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O que você vai aprender

  • Como construir bateria de homologação com 30 a 50 casos reais retirados do histórico do cliente.
  • Como definir o critério objetivo de "acerto" para o caso, validado pelo operador.
  • Como calcular a taxa de acerto medida (não estimada) e por que ≥ 85% é o piso.
  • Como categorizar erros em famílias para guiar o ajuste no módulo 04.
  • Como apresentar resultado do teste para o cliente sem soar defensivo.

Por que isso importa

Bateria de testes é o portão de qualidade da fase I. Sem ela, o agente entra em produção e descobre seus erros com cliente real — incidente garantido, perda de confiança, possível fim do contrato. Pesquisa G §3.3: projetos com teste estruturado em homologação têm 4 vezes menos incidente na primeira semana de produção.

O número ≥ 85% não é arbitrário. Vem da prática Nautis (Pesquisa A §2.5) e da prática StackAI/NIST citada em Pesquisa B §8. Abaixo de 85% em homologação, o agente vai ter taxa de override humano > 30% em produção, o que mata a economia do projeto (operador acaba refazendo tudo).

O passo a passo

1. Selecionar 30 a 50 casos do histórico real. Da exportação do WhatsApp (90 dias) feita em P: - Selecionar aleatoriamente 40 a 50 conversas completas (do "olá" ao "pedido confirmado" ou ao "ok, valeu"). - Distribuição esperada: ~60% casos do happy path, ~30% casos com exceção (cliente novo, regra tácita disparada, escalonamento), ~10% casos difíceis (cliente irritado, mensagem ambígua, áudio longo). - Anonimizar nomes pessoais mas manter nomes de cliente PJ e CNPJ (para validar regras como inadimplência).

2. Para cada caso, registrar: - Input completo (texto/áudio do cliente). - Contexto: data, horário, dia da semana, cliente cadastrado?, histórico recente. - Resposta humana real (o que o operador respondeu na época). - Resposta esperada validada pelo operador hoje (que pode ser diferente da resposta real, se houver erro reconhecido). - Decisão esperada: continuar fluxo / escalar / pedir esclarecimento.

3. Definir critério de "acerto" por caso. Acerto não é "resposta idêntica". Critério: - Acerto de decisão: o agente tomou a decisão certa (responder vs. escalar vs. pedir esclarecimento)? - Acerto de regra: o agente aplicou a regra correta (RT-XX correspondente)? - Acerto de dados: o pedido criado bate com o que o cliente pediu (SKU, qtde, valor, entrega, pagamento)? - Acerto de tom: a resposta está no tom institucional-cordial (sem palavras vetadas, sem informalidade indevida)?

Caso conta como acerto quando os 4 critérios passam. Quando algum falha, registrar qual.

4. Executar a bateria. Em ambiente de homologação, alimentar o agente caso a caso (ou em batch, via webhook simulado). Para cada caso, capturar: - Resposta do agente. - Tools chamadas. - Tempo de processamento. - Confidence. - Decisão tomada.

Em geral, 40 casos consomem 2 a 4 horas de execução + análise. Aluno acompanha cada caso.

5. Calcular métricas.

  • Taxa de acerto geral: (casos com acerto nos 4 critérios) ÷ total. Alvo ≥ 85%.
  • Taxa por critério: acerto de decisão / acerto de regra / acerto de dados / acerto de tom — separados, para diagnóstico.
  • Latência média: tempo até primeira resposta.
  • Taxa de escalonamento: % de casos onde agente decidiu escalar (deve bater com a expectativa do design — em geral 15-30% no primeiro deploy).
  • Distribuição de confidence: % de casos com confidence < 0,7 (que devem virar escalonamento via gatilho).

6. Categorizar erros. Para cada caso que falhou, atribuir uma categoria de erro: - Falha de contexto: o agente não tinha a informação no Pacote de Contexto. → volta para P. - Falha de regra: o agente tinha a regra mas não aplicou. → ajustar system prompt (módulo 04). - Falha de interpretação: o agente não entendeu o cliente. → mais few-shot, melhor RAG. - Falha de tool use: o agente chamou tool errada ou com parâmetro errado. → revisar schema. - Falha de tom: resposta tecnicamente correta, tom inadequado. → revisar exemplos. - Caso fora de escopo: situação não prevista no playbook. → discutir com cliente se entra no escopo ou fica explicitamente fora.

A distribuição entre essas categorias define o caminho de ajuste.

7. Tomar decisão sobre o exit-gate.

  • Taxa ≥ 85% e zero categoria com > 30% dos erros: aprovado, segue para homologação com cliente (módulo 05).
  • Taxa 70-85%: iterar no módulo 04, refazer bateria.
  • Taxa < 70%: problema estrutural. Avaliar se voltar para P (faltou contexto crítico) ou se reescrever I do zero (faltou estrutura).

Não negociar o piso. ≥ 85% é o piso, não meta opcional.

8. Documentar o relatório de teste. Para o cliente, relatório curto: - Tamanho da bateria. - Taxa de acerto geral e por critério. - Top 3 categorias de erro. - Ajustes feitos. - Decisão (segue para homologação | itera).

Este relatório vira anexo do Pacote de Contexto e parte do contrato de manutenção.

Exemplo aplicado — Polaris Bebidas (Joinville/SC)

Bateria de 42 casos selecionados de fevereiro-abril 2026. Distribuição: - 26 casos happy path (cliente cadastrado, SKU claro, bairro informado, pagamento Pix/boleto). - 11 casos com exceção (cliente novo PJ, bairro Glória same-day, áudio, RT-09 desconto recorrente). - 5 casos difíceis (cliente VIP, cliente irritado pedindo cancelamento, mensagem com sticker, cliente inadimplente, pedido > R$ 5k).

Execução em ambiente de homologação, segunda-feira da semana 3 de I, das 09h às 13h, com Maria acompanhando.

Resultado primeira rodada (system prompt v0.4):

Métrica Valor Alvo
Taxa de acerto geral 79% (33/42) ≥ 85%
Acerto de decisão 93% (39/42)
Acerto de regra 88% (37/42)
Acerto de dados 95% (40/42)
Acerto de tom 86% (36/42)
Latência média 3,8s < 5s
Taxa de escalonamento 19% 20-30%

Categorização dos 9 erros: - Falha de regra (3): o agente esqueceu de aplicar RT-09 desconto recorrente em 3 casos onde cliente havia comprado nos últimos 7 dias. Cause: a regra estava no system prompt mas a tool de consulta de histórico não retornava esse dado consistentemente. - Falha de interpretação (3): o agente não entendeu termos regionais (a Skol "lata" pode ser "lata 350" ou "lata 473"; o cliente diz só "lata"). Few-shot não cobria essas variações. - Falha de tom (2): o agente respondeu com "Vamos lá!" em 2 casos, palavra vetada na lista de restrições. - Caso fora de escopo (1): cliente perguntou sobre "cerveja sem álcool", produto novo lançado em maio, não estava no catálogo Bling de teste. Agente respondeu de forma genérica, deveria ter perguntado.

Decisão: itera (módulo 04) e refaz bateria.

Segunda rodada (system prompt v0.5):

Métrica Valor
Taxa de acerto geral 88% (37/42)

Erros remanescentes: - 2 casos de áudio longo com ruído de fundo que o Haiku transcreveu errado. - 2 casos de SKU ambíguo onde o agente decidiu sozinho em vez de perguntar (decisão correta levaria a perguntar, agente seguiu com confiança média). - 1 caso fora de escopo (mantido como tal).

Decisão: aprovado. Segue para homologação com cliente (módulo 05).

Relatório de teste impresso, 4 páginas. Maria assina como validadora dos casos.

Erros comuns

  • Bateria pequena (< 20 casos). Estatística não significativa. Corrige: mínimo 30, ideal 40-50.
  • Casos inventados pelo implementador. Não refletem realidade. Corrige: histórico real anonimizado.
  • Critério de acerto subjetivo ("ficou bom"). Não dá métrica. Corrige: 4 critérios objetivos.
  • Validar acerto sozinho. Operador precisa ser quem decide o esperado. Corrige: Maria/operador valida cada caso.
  • Não categorizar erros. Ajuste fica chute. Corrige: categorização obrigatória.
  • Aceitar 80% "porque está perto". Vira projeto frágil em produção. Corrige: piso é piso.

Checklist de saída

  • 30 a 50 casos reais selecionados do histórico.
  • Casos anonimizados.
  • Critério de acerto definido (4 critérios).
  • Validação do esperado feita pelo operador.
  • Bateria executada em ambiente de homologação.
  • Taxa de acerto geral ≥ 85% após iteração.
  • Erros categorizados em famílias.
  • Relatório de teste documentado.

Vai além

  • Manual canônico, sub-etapa I.5 + exit-gate de I.
  • Pesquisa B §8 e G §3.3.
  • Exercício prático: para o cliente do exercício, montar bateria de 30 casos reais (ou simulados se não houver acesso a histórico real) e medir taxa de acerto na primeira rodada.