Conteúdo detalhado
🧭 Perfis de turma e percursos por demanda
Este curso não tem ordem obrigatória nem carga horária. Ele tem cinco trilhas que sobem de nível, cada uma terminando num robô que funciona, e você escolhe o trecho que cabe na sua turma. A pergunta certa não é "por onde começa o curso?", e sim "o que esta turma já sabe e qual robô ela consegue terminar?". Um grupo do ensino médio que nunca viu um resistor começa na Trilha 1. Uma turma de engenharia que já programa Arduino pode ir direto para a visão computacional ou para o ROS 2.
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Percurso é o recorte de trilhas e módulos que uma turma faz, na ordem que faz sentido para ela. Trilha é um bloco do curso com seis módulos e um projeto no fim (T1 a T5). Módulo é uma página com seis tópicos; cada tópico tem botão de marcar como lido, o que permite acompanhar o progresso (tópico 8).
Como ler: à esquerda, em rosa, quem é a turma; à direita, em ciano, o trecho do curso que costuma caber. A seta não é uma regra: se metade da turma já domina a T1, divida em dois percursos e junte todos no projeto final. O clube aparece em destaque porque é o único perfil que pode percorrer o curso inteiro com calma.
Comece no Wokwi (simulador no navegador) e só depois distribua kits. O rover da 1.6 e o seguidor de linha da 2.6 são os projetos que mais engajam e conversam com a OBR.
Eletrônica e solda já fazem parte do curso deles: passe rápido pela 1.2 e aprofunde em PID, telemetria (T2) e na conversa Raspberry Pi ↔ ESP32 (3.5).
Use a T1 como nivelamento em casa. Em sala, foque no que pede laboratório: ROS 2 com Nav2 (T4) e o braço SO-101 aprendendo por demonstração (T5).
Público misto e frequência irregular: cada encontro precisa fechar sozinho. Mantenha a T1 rodando como porta de entrada permanente e deixe veteranos puxarem projetos de T3 a T5.
💡 Diagnóstico no primeiro encontro
Antes de escolher o percurso, faça três perguntas rápidas à turma: "alguém já programou?", "alguém já ligou um LED numa placa?", "alguém já usou Linux?". As respostas dizem se você entra na T1, na T2 ou na T3, e quem pode ser monitor de quem.
Por que aprender
O maior risco de um curso de robótica é a turma travar no meio de um projeto grande demais para o que ela sabe. Escolher o percurso pelo perfil garante que todos terminem um robô funcionando, que é o que sustenta a motivação para o próximo.
Conceitos-chave
🗓️ Formatos: da oficina ao clube contínuo
Em vez de carga horária, pense em encontros: cada encontro é uma sessão com começo, meio e fim, em que o grupo sai com algo funcionando. Uma turma rápida faz um módulo por encontro; uma turma iniciante pode precisar de dois ou três encontros para o mesmo módulo. Por isso o curso não fixa tempo: você conta encontros e ajusta pelo ritmo real da turma.
Como ler: cada linha é um formato, cada coluna uma trilha. Círculo cheio: dá para fazer a trilha inteira. Meio círculo: só uma parte. Tracejado ciano: alternativa para turma que já domina a trilha anterior. Repare na escada: quanto mais encontros, mais à direita a turma chega.
Um encontro só. Objetivo: todo mundo sai tendo feito algo funcionar.
Módulo 1.1 em versão curta + pisca-LED e sensor de distância no Wokwi. Se houver kits, um rover pré-montado para a turma programar o desvio.
De 6 a 10 encontros. Objetivo: um robô por grupo.
A Trilha 1 completa, fechando no rover da 1.6. Turma que já sabe Arduino: seguidor de linha com PID (2.3 + 2.6).
De 15 a 20 encontros. Objetivo: dois projetos e portfólio.
T1 + T2 (rover e seguidor), ou T2 + T3 para técnico e universidade (seguidor e robô que segue objeto com câmera).
Encontros sem fim marcado. Objetivo: comunidade.
Novatos sempre na T1; veteranos em projetos de T3 a T5 e na preparação para competições. Os mais experientes viram monitores.
💡 Reserve encontros "de folga"
Em todo formato maior que a oficina, deixe um encontro a cada quatro ou cinco sem conteúdo novo: serve para quem atrasou alcançar a turma e para quem adiantou fazer o desafio extra. É ele que impede o grupo mais lento de desistir.
Por que aprender
O mesmo conteúdo cabe em calendários muito diferentes. Contar encontros, em vez de prometer uma carga horária, deixa o plano honesto: você sabe quantos encontros tem e decide até onde a turma vai, sem cortar o projeto no meio.
Conceitos-chave
🧰 Kits por grupo, orçamento e onde comprar
A unidade de compra é o grupo de 3 a 4 alunos, não o aluno. Menos que isso multiplica o custo; mais que isso deixa gente olhando. Compre trilha por trilha, conforme a turma avança: o kit da T1 é barato e serve de base para a T2; a partir da T3 (Raspberry Pi 5, câmera, LiDAR, braço) o custo sobe e vale dividir equipamento entre grupos ou entre turmas.
| Trilha | Por grupo (3–4 alunos) | Faixa por grupo | Sem kit |
|---|---|---|---|
| T1 | ESP32 com cabo de dados, protoboard, LEDs e resistores, HC-SR04, 2 sensores IR, 2 motores TT, driver TB6612FNG ou DRV8833, pilhas NiMH ou 18650 com BMS, chassi | R$ 200–400 | Wokwi cobre 1.1 a 1.4 |
| T2 | Kit da T1 + IMU (MPU-6050 ou ICM-20948), 2 motores com encoder, barra de 5 sensores IR, módulo microSD; display OLED opcional | + R$ 150–350 | Wokwi para IMU, Wi-Fi e lógica |
| T3 | Raspberry Pi 5 (4 ou 8 GB), fonte oficial 27 W, cartão de 32 GB ou mais, cooler ativo, Camera Module 3; AI HAT+ opcional | + R$ 1.100–1.900 | YOLO26 roda num PC com webcam |
| T4 | Robô da T3 + LiDAR 2D (RPLIDAR C1/A1 ou LD19) | + R$ 450–1.100 | Gazebo faz a trilha toda |
| T5 | Braço SO-101 (par líder/seguidor, servos Feetech STS3215, peças impressas em 3D) + 1–2 câmeras USB; GPU ou Colab para treinar | R$ 1.800–4.500 pelo par líder e seguidor | MuJoCo; um braço por turma |
Faixas aproximadas de out/2026, em reais, para o grupo inteiro. Variam muito com loja, frete, câmbio e importação: confira antes de comprar. Da T2 em diante o valor é o que se soma ao kit anterior.
✓ Faça na compra
- ✓Compre 10 a 20% a mais de peças baratas (LED, resistor, jumper, sensor IR): elas queimam e somem.
- ✓Padronize o modelo de placa da turma inteira: um único tutorial serve para todos.
- ✓Monte cada kit numa caixa numerada com lista de conteúdo colada na tampa.
- ✓Teste cada placa e cada sensor antes do primeiro encontro.
✗ Evite
- ✗Kits fechados de "37 sensores": a maior parte fica na gaveta.
- ✗Driver L298N e bateria 9 V para motor (ineficientes, já explicados no 1.1).
- ✗Comprar Raspberry Pi e LiDAR antes de a turma terminar a T1.
- ✗Cabos USB só de carga: a placa acende, mas o computador não a vê.
Onde comprar
Lojas brasileiras de eletrônica e robótica entregam rápido e emitem nota fiscal, o que facilita compra pública. Importar pelos marketplaces internacionais sai mais barato por peça, mas demora, pode ser taxado e não tem nota para prestação de contas. Uma estratégia comum: T1 e T2 em loja nacional, peças caras (Pi 5, câmera, LiDAR, servos do braço) com orçamento de três fornecedores. Para o SO-101, as peças plásticas podem ser impressas na própria escola se houver impressora 3D.
💡 Kit que roda entre turmas
Os kits não são consumíveis (fora LEDs e jumpers). Ao fim de cada projeto, peça para o grupo desmontar, conferir a lista da tampa e devolver a caixa completa. Assim o mesmo lote atende várias turmas e o orçamento passa a ser só reposição.
Por que aprender
Comprar errado é o jeito mais caro de começar: peças que não servem, kits incompletos no dia do encontro, placas diferentes que exigem tutoriais diferentes. Um kit por grupo, padronizado e conferido, deixa você livre para ensinar em vez de procurar jumper.
Conceitos-chave
📋 Plano de encontro modelo
Todo encontro pode seguir as mesmas cinco etapas: abertura (o problema do dia), demonstração (você mostra funcionando), mão na massa (os grupos montam e programam), desafio (uma variação para quem terminou) e registro (o diário de bordo). A turma aprende o ritmo e passa a se organizar sozinha. A etapa mais longa é sempre a mão na massa; as outras são curtas.
Como ler: da esquerda para a direita é a ordem do encontro. A caixa grande e brilhante é onde a turma passa a maior parte do encontro, com a mão no kit. Se a abertura e a demonstração crescerem até ficar do tamanho dela, o encontro virou palestra.
Antes do encontro
Faça você mesmo primeiro
Rode o exemplo do módulo no seu kit, do zero, como o aluno faria. Anote onde você travou: é ali que a turma vai travar.
Prepare o que é lento
Instalações (Arduino IDE, pacote esp32, bibliotecas Python) e downloads grandes ficam prontos antes. Instalar durante o encontro consome a mão na massa inteira.
Confira os kits
Abra cada caixa, teste uma placa por kit e separe peças de reserva na sua mesa.
Objetivo: ter um roteiro em branco para planejar qualquer encontro. Copie, cole no seu editor de texto e preencha os campos entre os sinais de menor e maior.
PLANO DE ENCONTRO · Robótica do Zero ao Expert
Turma: <nome da turma> Encontro nº: <número>
Módulo do curso: <ex.: 1.4 Sensores>
Meta do dia (uma frase): <o que cada grupo terá funcionando no fim>
1. ABERTURA
Pergunta-problema: <ex.: como o robô sabe que vai bater?>
Ligação com o encontro anterior: <o que já sabem>
2. DEMONSTRAÇÃO
O que eu mostro funcionando: <circuito, código ou vídeo>
O que a turma deve observar: <número na tela, LED, movimento>
3. MÃO NA MASSA (por grupo)
Passos: <montar · copiar o código do módulo · enviar · verificar>
Como saber que deu certo: <o "Como verificar" do módulo>
Erros que eu espero: <cabo, polaridade, porta, biblioteca>
4. DESAFIO (para quem terminou)
Variação: <mudar um valor, juntar dois sensores, otimizar>
5. REGISTRO
Diário de bordo: o que fizemos · o que deu errado · como resolvemos
Evidência: <foto, vídeo curto ou print do Serial Monitor>
Segurança do dia: <bateria, solda, motor, braço: o que vale hoje>
Material por grupo: <lista>
Como verificar
- ✓A "meta do dia" cabe numa frase e é algo que se vê funcionando.
- ✓O item 3 aponta para o "Como verificar" do módulo do curso.
- ✗Se o item 3 tem mais passos que o item 2 tem frases, está ótimo; o contrário é sinal de aula expositiva.
Exemplo 1 · Trilha 1: piscar LED e ler o HC-SR04
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O HC-SR04 é o sensor de distância por ultrassom: emite um som agudo que ninguém ouve e mede quanto tempo o eco demora para voltar. Ele trabalha em 5 V, e o ESP32 em 3,3 V: por isso o pino de resposta (Echo) passa por um divisor de tensão, dois resistores que reduzem os 5 V para um nível seguro. O Wokwi é o simulador gratuito no navegador onde dá para montar tudo isso sem kit.
PLANO DE ENCONTRO · Trilha 1
Módulos do curso: 1.1 (tópico 6) e 1.4 (tópico 2)
Meta do dia: cada grupo vê o LED piscar e a distância em cm no Serial Monitor.
1. ABERTURA
Pergunta: "como um aspirador robô sabe que a parede está perto?"
Mostre um morcego ou um sensor de ré de carro: som que bate e volta.
2. DEMONSTRAÇÃO
No projetor: o pisca-LED do 1.1 rodando no Wokwi (GPIO 2, resistor 220 ohms).
Depois o HC-SR04 no Wokwi: arraste o controle de distância e veja o número mudar.
3. MÃO NA MASSA
a) Wokwi: copiar o pisca-LED do 1.1, montar o circuito, apertar play.
b) Kit real: mesmo circuito na protoboard, upload pela Arduino IDE 2.x.
c) Ligar o HC-SR04: VCC no 5 V, GND no GND, Trig num GPIO,
Echo pelo divisor de tensão até outro GPIO (veja o módulo 1.4).
d) Copiar o código do módulo 1.4 e abrir o Serial Monitor.
Deu certo quando: a mão a 10 cm aparece como cerca de 10 no monitor.
Erros esperados: cabo só de carga, LED invertido, Echo sem divisor,
velocidade do Serial Monitor diferente da do código.
4. DESAFIO
O LED acende quando algo estiver a menos de 20 cm (junte os dois códigos).
5. REGISTRO
Diário de bordo + vídeo curto do LED reagindo à mão.
Segurança do dia: nada de 5 V em pino de entrada do ESP32;
desligar o USB antes de mudar fios.
Exemplo 2 · Trilha 3: detectar objetos com YOLO26
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YOLO26 é a versão atual do detector de objetos da Ultralytics: recebe uma imagem e devolve caixas em volta do que reconheceu (pessoa, garrafa, celular), cada uma com uma confiança de 0 a 1. NCNN é um formato que deixa o modelo mais rápido na CPU do Raspberry Pi 5. Falso positivo é quando o modelo "vê" algo que não está lá.
PLANO DE ENCONTRO · Trilha 3
Módulo do curso: 3.3 Detectar objetos com YOLO26
Meta do dia: cada grupo mede quando o detector acerta e quando erra.
ANTES (professor): Pi 5 com Raspberry Pi OS 64-bit, ambiente virtual
criado e o pacote já instalado (pip install ultralytics), modelo
yolo26n baixado, câmera testada. Instalar no encontro não dá certo.
1. ABERTURA
Pergunta: "o que o robô precisa saber para seguir uma pessoa?"
Ligação: no 3.2 a câmera achava uma cor; hoje ela reconhece objetos.
2. DEMONSTRAÇÃO
Rode o exemplo do módulo 3.3 no Pi 5 com a câmera apontada para a sala.
Mostre as caixas, o nome da classe e o número de confiança.
3. MÃO NA MASSA (cada grupo testa e preenche a tabela)
Objetos: garrafa, celular, xícara, uma pessoa do grupo.
Para cada um: luz boa / luz fraca · perto / longe · de lado.
Anotar: detectou? qual confiança? apareceu algo que não estava lá?
Deu certo quando: o grupo tem pelo menos 12 linhas de teste.
4. DESAFIO
Exportar para NCNN e comparar a velocidade, como no módulo 3.3:
yolo export model=yolo26n.pt format=ncnn
Quantas imagens por segundo antes e depois?
5. REGISTRO
Diário de bordo + a tabela de testes + uma conclusão:
"em que condições nosso robô NÃO deveria confiar na câmera?"
Segurança do dia: Pi 5 com cooler e fonte oficial;
não ligar nem desligar a câmera com o Pi energizado.
Como verificar: no fim, cada grupo sabe dizer uma condição em que o detector funciona bem e uma em que ele falha. Essa conclusão é o que alimenta o projeto 3.6, em que o robô segue um objeto. Guia oficial do Pi: docs.ultralytics.com/guides/raspberry-pi.
Por que aprender
Um roteiro fixo poupa planejamento e dá previsibilidade para a turma, que passa a chegar sabendo o que esperar. E ele protege a etapa que mais ensina, a mão na massa, de ser engolida por explicação demais.
Conceitos-chave
🦺 Laboratório seguro: baterias, solda e braço
Os riscos reais de um laboratório de robótica escolar são poucos e conhecidos: bateria de lítio (fogo), ferro de solda (queimadura e fumaça), estilete (corte), motor e braço (prender o dedo). Organize a sala em zonas e combine as regras no primeiro encontro, antes de abrir qualquer kit.
🌱 Novo aqui?
LiPo (polímero de lítio) é a bateria leve e potente de drones e robôs; se for perfurada, inchada ou carregada errado, pode pegar fogo. 18650 é uma pilha de lítio cilíndrica. BMS é a plaquinha que protege a bateria de lítio contra carga demais, descarga demais e curto. NiMH são as pilhas AA recarregáveis comuns, bem mais tranquilas para começar.
Como ler: as zonas rosa são as de risco (solda, carga de lítio e braço); a carga brilha porque é a única que não pode ficar sem ninguém olhando. As zonas ciano são de trabalho comum. O contorno tracejado do braço lembra a fita no chão: ninguém entra nela com o braço ligado.
✓ Regras da bancada
- ✓Bateria desconectada enquanto se mexe em fios.
- ✓Ferro de solda sempre no suporte; óculos e ventilação.
- ✓Corte com estilete para longe do corpo, sobre base de corte.
- ✓Robô novo testado primeiro suspenso, rodas no ar.
- ✓Cabelo preso e nada pendurado perto de motor e braço.
✗ Nunca no laboratório
- ✗Comer ou beber na bancada de eletrônica e solda.
- ✗Colocar a mão no espaço de trabalho do braço ligado.
- ✗Ligar motor direto no pino de 3,3 V do ESP32.
- ✗Deixar o ferro ligado sem ninguém na bancada.
✓ Baterias de lítio (LiPo e 18650)
- ✓Carregar dentro de saco anti-chamas, sobre superfície que não queima.
- ✓Usar carregador próprio para lítio e 18650 sempre com BMS.
- ✓Guardar descarregadas pela metade, em caixa metálica ou saco próprio.
- ✓Bateria inchada vai para descarte correto no mesmo dia.
✗ Nunca com lítio
- ✗Deixar carregando sozinha ou de um dia para o outro.
- ✗Perfurar, amassar ou dobrar a bateria.
- ✗Encostar os dois polos com fio ou ferramenta (curto).
- ✗Jogar no lixo comum.
⚠️ Para turmas mais novas, comece sem lítio
Na T1 e na T2, 4 pilhas AA NiMH resolvem a energia do rover sem o risco de fogo do lítio. Deixe LiPo e 18650 para turmas que já passaram pelas regras e para projetos que precisam de mais corrente.
Por que aprender
Um acidente com bateria ou solda pode encerrar o projeto na escola inteira. Zonas claras e regras curtas, combinadas antes de abrir o kit, transformam segurança em hábito, e hábito é o que protege quando a turma está concentrada e com pressa de ver o robô andar.
Conceitos-chave
📝 Avaliação por projeto: rubrica e diário de bordo
Em robótica, prova escrita mede pouco. O que mostra aprendizagem é o projeto funcionando e o caminho até ele: as tentativas, os erros e as correções. Para isso você usa três instrumentos: o diário de bordo (registro de cada encontro), a rubrica (critérios claros, combinados antes) e a apresentação final (o grupo mostra o robô e explica as escolhas).
🌱 Novo aqui?
Rubrica é uma tabela que descreve, para cada critério, como é o trabalho em cada nível. O aluno sabe desde o início o que é "proficiente" e você corrige comparando com a descrição, não com a impressão. Diário de bordo é o caderno do grupo, em papel ou digital, preenchido em todo encontro. Portfólio é a reunião de diários, fotos, vídeos e código do projeto.
Como ler: à esquerda, o que o grupo produz em todo encontro; no meio, onde isso se junta; à direita, onde vira nota. A seta ciano tracejada fecha o ciclo: a devolutiva da rubrica não termina o projeto, ela vira o ponto de partida do próximo.
Rubrica de projeto (copie e ajuste)
| Critério | 1 · Iniciando | 2 · Em desenvolvimento | 3 · Proficiente | 4 · Avançado |
|---|---|---|---|---|
| Funcionamento | O robô não completa a tarefa. | Completa às vezes, com ajuda. | Completa a tarefa de forma repetível. | Completa e lida com casos difíceis (luz, curva, obstáculo novo). |
| Documentação | Diário com lacunas, sem código salvo. | Diário completo, mas só descreve o que fez. | Diário explica erros e soluções; código comentado. | Outro grupo consegue reproduzir o robô só com o material. |
| Trabalho em grupo | Uma pessoa faz quase tudo. | Papéis existem, mas não rodam. | Todos assumem papéis e sabem explicar o robô. | O grupo ajuda outros grupos e resolve conflitos sozinho. |
| Segurança | Ignora regras da bancada. | Segue as regras quando lembrado. | Segue as regras sem lembrete. | Antecipa riscos e propõe melhorias de segurança. |
| Criatividade | Copia o exemplo sem mudar nada. | Muda valores do exemplo. | Acrescenta uma função própria ao projeto. | Propõe e testa uma solução original para um problema real. |
Some os níveis (5 a 20 pontos) ou use cada linha como conceito separado. Entregue a rubrica à turma no primeiro encontro do projeto, não no último.
Objetivo: um modelo de diário de bordo que o grupo preenche no fim de cada encontro (etapa 5 do plano). Funciona em papel, num documento compartilhado ou num arquivo de texto no repositório do projeto.
# Diário de bordo · Grupo <nome do grupo>
Projeto: <ex.: rover que desvia (1.6)>
## Encontro <número> · <data>
Papéis hoje: montador <nome> · programador <nome>
documentador <nome> · testador <nome>
Meta do dia: <o que queríamos funcionando>
O que fizemos: <passos, em tópicos curtos>
O que deu errado: <o sintoma, do jeito que apareceu>
Como resolvemos (ou o que vamos tentar): <causa e correção>
Medição ou teste: <números do Serial Monitor, tabela, vídeo>
Segurança: <algum cuidado especial hoje?>
Próximo passo: <a meta do próximo encontro>
Dúvida para o professor: <se houver>
Como verificar
- ✓Cada entrada tem um "deu errado" e um "como resolvemos": é ali que está a aprendizagem.
- ✓Os papéis mudam de nome de um encontro para o outro.
- ✗"Hoje deu tudo certo" em todos os encontros indica diário escrito para agradar, não para registrar.
💡 Apresentação curta e com o robô na mão
No fim do projeto, cada grupo faz o robô funcionar na frente da turma e responde a três perguntas: "o que foi mais difícil?", "o que vocês mudariam?" e "o que o robô ainda não faz?". A terceira pergunta separa quem entendeu de quem decorou.
Por que aprender
Avaliar só o robô final premia o grupo que teve sorte com o kit. Avaliar o caminho, com rubrica combinada antes, premia quem investigou, registrou e corrigiu, que são as habilidades que o curso quer formar. E a rubrica protege você de pedidos de revisão: o critério estava escrito desde o começo.
Conceitos-chave
🤝 Inclusão e diferenciação: simulação, papéis e desafios
Toda turma tem diferenças de ritmo, de experiência e de acesso a material. O curso foi pensado para três saídas: simulação para quem não tem kit (ou ainda não chegou ao kit), papéis no grupo para que todos participem, e desafios extras para quem termina antes.
🌱 Novo aqui?
Wokwi simula ESP32, LEDs, sensores e servos no navegador, de graça; serve para quase toda a T1 e boa parte da T2. Gazebo é o simulador de robôs usado com o ROS 2: o robô, o LiDAR e o ambiente existem só no computador, e a T4 inteira pode ser feita assim. MuJoCo faz o mesmo para o braço da T5.
Como ler: o robô do grupo fica no centro e cada papel cuida de um lado dele. O círculo ciano com setas mostra o rodízio: no encontro seguinte, cada pessoa assume o papel do vizinho. Num grupo de três, o documentador acumula a função de testador.
Metade da turma no Wokwi enquanto a outra metade usa os kits, e troca no encontro seguinte. Na T4, todo mundo começa no Gazebo; o robô real fica para a demonstração.
Quem termina antes faz o desafio do plano de encontro ou vira monitor de outro grupo. Quem atrasa usa o encontro de folga e pode estudar o módulo em casa, no próprio ritmo.
As páginas do curso têm tema claro, sépia, alto contraste e tamanho de letra ajustável (botão Aparência). Todo diagrama tem descrição em texto para leitores de tela.
Sem rodízio, quem já sabe vira o programador fixo e o resto assiste. Garanta que meninas e alunos mais tímidos passem pelos papéis de montador e programador, não só pelo de documentador.
✓ Diferencie assim
- ✓Mesma meta do dia, com desafios em degraus para quem quiser subir.
- ✓Papéis com nome no diário, trocando a cada encontro.
- ✓Simulação como caminho completo, não como "castigo" de quem ficou sem kit.
✗ Evite
- ✗Separar a turma em "os bons" e "os outros" de forma fixa.
- ✗Grupo de cinco ou mais em volta de um kit só.
- ✗Esperar todos terminarem para passar o desafio.
Por que aprender
Robótica costuma ficar com quem já tinha acesso a eletrônica em casa. Simulação gratuita, papéis rotativos e desafios em degraus são o que permite que o aluno sem experiência e sem kit termine o projeto junto com os outros.
Conceitos-chave
🏆 Competições, BNCC e acompanhar os alunos
Três coisas dão sentido e continuidade ao trabalho com a turma: uma meta externa (competição ou mostra), o encaixe no currículo da escola (BNCC de Computação) e um jeito simples de ver quem está avançando, que o próprio curso oferece na "Minha jornada".
Competições
Olimpíada Brasileira de Robótica: tem modalidade teórica e modalidade prática com robôs autônomos. O seguidor de linha da 2.6 e o rover da 1.6 são a base direta da prática.
Equipes com robôs de LEGO, projeto de inovação e apresentação de valores. O kit é outro, mas a rotina de diário, papéis e rubrica deste módulo vale igual.
Desafios práticos para estudantes da educação básica, com categorias que aceitam robôs montados com componentes livres.
Para equipes mais avançadas (técnico e universidade), com ligas de futebol de robôs, resgate e robôs de serviço. Conversa com T3 a T5.
Regras, categorias e calendário mudam a cada edição: confira sempre no site oficial de cada competição antes de planejar a turma.
BNCC de Computação
A BNCC de Computação, a norma que trouxe computação para a educação básica, organiza o tema em três eixos. O curso cobre os três, o que ajuda a justificar o projeto no planejamento da escola:
Decompor o problema, criar algoritmos, máquina de estados (1.6, 2.4), controle PID (2.3).
Como sensores viram dados, como o hardware executa o código, redes e protocolos (1.4, 2.1, 3.5).
IA com limites e segurança, privacidade da voz processada no próprio robô, compartilhar e documentar (5.1, 5.2, 5.6).
Minha jornada: acompanhar sem servidor
Cada página do curso tem botões de marcar como lido e tenho dúvida, e o aluno pode grifar trechos e escrever notas. Tudo isso aparece no painel Minha jornada (botão no topo da página), com o percentual de cada trilha, a lista de dúvidas e o "continuar de onde parei". O detalhe importante: esses dados ficam guardados só no navegador do aluno. Não existe conta, login nem servidor; ninguém, nem você, vê nada que o aluno não envie.
Como ler: o progresso nasce e mora no navegador do aluno (rosa). Ele só chega a você quando o aluno exporta o arquivo e o envia (passos 1 e 2); você abre esse arquivo numa janela anônima (ciano) para ver a jornada daquele aluno. A caixa tracejada é o limite: sem servidor, nada é enviado sozinho e nada fica salvo em outro lugar.
Passo a passo para acompanhar um aluno
O aluno exporta
Ele abre a Minha jornada, clica em "Exportar .json" e recebe um arquivo com nome como inema-robot-2026-10-17.json. Peça que renomeie com o nome e o grupo, porque o arquivo não traz o nome de ninguém.
Envia para você
Por e-mail, pelo ambiente virtual da escola ou num pendrive. Combine um momento fixo, por exemplo o fim de cada projeto.
Você importa numa janela anônima
Abra uma janela anônima (ou um perfil de navegador só para isso), entre no curso, abra a Minha jornada e clique em "Importar .json". Você vê o percentual por trilha, os tópicos lidos, as dúvidas e as notas daquele aluno.
Feche e repita
Fechar a janela anônima apaga tudo. Abra outra para o próximo aluno.
⚠️ Por que uma janela por aluno
O botão "Importar .json" soma o arquivo ao que já existe naquele navegador (não apaga nada). Se você importar o aluno A e depois o aluno B na mesma janela, verá a mistura dos dois, e se importar no seu navegador de sempre, o progresso dos alunos se mistura com o seu. Janela anônima nova para cada arquivo resolve.
✓ O que o arquivo mostra
- ✓Quais tópicos o aluno marcou como lidos (e, daí, o percentual).
- ✓As dúvidas marcadas: ótimo roteiro para o próximo encontro.
- ✓Os trechos grifados e as notas escritas.
- ✓Onde ele parou da última vez.
✗ O que ele não prova
- ✗Que o aluno entendeu: marcar como lido é um clique.
- ✗Quem é o aluno: o arquivo não tem nome nem login.
- ✗Que o robô funciona: isso é a rubrica e a apresentação.
- ✗Nada em tempo real: você só vê o que foi exportado.
💡 Dúvidas como pauta do encontro
Peça que os alunos marquem "Tenho dúvida" ao estudar em casa e abram a Minha jornada no começo do encontro. As dúvidas repetidas entre grupos viram a abertura do dia. Em computador compartilhado do laboratório, oriente cada aluno a exportar no fim e usar um perfil de navegador próprio, senão os progressos se misturam ali também. As notas são texto do aluno: trate os arquivos como dado pessoal e não os publique.
Por que aprender
Uma meta externa dá prazo e motivo à turma, o encaixe na BNCC dá respaldo ao projeto na escola, e a Minha jornada dá a você um retrato do estudo fora do encontro, sem plataforma paga nem cadastro. Saber os limites dela evita tirar conclusões que o arquivo não sustenta.
Conceitos-chave
✅ Resumo do módulo
Para ir além
- OBR · Olimpíada Brasileira de Robótica — regras, modalidades e inscrições
- FIRST (FIRST LEGO League) — programa internacional de equipes
- Wokwi — simulador de ESP32 no navegador, para turmas sem kit
- Gazebo — simulador de robôs usado na Trilha 4
- Portal da BNCC (MEC) — a base curricular e seus complementos
E agora?
Volte ao início do curso, escolha a trilha da sua turma e faça o primeiro módulo dela você mesmo, antes do primeiro encontro.