MÓDULO 3.1

⚡ Automações no desenvolvimento

As automações conectam os agentes aos acontecimentos reais do processo de engenharia: issues, CI, pull requests, dependências e incidentes. Aqui você aprende quais eventos valem a pena — e quais exigem um humano no caminho.

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Nível
Prático
Tipo
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⚡ Mapeie os eventos que acionam agentes

O fluxo básico de qualquer automação é sempre o mesmo: evento → classificação → seleção do agente → execução → validação → decisão → entrega. Começar pelo evento evita o erro comum de construir um robô sem gatilho claro.

evento classificar selecionar executar validar decidir · entregar a parte automática vive aqui

Como ler: só o miolo em ciano é realmente automático. Classificar e decidir continuam sendo governança — sua ou de uma regra sua. Automatizar o miolo é barato; automatizar as pontas é onde as equipes se machucam.

📋 Eventos que valem automação

• issue aprovada aciona um agente
• falha de CI inicia investigação
• dependência vulnerável gera proposta
• PR aberto aciona revisão automática
• queda de cobertura bloqueia merge
• alteração de API atualiza documentação
• incidente gera diagnóstico inicial
• erro em produção inicia reprodução

Gatilho claro

Sem ele não há automação

Classificar

Nem todo evento é igual

Validar

Sempre antes de decidir

Decisão

Tem dono, tem critério

2

🔗 Integre com issues, repositórios e pipelines

A automação precisa viver onde o trabalho já acontece. Se o resultado do agente aparece num chat paralelo, ele não é revisado nem cobrado — e a automação morre por desuso, não por defeito.

✓ Integração que pega

  • O resultado chega como pull request, com diff revisável
  • O agente tem identidade própria (dá para filtrar e auditar)
  • O PR referencia o evento que o originou
  • A evidência (logs, testes) vem anexada, não resumida

✗ Integração que morre

  • Saída num canal de chat que ninguém acompanha
  • Push direto na branch principal
  • Agente usando a credencial pessoal de alguém
  • Nenhum rastro do evento que disparou a mudança

PR é a superfície

Onde a revisão existe

Identidade

Do agente, não sua

Rastro

Evento → mudança

Evidência

Anexada, não narrada

3

🔧 Automatize a correção de falhas de CI

É o melhor caso para começar: o gatilho é objetivo (o pipeline falhou), o verificador já existe (o próprio CI) e o resultado é reversível (um PR que você não precisa aceitar).

🧪 Exercício copiável — agente que investiga uma falha de CI

Objetivo: transformar um log de falha em diagnóstico e proposta com evidência. Pegue uma falha real do seu CI e cole o prompt abaixo no agente, com o repositório aberto.

Contexto: o pipeline falhou. Log completo abaixo.

<cole aqui o log da falha>

Faça, nesta ordem:
1. identifique a falha REAL (a primeira causa, não o último erro impresso);
2. diga se é: (a) bug no código, (b) teste instável, (c) ambiente/infra,
   (d) dependência — e qual evidência do log sustenta isso;
3. reproduza localmente com <comando de teste> e cole a saída real;
4. só se for (a): implemente a menor correção e rode os testes de novo;
5. se for (b), (c) ou (d): NÃO corrija — descreva o problema e pare.

Restrições:
- não altere testes existentes;
- não adicione dependências;
- não faça push na branch principal; deixe tudo na branch atual.

Como verificar: a classificação no passo 2 é o que interessa. Se o agente chamou de "bug no código" uma falha de rede intermitente, sua automação ainda não pode rodar sem supervisão — e você acabou de descobrir isso de graça.

💡 Dica prática

Teste instável é o inimigo silencioso da automação: ele ensina o agente (e o time) a tratar vermelho como ruído. Antes de automatizar correção de CI, elimine ou quarentene os testes que falham sozinhos.

Primeira causa

Não o último erro

Classificar

Antes de corrigir

Instável

Quarentena, não retry

Proposta

PR, nunca push direto

4

📦 Trate dependências e vulnerabilidades

Atualização de dependência é trabalho recorrente, chato e bem definido — o perfil ideal para automatizar cedo. O que diferencia uma automação boa de um robô irritante é a evidência que ela anexa.

1

Ler o changelog antes de subir a versão

O agente resume o que mudou entre as versões e destaca as quebras declaradas. Sem isso, atualizar é apostar.

2

Ajustar o código quebrado, uma dependência por PR

PRs com uma dependência cada são revisáveis e reversíveis individualmente. PR "atualiza tudo" é irrevisável por construção.

3

Provar com testes e anexar a saída

A suíte completa roda contra a nova versão e a saída real vai no corpo do PR. Sem prova, a atualização não é proposta — é sugestão.

Changelog

Leitura obrigatória

Um por PR

Revisão e rollback

Prova

Saída real anexada

CVE crítica

Prioridade, não fila

5

🚨 Use agentes na análise de incidentes

Nos primeiros minutos de um incidente, o gargalo é reunir informação: logs de vários serviços, mudanças recentes, correlação de horário. É exatamente onde um agente ajuda muito — e mitigar sozinho em produção é exatamente onde ele atrapalha.

🧭 Diagnóstico inicial automático

  • Coletar logs do período e agrupar por tipo de erro.
  • Listar deploys, feature flags e migrações nas últimas horas.
  • Correlacionar início do sintoma com a mudança mais próxima.
  • Apresentar hipóteses ordenadas, cada uma com a evidência que a sustenta.
  • Preservar as evidências antes que rotação de log as apague.

⚠️ Atenção

Durante incidente, o agente propõe — quem aplica é humano. Uma mitigação automática errada no meio de uma crise transforma um problema em dois, e destrói a linha do tempo que a análise posterior precisa.

Coletar

É o gargalo real

Correlacionar

Sintoma × mudança

Preservar

Antes de mexer

Não mitigar

Sozinho, em produção

6

⚖️ Decida o que automatizar e o que exige aprovação

Nem toda tarefa deve ser totalmente autônoma. Mudanças em produção, banco de dados, infraestrutura, permissões e segurança precisam de controles adicionais — sempre.

A matriz de decisão em duas perguntas

                    | reversível        | irreversível
--------------------|-------------------|---------------------------
verificável         | AUTOMATIZE        | agente propõe, humano aplica
não verificável     | agente rascunha,  | NÃO AUTOMATIZE
                    | humano revisa     |

Frequência entra depois: dentro do quadrante "automatize", comece pelo que acontece toda semana.

Checagem rápida: qual destas é a melhor primeira automação para um time que está começando?

Reversível

Primeiro critério

Verificável

Segundo critério

Frequente

Define a ordem

Dono

Automação sem dono apodrece

📌 Resumo do Módulo

Comece pelo evento - evento → classificar → agente → executar → validar → decidir → entregar.
Integre onde o trabalho vive - PR com diff e evidência, identidade própria do agente.
Falha de CI é o melhor começo - gatilho objetivo, verificador pronto, resultado reversível.
Dependência: uma por PR - com changelog lido e testes anexados.
Incidente: diagnosticar, não mitigar - e preservar evidência antes de mexer.
Reversível + verificável - é o quadrante da automação; o resto é proposta.

Próximo Módulo:

3.2 - Code Review com IA: por que quem implementa não pode ser quem revisa.