PTENES
MODULO 5.2

🤖 Prototipagem e agentes de IA

Os comandos da família 09: reduzir a ideia ao mínimo testável, especificar antes de construir, projetar o agente completo — prompt, ferramentas, memória — e avaliar antes de escalar.

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🧪 /prototype + /MVP — o mínimo testável

/prototype reduz a ideia ao menor artefato capaz de validar a hipótese crítica. /MVP escolhe o conjunto mínimo de capacidades que entrega valor real e gera aprendizado. Os dois começam pela mesma pergunta: qual é a hipótese que, se estiver errada, derruba tudo?

✓ Protótipo que valida

  • ✓Hipótese: "consultores pagariam por proposta automática". Protótipo: você gera 5 propostas à mão e cobra R$ 50 de cada — em 3 dias.
  • ✓MVP: gerador com 1 template, pagamento por link, suporte por WhatsApp. Nada mais.

✗ Protótipo que enfeita

  • ✗Landing page bonita com "em breve" — testa design, não disposição a pagar.
  • ✗MVP com login, dashboard, 4 planos e integração com 3 ferramentas — antes do primeiro cliente.

Novo aqui? Hipótese crítica é a suposição que, se falsa, torna o resto irrelevante. Geralmente é sobre comportamento humano ("vão pagar", "vão voltar"), não sobre tecnologia ("dá para construir"). Teste-a primeiro, com o artefato mais tosco que funcione.

🎯 Copie e rode

/prototype /MVP para <ideia>; declare a hipótese crítica, o menor artefato que a testa em até 1 semana, o que conta como validação (número), e depois o MVP com no máximo 3 capacidades e o que fica explicitamente fora

Como verificar: o protótipo cabe em uma semana e a validação é um número ("5 pagantes"). A lista "fica fora" é maior que a lista "entra".

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📄 /spec — especifique requisitos e limites

Define requisitos, interfaces, comportamento, limites, exceções e critérios de aceitação. É o contrato entre quem pede e quem constrói — e, quando quem constrói é um agente de IA, é literalmente o prompt de construção.

📐 As seis partes de uma spec

  • •Requisitos: o que o sistema faz, em frases com "deve".
  • •Interfaces: o que entra, o que sai, em que formato.
  • •Comportamento: o que acontece no caminho feliz — passo a passo.
  • •Limites e exceções: o que acontece com entrada inválida, timeout, dado ausente.
  • •Critérios de aceitação: testes que, passando, encerram a discussão "está pronto?".
  • •Fora de escopo: o que este ciclo NÃO faz — escrito, para ninguém "aproveitar para incluir".

🎯 Copie e rode

/spec para <funcionalidade ou sistema>; requisitos com "deve", interfaces de entrada/saída, comportamento no caminho feliz, 5 exceções com resposta esperada, critérios de aceitação testáveis e lista de fora-de-escopo

Como verificar: cada critério de aceitação pode virar um teste automático ou uma verificação de 30 segundos — nenhum começa com "deve ser intuitivo".

💡 Dica prática

Escreva os critérios de aceitação ANTES do comportamento. Quem sabe como vai verificar descreve melhor o que quer — e descobre requisitos que faltavam.

3

🤖 /agent — projete o agente completo

Define objetivo, ferramentas, memória, regras, entradas, saídas, limites e avaliação. Oito decisões que, tomadas juntas, fazem um agente confiável — e que, tomadas uma de cada vez conforme os bugs aparecem, fazem um agente imprevisível.

/agent objetivo · /prompt · regras /tools /memory /guardrails /integrate /eval — a base: nada acima escala sem passar por aqui

Ilustrativo: o núcleo é objetivo + prompt; os quatro módulos ao redor são comandos próprios; a base é /eval.

Novo aqui? Agente é um sistema de IA que recebe um objetivo, decide quais ferramentas usar, executa ações em sequência e verifica o resultado — em vez de só responder texto. A diferença para um chatbot é a capacidade de agir e de iterar sem instrução humana a cada passo.

🎯 Copie e rode

/agent para <tarefa que o agente vai cumprir>; objetivo em uma frase, entradas e saídas, ferramentas com quando usar cada uma, o que memoriza e o que esquece, regras invioláveis, limites de ação e como será avaliado

Como verificar: o objetivo cabe em uma frase sem "e". Agente com dois objetivos são dois agentes — ou um que faz os dois mal.

⚠️ O agente que faz tudo

A tentação é dar ao agente acesso a todas as ferramentas e "deixar ele decidir". O resultado é um sistema que ninguém consegue avaliar, porque não há comportamento esperado. Escopo estreito primeiro; amplie quando o /eval passar.

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📝 /prompt + /tools — prompt robusto e ferramentas

/prompt especifica papel, objetivo, contexto, regras, ferramentas, formato e critérios de qualidade. /tools mapeia cada tarefa a uma ferramenta e — a parte que todo mundo pula — define quando não usar e quando escalar para um humano.

Bloco do promptO que evitaExemplo
PapelTom e profundidade aleatórios"Você é o assistente de propostas da , direto e sem floreio"
RegrasComportamento inventado nas exceções"Nunca informe preço sem confirmar o plano do cliente"
FormatoSaída que ninguém consegue processar"Responda em JSON com os campos: titulo, itens[], total"
Critério de qualidadeAgente satisfeito com resposta ruim"A proposta está pronta quando todos os itens têm preço e prazo"

Exemplo didático: cada bloco existe para fechar uma porta que o agente abriria sozinho.

🎯 Copie e rode

/prompt /tools para <agente>; prompt completo com papel, objetivo, contexto, regras invioláveis, formato de saída e critério de qualidade; tabela de ferramentas com tarefa, quando usar, quando NÃO usar e quando escalar

Como verificar: a coluna "quando NÃO usar" tem conteúdo em toda linha. Ferramenta sem restrição é ferramenta que vai ser usada errado.

💡 Dica prática

Teste o prompt com a pior entrada que você imaginar antes da melhor. Se o agente se comporta bem com "faz aí qualquer coisa", vai se comportar bem com pedido claro.

5

🧠 /memory — memória do sistema

Separa memória de sessão, perfil, fatos persistentes, histórico e política de atualização. A pergunta não é "o agente lembra?", mas "o que ele lembra, por quanto tempo, e quem tem poder de mudar isso?".

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Sessão: o que morre ao fechar

Contexto da conversa atual. Barato, descartável, nunca deve conter decisão que precise sobreviver.

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Perfil e fatos persistentes: o que atravessa sessões

Preferências do usuário, dados confirmados, decisões tomadas. Cada item com origem e data.

3

Política de atualização: quem escreve, quem apaga

O agente pode adicionar fato sozinho? Precisa de confirmação? Fatos vencem? Sem política, a memória acumula erro com cara de verdade.

Novo aqui? Política de atualização é a regra que diz quando um fato entra na memória, quando é substituído e quando expira. "O usuário disse X uma vez" e "o usuário confirmou X três vezes" merecem tratamentos diferentes — a política é onde isso fica escrito.

🎯 Copie e rode

/memory para <agente>; classifique o que ele precisa lembrar em sessão / perfil / fatos / histórico, defina formato e origem de cada item, política de atualização (quem escreve, quando expira) e o que NUNCA deve ser memorizado

Como verificar: a lista "nunca memorizar" existe e inclui pelo menos dados sensíveis e inferências não confirmadas.

6

🧫 /eval — avalie antes de escalar

Define casos de teste, critérios, métricas, falhas críticas e limiar de aprovação. É a base do desenho lá de cima: nada escala sem passar por aqui — e "passou" é um número, não uma sensação.

✓ Eval que decide

  • ✓30 casos reais (incluindo 8 que já deram errado em produção), critério por caso, limiar: 90% de acerto e ZERO falha crítica.
  • ✓Roda a cada mudança de prompt; resultado comparado com a rodada anterior.

✗ Eval de demonstração

  • ✗"Testei com uns 5 exemplos e ficou bom."
  • ✗Só casos fáceis; nenhum caso de exceção; nenhuma falha classificada como crítica — porque ninguém pensou no que seria uma.

Novo aqui? Falha crítica é o erro que, mesmo acontecendo uma vez em cem, inviabiliza o sistema: vazar dado de outro cliente, executar ação irreversível sem autorização, inventar preço. Falha crítica não entra na média — zera a aprovação.

🎯 Copie e rode

/eval para <agente>; 20-40 casos de teste incluindo exceções e casos que já falharam, critério de acerto por caso, métricas agregadas, lista de falhas críticas (tolerância zero) e limiar de aprovação para escalar

Como verificar: existe uma lista de falhas críticas separada da métrica geral — e o limiar de aprovação é um número decidido antes de rodar.

📊 Por que 90% não é o número

O limiar depende do custo do erro. Um agente que sugere títulos de post pode errar 20% sem problema. Um que envia propostas com preço, não. Defina o limiar pelo custo da pior falha comum — não por um número redondo.

7

🛡️ /guardrails — limites, fallback, escalonamento

Cria regras de segurança, autorização, validação, fallback e escalonamento. O agente confiável não é o que nunca erra — é o que, quando não sabe, para e pergunta em vez de improvisar.

🚧 Cinco camadas de guardrail

  • •Autorização: quais ações exigem confirmação humana (pagar, apagar, enviar para fora)?
  • •Validação de entrada: o que fazer com pedido fora do escopo ou malformado?
  • •Validação de saída: a resposta passa por checagem antes de sair (formato, faixa de valores, dados sensíveis)?
  • •Fallback: quando a ferramenta falha ou a confiança é baixa, qual é o comportamento padrão?
  • •Escalonamento: em que condição o agente entrega para um humano — e para quem?

🎯 Copie e rode

/guardrails para <agente>; ações que exigem autorização humana, validações de entrada e saída, comportamento de fallback por tipo de falha, condições de escalonamento com destinatário e o que registrar em log

Como verificar: toda ação irreversível está na lista de autorização, e todo fallback tem comportamento definido — nunca "tenta de novo até dar certo".

⚠️ Guardrail no prompt não é guardrail

Regra escrita só no prompt é pedido, não limite — o modelo pode ignorar. Guardrail de verdade vive fora do modelo: validação de código, permissão de ferramenta, confirmação humana. O prompt avisa; a infraestrutura impede.

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🔌 /integrate — integrações e sincronização

Mapeia sistemas, APIs, autenticação, dados, eventos, erros e sincronização. É o comando que transforma o agente que funciona na demo no agente que funciona na segunda-feira, com o CRM real e a planilha que alguém renomeou.

DimensãoPerguntaErro clássico
AutenticaçãoComo o agente prova quem é para cada sistema?Token pessoal do dev em produção
DadosQual formato entra, qual sai, quem é a fonte da verdade?Dois sistemas com o mesmo campo e valores diferentes
EventosO que dispara o agente — polling, webhook, agenda?Polling a cada 10 segundos em API com limite de 100 chamadas/hora
ErrosO que acontece quando a API responde 500 ou demora?Retry infinito que duplica pedidos
SincronizaçãoQuem ganha quando os dois lados mudaram?"O último que salvou" — apagando o trabalho de alguém

Exemplo didático: cada linha da tabela já foi um incidente em algum projeto real.

🎯 Copie e rode

/integrate para <agente> com <sistemas envolvidos>; para cada sistema: autenticação, dados de entrada/saída com fonte da verdade, gatilho (evento/polling/agenda), tratamento de erro com limite de retry e regra de sincronização em conflito

Como verificar: toda integração tem regra de conflito e limite de retry escritos — e nenhuma usa credencial pessoal.

💡 Receita composta

Arquitetura de agente completa, direto do documento: /agent /tools /memory /guardrails /eval /integrate. Note a ordem: eval antes de integrate — avalia-se em ambiente controlado antes de conectar ao mundo.

Auto-verificação rápida (opcional): por que o /eval vem antes do /integrate na receita de arquitetura de agente?

🎓 Resumo do Módulo

✓
Hipótese crítica primeiro — /prototype e /MVP compram a resposta mais barata antes de construir.
✓
Spec é o contrato — critérios de aceitação testáveis e fora-de-escopo escrito.
✓
Agente é oito decisões juntas — /agent, /prompt, /tools e /memory — objetivo único, ferramentas com "quando não usar", memória com política.
✓
Eval é a base, guardrail vive fora do prompt — /eval decide se escala; /guardrails impede o irreversível; /integrate conecta ao mundo com regra de erro e conflito.

Próxima Trilha:

6.1 - Comunicação e aprendizado — você constrói e avalia; agora aprenda a explicar, ensinar e adaptar a mensagem para quem decide.

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