aqui? Aresta tipada
Aresta tipada: uma aresta que carrega um rotulo dizendo QUE TIPO de relacao ela representa β nao e so "A liga com B", e "A depende de B" ou "A bloqueia B". Sem o tipo, o grafo vira uma sopa de linhas sem significado.
| Tipo de aresta | O que significa | Efeito no paralelismo |
|---|---|---|
| Decompoe | Epico contem historia, historia contem tarefa β hierarquia, um pai so | Nenhum β e so organizacao, nao trava ordem de execucao |
| Depende de | Precisa terminar antes de comecar a proxima | Reduz β a tarefa dependente so libera depois |
| Bloqueia | Impede o inicio de outra ate ser resolvido, mesmo sem hierarquia entre elas | Reduz e esconde β costuma atravessar epicos, e o mais dificil de enxergar |
Conceitos-chave
Decompoe, depende, bloqueia
Decomposicao tem pai unico
Cruzam epicos diferentes
Ferramenta so desenha a hierarquia
π Calcule quantas frentes andam agora
Com dependencia e bloqueio marcados, da pra contar a largura do nivel: quantas tarefas estao prontas ao mesmo tempo, sem nenhuma dependencia pendente. E assim que se dimensiona gente ou agentes de verdade, em vez de chutar "vou botar cinco agentes nisso".
π Novo aqui? Largura do nivel e gargalo
- Largura do nivel: quantas tarefas ficam liberadas ao mesmo tempo, num mesmo "andar" do grafo de dependencias.
- Gargalo: o ponto do sistema que limita o quanto o resto pode andar β mesmo que tudo em volta tenha capacidade sobrando.
O que olhar: a largura de cada faixa. O nivel 1 libera duas tarefas, o nivel 2 libera tres β ate aqui, cinco agentes ou cinco pessoas cabem bem. Mas o nivel 3 so libera uma. Se voce botou cinco agentes pra trabalhar e so uma tarefa esta disponivel naquele nivel, os outros quatro vao ficar parados ou vao comecar a atrapalhar um ao outro.
β οΈ Atencao: capacidade sobrando nao e capacidade usavel
Ter cinco agentes disponiveis nao significa que cinco tarefas vao andar em paralelo. O grafo de dependencias e quem decide a largura real de cada momento β nao o numero de gente ou agentes que voce contratou. Contar a largura do nivel antes de alocar evita colocar recurso onde nao ha o que fazer.
Conceitos-chave
Tarefas prontas ao mesmo tempo
Melhor que chutar um numero
Nivel estreito trava o resto
Sobrar agente nao resolve gargalo
π€ Entregue o grafo pro agente decidir
Com o grafo do negocio ou do backlog escrito, um agente consegue propor alocacao, apontar o gargalo e simular efeito colateral de uma mudanca β "se eu dobrar o orcamento da campanha, o que acontece com churn e LTV?". Sem o grafo, ele so opina sobre a metrica que voce citou β e volta a ser o loop miope do comeco do curso.
π§ͺ Prompt pronto: transforme negocio ou backlog em grafo tipado
Objetivo: dar pro Claude Code a descricao do seu funil ou o export do seu backlog e receber de volta um grafo em JSON com arestas tipadas, mais os niveis de paralelismo e o gargalo.
Voce vai modelar <o funil de crescimento do meu produto> (ou: <o export do meu
backlog em CSV/JSON>) como um grafo. Regras:
1. Cada etapa/tarefa vira um NO com id curto.
2. Para negocio: arestas tipadas em "converte_em" (fluxo normal), "realimenta"
(volta pra um no anterior, ex: churn -> campanha) e "restringe" (relacao
entre duas metricas, ex: LTV/CAC > 3 β nao e fluxo, e regra).
3. Para backlog: arestas tipadas em "decompoe" (hierarquia, um pai so),
"depende_de" (precisa terminar antes) e "bloqueia" (impede inicio,
pode cruzar epicos diferentes).
4. Devolva em JSON: { "nos": [...], "arestas": [{"de","para","tipo"}] }.
5. Calcule e devolva tambem "niveis_paralelismo": lista de niveis com os
nos liberados em cada um (sem dependencia pendente), e "gargalo": o
nivel com menor largura.
Dados de entrada: <cole aqui a descricao do negocio ou o export do backlog>
Como verificar: (1) se o JSON nao tiver NENHUMA aresta "realimenta" (negocio) ou "bloqueia" (backlog), o modelo desenhou um pipeline reto e nao um grafo β peca de novo, insistindo nas voltas e nas relacoes cruzadas. (2) Confira se o "gargalo" apontado bate com o nivel que o time ja sente na pratica β se o modelo apontar um gargalo que ninguem reconhece, o grafo provavelmente esta com uma dependencia errada.
π‘ O que o grafo compra que a metrica solta nao compra
Um numero isolado so responde "subiu ou desceu". Um grafo responde "o que mais se move quando eu mexo aqui" β e essa e a pergunta que decide alocacao, orcamento e prioridade de verdade. E o mesmo argumento da Trilha 3: o grafo nao e modinha, e o formato certo quando a pergunta envolve mais de uma coisa ao mesmo tempo.
Conceitos-chave
Alocacao, gargalo, simulacao
So fala da metrica citada
Arestas com nome, nao so linha
Volta a frase-ancora inicial
Checagem rapida (nao bloqueia nada): voce pediu pro modelo desenhar o grafo do seu funil de crescimento e ele devolveu so uma fila reta, campanha ate LTV, sem nenhuma seta voltando. O que fazer?
π Resumo do Modulo
Proximo Modulo:
5.3 β Biblioteca de prompts: desenhar o grafo a partir de um processo, virar script executavel, auditar um grafo, achar colisao entre loops.