Visão Geral da Trilha P — Processar¶
O que você vai aprender¶
- O que é o Pacote de Contexto, saída da fase P, e por que ele é diferente de "base de conhecimento" tradicional.
- Por que P é a fase de preparação de contexto que falta nos frameworks enterprise — e por que isso é a vantagem competitiva do implementador DPIA.
- Como capturar regras tácitas que só o operador conhece.
- O que diferencia P (estruturar contexto) de I (escrever instruções).
- Como deixar o cliente pronto para receber o agente sem virar bottleneck na fase I.
Por que isso importa¶
Pesquisa B §4.2: "nenhum framework identifica explicitamente a fase de preparação do contexto. Esta lacuna é crítica em PMEs com dados desestruturados." É a validação mais rara e mais forte que o método recebeu nas 7 pesquisas. McKinsey, BCG e Gartner começam por estratégia de dados — assumem que os dados existem estruturados. Em PME, dado é planilha caótica + WhatsApp + cabeça do operador. Sem uma fase específica para limpar, contextualizar e estruturar isso, o agente da fase I sai fantasioso.
P também é onde se evita o erro mais caro do método: pular regra tácita. Operador atende clientes há anos com regras que ninguém documentou. Se essas regras não entram no Pacote de Contexto, o agente colide com elas no deploy e o operador volta ao canal antigo (Pesquisa G §3.3, Princípio 4 do DPIA).
O passo a passo¶
A trilha P tem cinco sub-etapas (P.1 a P.5 do manual canônico) e seis módulos pedagógicos:
- Mapeamento de processos (módulo 01). Desenhar o processo as-is com notação simples (caixas e setas), granularidade de PME, identificação clara de quem faz o quê.
- Extração de conhecimento tácito (módulo 02). Sessões dirigidas com o operador para capturar regras que não estão em manual nenhum. Cada regra vira uma linha RT-XX.
- Construção do playbook (módulo 03). Transformar processo + regras tácitas em playbook estruturado (entrada / processo / critério / saída / exemplos / regras).
- Design do fluxo com IA (módulo 04). Onde a IA entra no fluxo, onde o humano permanece, qual o gatilho de escalonamento, qual o fallback quando o agente trava.
- Validação com cliente (módulo 05). Review do Pacote de Contexto com dono e operador, ajustes, assinatura do exit-gate.
A trilha pressupõe que a fase D foi feita corretamente. Sem baseline assinado, champion nomeado e reposicionamento decidido, o aluno não entra em P. Tentar fazer P sem D fechado é o erro mais comum de implementador junior.
Diferença entre P e I¶
| Tema | Fase P (Processar) | Fase I (Instruir) |
|---|---|---|
| Foco | Contexto e dados | Comportamento do agente |
| Saída | Pacote de Contexto | Agente configurado + Playbook |
| Pergunta central | "O que o agente precisa saber?" | "Como o agente decide?" |
| Material | Markdown, planilhas, exports | System prompts, few-shot, matriz HITL |
Misturar as duas fases é o segundo erro mais comum. Aluno começa a escrever system prompt antes de ter regras tácitas mapeadas, e o prompt vira chute. Disciplina: em P estrutura-se, em I escreve-se.
Exemplo aplicado — Polaris Bebidas (Joinville/SC)¶
Saída esperada de P na Polaris: - Mapa do processo "Atendimento de pedido WhatsApp", 11 caixas, 3 swimlanes (cliente / vendedor / Bling). - 18 regras tácitas RT-01 a RT-18, incluindo as 5 capturadas em D (Bar do Zé, Glória same-day, etc.) e mais 13 descobertas em P (regras de desconto progressivo, exceções de horário, validação de PJ novo, blacklist de inadimplente, ...). - Glossário de 32 termos do vocabulário Polaris (bonificação, devolução parcial, "pedido coringa", etc.). - Base de conhecimento de 47 perguntas frequentes extraídas dos últimos 90 dias de WhatsApp. - Plano de integração: Bling REST API (escopo produtos + pedidos + clientes), WhatsApp Cloud API (provisionamento Meta direto), Supabase pgvector (memória RAG). - Conversas de reposicionamento concluídas: Maria + João + Sr. Roberto.
Esse Pacote de Contexto chega na fase I pronto para alimentar system prompt e few-shot. Sem fase P, a fase I vira tentativa-e-erro de 8 semanas.
Erros comuns¶
- Tratar P como "preparação técnica". P é trabalho com o cliente, não com o terminal. Corrige: 60% do tempo de P é com o operador, não programando.
- Pular extração de regra tácita. Operador sabota o agente em 3 dias. Corrige: sessões específicas de extração.
- Misturar P com I. Escrever system prompt antes da estrutura. Corrige: disciplina; primeiro contexto, depois instrução.
- Não validar integrações com chamada real. "API do Bling funciona" sem ter feito GET. Corrige: credenciais provisionadas + chamada real testada em P, não em A.
- Esquecer LGPD. Corrige: RIPD enxuto entra no Pacote de Contexto, exit-gate obrigatório.
Checklist de saída¶
- Sabe descrever o conteúdo do Pacote de Contexto em 5 bullets.
- Sabe explicar a diferença entre P e I.
- Sabe enumerar os 5 itens do exit-gate de P sem consultar.
- Sabe explicar por que regra tácita ignorada vira sabotagem no deploy.
Vai além¶
- Manual canônico, seção "Fase P — Processar" — leitura obrigatória.
- Pesquisa B §4.2 — validação da lacuna nos frameworks enterprise.
metodo/templates/template-mapa-processos.md— estrutura do mapa.metodo/templates/template-playbook-agente.md— estrutura do playbook.- Exercício: revisitar o cliente do exercício da trilha D e listar 10 prováveis regras tácitas antes de entrar em P.