MÓDULO 2.3

📦 Skills, Geração de Artefatos & Tokens

Empacotar workflows como comandos reutilizáveis e dominar o orçamento de contexto. Você entende o que são skills e quando empacotá-las, constrói uma skill de rascunho de e-mail invocável como slash command, monta um gerador de slide deck, aprende os cinco padrões de prompting, combate o context rot, decide entre /clear e /compact, economiza tokens e consolida tudo num checklist de 12 dicas.

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Uma skill é um workflow empacotado em uma pasta especial e disparado por um slash command — carregado sob demanda, sem inchar o contexto. O diagrama abaixo mostra a skill virando um comando reutilizável e, à direita, o orçamento de contexto com as zonas que indicam quando dar /compact e quando dar /clear.

Workflow .md instruções (a camada W) .claude/skills/ draft-email/SKILL.md name · description · args + ferramentas Python (T) /draft-email carrega sob demanda Orçamento de contexto 0–50% · seguro 50–70% amarelo 70–85% /compact 85%+ /clear qualidade degrada após ~60% — gerencie o contexto antes de ele virar ruído

Diagrama ilustrativo — recriação conceitual de skills e do orçamento de contexto, não uma captura de tela real.

1

📦 O que são skills

O que é: uma skill é, no fundo, a mesma coisa que um workflow (a camada W do WAT) — instruções em markdown — só que guardada numa pasta especial, a .claude/skills, com cada skill em sua própria subpasta e um arquivo markdown de skill dentro. A diferença está em onde ela mora e em como é disparada: a skill é exposta como um slash command, um comando reutilizável que você chama por nome. Por baixo, a skill continua podendo acionar ferramentas (scripts Python de busca, scraping, geração de documento), então o framework WAT permanece intacto.

💡 Por que aprender

Skills importam por quatro motivos: consistência (o mesmo processo toda vez, sem reexplicar), economia de tokens (carregam só quando invocadas), compartilhamento (a mesma skill serve um time inteiro) e confiabilidade (embrulham passos complexos e fáceis de esquecer, então você delega-e-esquece). E o melhor: você não precisa saber escrever skills — descreve o workflow e pede ao agente para transformá-lo num slash command reutilizável.

  • Consistência: o processo não varia entre execuções.
  • Tokens: carregada sob demanda, não a cada sessão.
  • Compartilhável: distribua a pasta e o time usa a mesma skill.
  • Confiável: embrulha o passo difícil de lembrar.

🗂️ Skill ≠ CLAUDE.md

O CLAUDE.md guarda só as regras de toda sessão (propósito do projeto, objetivo principal, framework). Instruções por tarefa pertencem às skills — assim você evita estourar a janela de contexto. Ter 20–50 skills não incha o contexto como faria um único CLAUDE.md gigante, porque as skills só são carregadas quando chamadas.

Conceitos-chave

Markdown

Igual a um workflow.

.claude/skills

Uma pasta por skill.

Slash command

Invocada por nome.

Sob demanda

Carrega só ao usar.

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⚖️ Skill vs digitar

O que é: nem todo pedido merece virar skill. A decisão é simples — empacotar quando o ganho de reuso e consistência compensa o esforço de criar a skill; digitar direto quando o pedido é pontual e simples. Empacotar cedo demais é overkill; tarde demais é repetição cansativa.

✓ Vale criar uma skill

  • É um workflow repetido — você faz isso toda semana.
  • A consistência importa — o resultado precisa sair sempre igual.
  • As instruções são complexas ou fáceis de esquecer.
  • Outras pessoas do time vão rodar o mesmo processo.

✗ Melhor só digitar

  • É uma tarefa única, que você não vai repetir.
  • Você ainda está experimentando e o processo muda.
  • A instrução cabe em uma frase — a skill seria exagero.
  • Não há reuso à vista — empacotar só adicionaria atrito.

🎯 Por que aprender

A regra prática: na terceira vez que você digitar quase a mesma instrução longa, pare e peça ao agente para transformar aquilo numa skill. Antes disso, digitar é mais ágil; depois disso, a skill paga o investimento em poucos usos.

Conceitos-chave

Repetição

Gatilho nº1 da skill.

Consistência

Saída sempre igual.

Complexidade

Passos fáceis de esquecer.

Overkill

Pontual? Só digite.

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✉️ Skill na prática: /draft-email

O que é: um build prático de uma skill de rascunhar e-mail — criada, testada, refinada e invocada como slash command. A anatomia é uma pasta .claude/skills com uma subpasta por skill, cada uma com um SKILL.md que define name, description, os argumentos esperados e os passos. Os argumentos aqui são, por exemplo, bullet points com a informação-chave, o destinatário e o tom. Ela vira chamável como /draft-email — slash commands foram unificados com skills, comparáveis a embutidos como /clear.

.claude/skills/draft-email/SKILL.md (exemplo ilustrativo)
name: draft-email
description: Rascunha um e-mail polido e conciso, sem enrolação.

## Argumentos
- bullets: pontos-chave do conteúdo
- destinatario: para quem é (ex.: cliente)
- tom: profissional | amistoso | formal

## Comportamento
1. Se faltar algum argumento, pergunte antes de escrever.
2. Escreva um e-mail claro, direto e sem enchimento.
3. Salve o rascunho em temporary/outputs/email.md

🛠️ Por que aprender — o fluxo de build

1

Criar em Plan Mode

Peça uma skill que siga o formato oficial, descrevendo entradas (bullets, destinatário, tom), comportamento e onde salvar a saída. Aprove o plano.

2

Limpar contexto e invocar

Limpe a conversa e chame /draft-email. Invocar sem argumentos faz o agente perguntar os dados que faltam.

3

Reusar com novas entradas

Limpe de novo, chame o slash command com outro destinatário/tom e receba uma saída fresca seguindo as mesmas regras. Modificar a skill é só pedir ao agente para mudá-la.

🎯 Dica prática

Limpe o contexto entre usos para runs limpos e consistentes. A skill garante as mesmas regras (tom, concisão, estrutura) em toda invocação — é exatamente isso que diferencia delegar-e-esquecer de reexplicar tudo de novo.

Conceitos-chave

SKILL.md

name · description · args.

Argumentos

bullets · destino · tom.

Pergunta

Sem args, ele pede.

Reuso

Limpa e chama de novo.

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🖼️ Gerador de slide deck

O que é: outro build completo no framework WAT — um workflow que pega um documento e gera uma apresentação profissional a partir dele. Reusa o fluxo padrão: CLAUDE.md (WAT) → workflow + ferramentas → rodar → iterar. Em Plan Mode, o agente faz perguntas de configuração (linguagem da ferramenta, como extrair os pontos-chave, estilo da apresentação). O workflow lê o documento, extrai os pontos e cria o arquivo de apresentação.

workflows/documento-para-slides.md (exemplo ilustrativo)
# Workflow: documento → slides

## Entrada
Documento em temporary/resources/ (10–16 páginas)

## Passos
1. Ler o documento e extrair os pontos-chave.
2. Estruturar em títulos + bullets por slide.
3. Gerar a apresentação via ferramenta Python.

## Saída
Deck (ex.: 26 slides) em temporary/outputs/

🎨 Por que aprender — iteração e design

Você não precisa entender as ferramentas Python — basta verificar se a lógica do workflow produz a saída desejada. Sempre há espaço para melhorar o design: cores, fontes, estilo corporativo vs. casual, mistura de texto com bullets em vez de só bullets. E há um atalho poderoso de reuso: sobrepor uma skill pública de design de slides ao workflow eleva o visual sem você precisar explicar manualmente cada necessidade de design.

  • Entrada: documento em temporary/resources.
  • Saída: deck profissional em temporary/outputs.
  • Upgrade: uma skill de design embutida no workflow.

🎯 Dica prática

Rode o build em bypass de permissões só depois de aprovar o plano. E lembre: depois de confortável com o fluxo básico, plugar uma skill de design dedicada é a forma mais barata de subir a qualidade do deck — a skill carrega o conhecimento de design que você não quer reescrever.

Conceitos-chave

WAT de novo

CLAUDE.md → wf+tools.

Doc → slides

Extrai e estrutura.

Iterar design

Cor, fonte, estilo.

Skill de design

Sobreposta ao workflow.

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🗣️ 5 padrões de prompting

O que é: cinco padrões de prompting que produzem resultados consistentes e de alta qualidade. Eles transformam pedidos vagos em instruções que o agente consegue executar bem — e mudam a sua postura de "operador" para "gerente de um especialista".

1

Defina o objetivo, não os passos

Diga o resultado que quer; deixe o agente decidir a sequência. Você descreve o "o quê", não o "como".

2

Seja específico sobre a saída

Formato, estrutura, nome dos arquivos e onde salvar. Quanto mais clara a saída esperada, menos retrabalho.

3

Plan Mode primeiro, depois execute

Aprove o plano antes de deixar o agente agir; só então passe para o modo de execução (bypass de permissões).

4

Dê feedback, não correções

"Gostei da estrutura, mas o tom está formal demais" funciona melhor que "isso está errado". O feedback atualiza o workflow por baixo.

5

Trate o agente como especialista

Você é o gerente; ele é o desenvolvedor. Delegue o trabalho técnico e foque em descrever bem o objetivo e avaliar o resultado.

🎯 Por que aprender

Esses cinco padrões juntos ligam o loop de auto-melhoria: ao dar feedback (não correção) sobre um resultado bem-especificado, o agente ajusta o workflow subjacente — e o próximo run já sai melhor sem você reexplicar.

Conceitos-chave

Objetivo

O quê, não o como.

Saída clara

Formato e local.

Plan Mode

Planejar antes.

Feedback

Em vez de corrigir.

6

📉 Context rot & limiares

O que é: context rot é a degradação gradual de qualidade conforme uma única sessão se alonga. A raiz está em como os mecanismos de atenção funcionam: erros tendem a aparecer depois de ~60% de uso da janela, quando ela se enche de histórico ruidoso e mensagens recentes (possivelmente irrelevantes) espremem as regras centrais para fora do foco do modelo.

ZonaFaixaO que fazer
Verde0–50%Seguro — siga trabalhando.
Amarelo50–70%Comece a pensar em compactar.
Laranja70–85%Rode /compact proativamente.
Vermelho85%+Rode /clear e recomece.

⚠️ Por que aprender — o sinal de alerta

Context rot é real: passado ~60% de uso, espere mais erros. Não reutilize uma conversa inchada para trabalho não relacionado. Se você já corrigiu o agente sobre a mesma coisa mais de duas vezes, o contexto provavelmente está poluído — limpe e recomece com um prompt melhor.

Conceitos-chave

~60%

Erros começam aqui.

Atenção

Janela vira ruído.

4 zonas

Verde a vermelho.

2 correções

Sinal de contexto sujo.

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🧹 /clear vs /compact

O que é: dois comandos para gerenciar o contexto, com propósitos diferentes. /clear é o reset total da conversa; /compact é um resumo inteligente que preserva a informação-chave e comprime o resto. Saber qual usar — e quando — é o que mantém a qualidade alta numa sessão longa.

/compact — resumo inteligente

  • Mantém o essencial e comprime o histórico.
  • Use no meio de uma tarefa quando o contexto sobe.
  • Ideal na zona laranja (70–85%).

/clear — reset total

  • Apaga toda a conversa — começa do zero.
  • Use ao trocar de tarefa ou quando a qualidade cai.
  • Ideal acima de 85% ou após 2+ correções repetidas.

🎯 Por que aprender

Regra de bolso: compactar quando ainda está na mesma tarefa mas o contexto subiu; limpar quando muda de tarefa ou quando a qualidade já degradou. Compactar tarde demais não recupera contexto já apodrecido — nesse caso, prefira limpar e recomeçar com um prompt melhor.

Conceitos-chave

/compact

Resume, não apaga.

/clear

Reset completo.

Mesma tarefa

Compacte.

Trocar tarefa

Limpe.

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💸 Economia de tokens

O que é: um conjunto de estratégias para minimizar consumo de tokens e desperdício de contexto. Como o agente relê a conversa inteira a cada mensagem, sessões longas custam mais por mensagem — então manter o contexto enxuto é também manter o custo baixo.

🪙 Por que aprender — as 5 estratégias

  • Uma tarefa por sessão, depois limpe — não arraste contexto velho.
  • Defina "pronto" (ex.: "exatamente 75 perfis") para o agente parar e não entrar em loop.
  • Use skills para workflows especializados, em vez de inflar o CLAUDE.md.
  • Desligue MCPs não usados — cada um adiciona definições de ferramenta ao contexto.
  • Mantenha o CLAUDE.md enxuto (abaixo de ~500 linhas, só conteúdo de toda sessão).

⚠️ Armadilha comum

Sem um ponto final definido, o agente pode buscar demais ou entrar em loop, queimando tokens à toa. E cada servidor MCP ativo consome contexto via definições de ferramenta — deixar ligados os que você não usa é desperdício silencioso.

Conceitos-chave

1 por sessão

Limpe depois.

Defina pronto

Para o loop.

Skills

Em vez de CLAUDE.md.

MCPs off

Desligue os ociosos.

9

✅ 12 dicas finais

O que é: um checklist consolidado de 12 melhores práticas para construir workflows agênticos com qualidade. É o resumo operacional de toda a trilha — leia como uma lista de verificação antes e durante cada build.

  1. Sempre comece em Plan Mode.
  2. Seja claro sobre o objetivo (ex.: "75 perfis de CEOs de techs", não "faça um scraper").
  3. Defina o que é "pronto".
  4. Trate o agente como especialista — você gerencia, ele desenvolve.
  5. Gerencie o contexto proativamente (compact ~70%, clear ao trocar/quebrar, 1 tarefa/sessão).
  6. Use o loop de auto-melhoria via feedback específico.
  7. Guarde chaves de API em arquivos de ambiente.
  8. Teste com entradas diferentes.
  9. Salve skills testadas em batalha.
  10. Recomece do zero quando travar.
  11. Desligue MCPs não usados.
  12. Acompanhe o build cedo para aprender e pegar erros.

🏁 Por que aprender — o desafio prático

Coloque tudo junto num build próprio de ponta a ponta: notas-de-reunião-para-ações, gerador de PDF, rascunhador de e-mail ou um workflow do seu trabalho. Use o WAT, comece em Plan Mode, deixe o agente perguntar, aprove o plano, troque para bypass de permissões. Use ao menos um MCP e/ou uma skill quando fizer sentido (não force). Teste a saída com 2–3 entradas diferentes — um workflow que só funciona com uma entrada é, na prática, um script de uso único.

Conceitos-chave

Plan Mode

Sempre primeiro.

Objetivo claro

Específico e mensurável.

Teste plural

2–3 entradas.

.env

Nunca chave no chat.

🧠 Checagem rápida

Você está no meio de uma tarefa, o contexto chegou a ~75% e o agente ainda está focado nela. Qual comando usar?

📌 Resumo do Módulo

Skills — workflows em markdown na pasta .claude/skills, invocáveis como slash command; consistência, tokens, compartilhamento e confiabilidade.
Quando empacotar — repetição, consistência, complexidade ou time; pontual e simples, só digite.
Builds — a skill /draft-email e o gerador de slide deck (documento → apresentação) no framework WAT.
Prompting + contexto — 5 padrões; context rot após ~60%; zonas 0-50/50-70/70-85/85%+; /compact vs /clear.
Economia + checklist — 1 tarefa/sessão, definir "pronto", skills, MCPs off, CLAUDE.md enxuto; as 12 dicas finais.

Próximo Módulo:

3.1 — Do Local ao Sempre-Ligado: GitHub & Trigger.dev