Tema

Fonte

Tamanho

Largura de texto

Entrelinha

Acento dos controles

0 de 0 0%
MÓDULO 4.1

O segredo: você já sabe isso

Descubra que os 7 princípios são gestão de gente escrita para quem não deduz nada.

Ao final: Reconhecer cada princípio numa prática de gestão que você já usa e traduzi-la em instrução escrita para um agente, inclusive num agente de código.

6 tópicos
50 min estimativa com prática
6 exercícios comentados
1 checagem final
1

É gestão de gente com outro nome

Cargo e onboarding Sistema oficial e metas Alçada Relatório e 1:1
Cada princípio do agente tem um par conhecido na gestão de pessoas, na mesma ordem em que você contrata, orienta, cobra e avalia.

O que é

Troque a palavra “agente” por “funcionário novo” e releia os 7 princípios: nenhum soa estranho para quem já liderou alguém. Intenção é a descrição do cargo; contexto é o onboarding; dados são o sistema oficial; critério são metas; autonomia é a alçada; observação é o relatório; supervisão é a reunião 1:1. O relatório sobre “nova era da IA” deu nome novo a práticas antigas.

Por que aprender

Quem acha que gerenciar agentes exige aprender tudo do zero trava antes de começar. Perceber que você já sabe boa parte do método tira o medo e acelera a primeira delegação. E dá um critério simples: se você não delegaria assim para uma pessoa, não delegue assim para uma IA.

Conceitos-chave

Cargointenção, para que a vaga existe.
Onboardingcontexto, o que se ensina no 1º dia.
Alçadaautonomia, “até R$ 500 você decide”.
11: supervisão, revisar, corrigir, promover ou não.
EXEMPLO COMENTADO · 4.1.1
Objetivo: traduzir uma tarefa sua de “gestão de gente” para “gestão de agente”.

Tarefa: <a tarefa que você quer delegar>
1. Intenção (cargo): para que essa função existe? <resposta>
2. Contexto (onboarding): o que eu explicaria no 1º dia? <resposta>
3. Dados (sistema oficial): onde está a informação que vale? <resposta>
4. Critério (meta): como é um trabalho bem feito? <resposta>
5. Autonomia (alçada): até onde decide sozinho? <resposta>
6. Observação (relatório): o que quero ver, e quando? <resposta>
7. Supervisão (1:1): quando reviso e corrijo? <resposta>

Como verificar: se alguma linha ficou vazia, é exatamente ali que o agente vai errar.

✓ Faça assim

✓ Pergunte “como eu faria isso com um funcionário novo?” antes de escrever qualquer instrução.

✗ Evite este erro

✗ Tratar gestão de agentes como assunto técnico que só programador entende.

Pratique antes de revelar

Pegue um funcionário ou colega que você já orientou e liste o que você disse a ele na primeira semana. Marque a qual princípio cada coisa corresponde.

Ver resposta comentada

Normalmente aparecem regras da casa (contexto), onde procurar informação (dados) e o que pode decidir sozinho (autonomia). O que costuma faltar é o critério escrito, porque com pessoas ele vai sendo ajustado na conversa. Com agente, precisa estar no papel.

2

O que o agente não “pega no ar”

O que você sabe O que é óbvio O que está escrito O que o agente usa
Só a parte escrita chega ao agente; o que ficou só na sua cabeça ou é “óbvio” para a equipe se perde no caminho.

O que é

Um funcionário novo deduz muita coisa: observa colegas, percebe o tom da empresa, pergunta no corredor. O agente não faz nada disso; ele trabalha só com o que está escrito na instrução e nos dados a que tem acesso. Tudo o que uma pessoa deduziria precisa virar texto: o tom, a fonte que vale, o que fazer quando falta informação, quando parar.

Por que aprender

A maior parte dos erros de agentes vem do que “era óbvio” para quem delegou. Com uma pessoa, a falta de clareza custa caro devagar; com um agente, custa na hora e em escala. Listar o implícito é o jeito mais barato de evitar esse erro.

Conceitos-chave

Tomcomo falar com cliente, formal ou próximo.
Fontequal planilha ou sistema vale, e qual não.
Se faltaro que fazer quando o dado não existe.
Pararem que situação ele te chama.
EXEMPLO COMENTADO · 4.1.2
Objetivo: transformar o “óbvio” em instrução escrita.

Cole no fim da sua instrução e preencha:
- Tom com o cliente: <ex.: próximo, sem gírias, sem emojis>
- Fonte que vale: <ex.: planilha Agenda 2026, aba Confirmados>
- Não vale: <ex.: mensagens antigas do WhatsApp>
- Se faltar informação: “não invente; escreva [FALTA DADO] e me avise”
- Pare e me chame quando: <ex.: cliente reclamar ou falar em cancelar>

Como verificar: peça ao agente “antes de começar, confirme em 3 linhas o que entendeu”; se ele não citar a fonte e a regra de “se faltar”, a instrução ainda está incompleta.

Do conceito à ação

  1. O que você sabe: identificar a condição inicial.
  2. O que é óbvio: aplicar a decisão descrita.
  3. O que está escrito: conferir o efeito no exemplo.
  4. O que o agente usa: registrar a evidência de saída.

✓ Faça assim

✓ Escreva a regra de “se faltar informação” em toda instrução, mesmo que pareça exagero.

✗ Evite este erro

✗ Supor que o agente vai perceber o tom ou a fonte certa “pelo contexto”.

Pratique antes de revelar

Liste três coisas que qualquer pessoa da sua equipe sabe sem ninguém dizer. Reescreva cada uma como uma frase de instrução.

Ver resposta comentada

Exemplo: “ninguém responde cliente depois das 20h” vira “não envie mensagens depois das 20h; deixe como rascunho para a manhã”. O exercício mostra quanto da operação depende de regras nunca escritas.

3

Quem programa com agentes já vive isso

Pedido e modo plano Arquivo de instrução Testes e permissões Revisão humana
O fluxo de um agente de código percorre os mesmos princípios: combinar, contextualizar, verificar, limitar e revisar.

O que é

Agentes de código, como Claude Code e Codex, são programas de IA que trabalham dentro de um repositório, a pasta de um projeto com todo o seu histórico. Quem usa esses agentes já pratica os 7 princípios todo dia: o modo plano (o agente propõe antes de mexer), o CLAUDE.md ou AGENTS.md (arquivo com as regras do projeto), o repositório como fonte, testes (verificações automáticas), permissões, registro de falhas e revisão.

Por que aprender

Isso prova que o método não é teoria de palco: já funciona em produção, nas mãos de milhares de pessoas. Mesmo quem não programa ganha ao copiar essas práticas para outras áreas. E quem programa ganha um vocabulário para explicar a própria rotina a gestores.

Conceitos-chave

Modo planointenção, combinar antes de executar.
CLAUDE.mdcontexto, as regras da casa num arquivo.
Testescritério, pronto é o que passa na verificação.
Revisãosupervisão, humano aprova o irreversível.
EXEMPLO COMENTADO · 4.1.3
Objetivo: ver os 7 princípios na prática de um agente de código.

1 Intenção   → modo plano: “proponha o plano antes de alterar arquivos”
2 Contexto   → CLAUDE.md / AGENTS.md na raiz do projeto
3 Dados      → “leia o arquivo antes de afirmar algo sobre ele”
4 Critério   → “só está pronto quando <comando de teste> passar”
5 Autonomia  → modo de permissão: plan, default, acceptEdits
6 Observação → FALHAS.md: data, o que quebrou, menor correção
7 Supervisão → revisão do código antes de publicar

Como verificar: para cada linha, pergunte qual é o equivalente na sua área (ex.: FALHAS.md vira uma planilha de erros do atendimento).

✓ Faça assim

✓ Copie da programação a regra “pronto é o que se comprova, não o que se declara”.

✗ Evite este erro

✗ Achar que essas práticas só servem para quem escreve código.

Pratique antes de revelar

Escolha dois itens da lista (por exemplo, modo plano e registro de falhas) e descreva como aplicaria cada um numa tarefa que não é de programação.

Ver resposta comentada

Modo plano vira “me mostre o roteiro do e-mail antes de enviar”; registro de falhas vira uma tabela com data, erro e correção do agente de atendimento. A prática é a mesma; muda só o objeto.

4

Modos de permissão são a escada N0–N4 com botão

N0-N1 plan N2 default N3 acceptEdits N4 com travas
Cada degrau libera um pouco mais de ação sozinho, e o último só é seguro quando travas automáticas bloqueiam o irreversível.

O que é

No Claude Code, o modo de permissão define o que o agente pode fazer sem perguntar. Em plan ele só lê e propõe; em default pede aprovação a cada edição ou comando; em acceptEdits edita arquivos sozinho, mas comandos continuam pedindo; em bypassPermissions libera tudo. É a mesma escada de autonomia N0 a N4, só que com um botão em vez de uma conversa.

Por que aprender

Escolher o modo “no susto” é o erro mais comum de quem começa com agentes de código. Com a escada, a escolha passa a ter regra: o nível vem da ação e dos riscos, não da pressa. E fica claro o que precisa acontecer para subir de degrau.

Conceitos-chave

N0 e N1plan, só lê e propõe.
N2default, aprova cada edição e comando.
N3acceptEdits, edita sozinho, comandos pedem.
N4só com hooks e ambiente isolado.
EXEMPLO COMENTADO · 4.1.4
Objetivo: escolher o modo de permissão pelo nível, não pelo impulso.

Regra do nível (da skill ficha-agente):
  consulta → N0 · prepara/rascunho → N1 · executa → N3 · coordena processo → N4
  se N3+ E (dinheiro OU irreversível OU gente de fora) → N2
  se N2+ E sem fonte oficial definida → N1

Mapa para o Claude Code:
  N0/N1 → plan
  N2    → default + proibições como regras deny
  N3    → acceptEdits + testes como critério de pronto + FALHAS.md
  N4    → hooks que bloqueiam push, deploy e delete + ambiente isolado

Meu caso: tarefa <descreva> → nível <Nx> → modo <modo>

Como verificar: se o modo escolhido é acima do nível que a regra dá, desça. Na dúvida entre dois, fique com o menor.

✓ Faça assim

✓ Comece em plan ou default e suba um degrau só depois de semanas sem correção.

✗ Evite este erro

✗ Usar bypassPermissions em um repositório ligado a produção.

Pratique antes de revelar

Seu agente vai corrigir textos do site e também publicar a versão nova no ar. Qual nível e qual modo a regra indica?

Ver resposta comentada

Publicar no ar é irreversível e envolve gente de fora (os visitantes), então a regra rebaixa para N2: modo default, com a publicação como regra deny. Ele edita, você aprova e você publica. Pode subir quando houver semanas de aprovações sem correção.

5

Instruções, testes e hooks: o método em produção

Instrução escrita Teste automático Regra deny Hook que bloqueia
As camadas vão do pedido à trava: quanto mais grave o risco, mais para baixo a regra deve estar, onde o agente não consegue ignorá-la.

O que é

Três peças transformam os princípios em configuração real. O arquivo de instrução (CLAUDE.md para o Claude Code, AGENTS.md para Codex e outros) fica na raiz do projeto e é lido em toda sessão. Os testes são comandos que verificam automaticamente se o trabalho está certo. Os hooks são gatilhos que rodam antes de uma ação e podem bloqueá-la; as regras allow e deny nas configurações liberam ou proíbem ações.

Por que aprender

Escrever “não faça deploy” na conversa não basta: a conversa acaba e a regra some. No arquivo de instrução ela vale toda vez; como regra deny ou hook ela vale mesmo que o agente esqueça. É a diferença entre pedir e garantir.

Conceitos-chave

CLAUDE.mdregras da casa lidas em toda sessão.
Testescritério de pronto que não depende de opinião.
Denyação proibida pelas permissões.
Hooktrava que bloqueia o irreversível antes de acontecer.
EXEMPLO COMENTADO · 4.1.5
Objetivo: colar no CLAUDE.md ou AGENTS.md o nível e as proibições do agente.

## Agente deste projeto
Nível: <N2> · <prepara, humano aprova>. Modo de permissão: <default>.
Missão: <o que ele faz e por que importa>.
Fonte da verdade: o repositório. Leia o arquivo antes de afirmar algo sobre ele.
Pronto = <npm test> passa sem erros. Não declare pronto antes disso.

### Nunca faça sozinho
- git push, deploy ou publicação
- apagar arquivos ou pastas fora de <pasta de trabalho>
- alterar <.env / dados de clientes>
Se pedirem, diga que vai passar para mim.

### Pare e me chame quando
- um teste falhar duas vezes seguidas
- a tarefa exigir mexer fora de <pasta de trabalho>

### Registro
Anote cada falha em FALHAS.md: data, o que quebrou, menor correção.

Como verificar: abra uma sessão nova e peça “resuma em 3 linhas suas regras neste projeto”; ele deve citar o nível, o critério de pronto e as proibições.

Do conceito à ação

  1. Instrução escrita: identificar a condição inicial.
  2. Teste automático: aplicar a decisão descrita.
  3. Regra deny: conferir o efeito no exemplo.
  4. Hook que bloqueia: registrar a evidência de saída.

✓ Faça assim

✓ Repita as proibições graves como regra deny ou hook, além do texto.

✗ Evite este erro

✗ Confiar só no pedido feito no chat para algo irreversível.

Pratique antes de revelar

Pegue o CLAUDE.md ou AGENTS.md de um projeto seu (ou crie um) e acrescente o bloco de nível, critério de pronto e três proibições.

Ver resposta comentada

O bloco mínimo tem nível, fonte da verdade, definição de pronto e proibições com “se pedirem, passe para mim”. Se o projeto tem deploy, a proibição de deploy também deve virar regra deny, porque o texto sozinho depende do agente obedecer.

6

O gargalo é clareza, não a IA

Delegar Observar Corrigir uma regra Subir de nível
O ciclo não termina: cada volta começa com a delegação ajustada pelo erro da volta anterior.

O que é

As 7 perguntas são as mesmas que um bom gestor sempre fez. Sem intenção, o agente faz com eficiência a tarefa errada; sem fonte da verdade, escolhe sozinho a informação e escolhe mal; sem critério, diz “pronto” e você descobre depois que não estava. E o desenho dos princípios é um círculo: a supervisão alimenta de volta a intenção, cada erro vira regra e cada semana limpa vira um degrau de autonomia.

Por que aprender

Culpar “a IA” impede de corrigir o que está ao seu alcance: a delegação. Quando você trata cada erro como uma regra faltando, o agente melhora semana a semana sem trocar de ferramenta. O círculo transforma a ficha num processo vivo, não num formulário preenchido uma vez.

Conceitos-chave

Sem intençãofaz bem a tarefa errada.
Sem fonteescolhe mal a informação.
Sem critério“pronto” que não está pronto.
Círculoerro observado vira regra nova.
EXEMPLO COMENTADO · 4.1.6
Objetivo: transformar um erro do agente em regra, em vez de culpar a ferramenta.

Erro observado: <o que ele fez de errado>
Qual princípio faltou? (marque um)
[ ] intenção  [ ] contexto  [ ] dados  [ ] critério
[ ] autonomia [ ] observação [ ] supervisão
Regra nova (uma frase): <ex.: “se o preço não estiver na tabela, escreva [FALTA PREÇO]”>
Onde entra: <seção da ficha ou do CLAUDE.md>
Linha no registro: | <data> | <o que quebrou> | <menor correção> | <regra alterada> |

Como verificar: repita a mesma situação na semana seguinte; se o erro não voltou, a regra funcionou.

✓ Faça assim

✓ Para cada erro, pergunte “qual das 7 perguntas eu não respondi?”.

✗ Evite este erro

✗ Trocar de ferramenta ou de modelo antes de revisar a instrução.

Pratique antes de revelar

Lembre de um erro recente de uma IA que você usa. Classifique em um dos três sintomas (intenção, fonte, critério) e escreva a regra que o evitaria.

Ver resposta comentada

Quase sempre o erro cabe num dos três: tarefa errada (intenção), dado errado (fonte) ou entrega incompleta (critério). A regra boa é curta, específica e testável na semana seguinte.

CHECAGEM SEM BLOQUEIO

Confira seu entendimento

Um agente entregou, com muita eficiência, um relatório sobre o assunto errado. Segundo o segredo dos 7 princípios, qual é a causa mais provável?

O que você leva deste módulo

Reconhecer cada princípio numa prática de gestão que você já usa e traduzi-la em instrução escrita para um agente, inclusive num agente de código.

  • É gestão de gente com outro nome.
  • O que o agente não “pega no ar”.
  • Quem programa com agentes já vive isso.
  • Modos de permissão são a escada N0–N4 com botão.
  • Instruções, testes e hooks: o método em produção.
  • O gargalo é clareza, não a IA.

Próxima ação: aplique o que aprendeu na ficha do seu agente e anote o que ainda precisa de revisão.

Referência deste módulo: materiais do projeto 7PA e fontes e critérios editoriais do curso.